Guggenheim, Cidade da Música e Museu do Amanhã, um Postzitivo com ressalvas.

Em princípio, toda cidade gostaria de receber um projeto futurista do famoso arquiteto Santiago Calatrava.

Santiago Calatrava – Museu do Amanhã
Deixemos agora de lado custos e prioridades, aspectos sempre levantados no caso de obras de grande porte que não são escolas ou hospitais. Revitalização da Zona Portuária, tema interessante, construção sustentável, coberturas dinâmicas, grife e muita, muita divulgação. Se construído, mantido e usado, poderá, sim, vir a ser um novo ícone no Rio de Janeiro. E este um genuíno Post.zitivo, sobre ação governamental digna de elogios. Mas, cabe perguntar por que o Museu poderá ser feito agora e no Pier Mauá, alvo de tantas outras propostas mal sucedidas?

Jean Nouvel – Museu Guggenheim

Outro museu, voltado para as Artes Plásticas, foi planejado há alguns anos: também no Pier, também para dar impulso à revitalização da Zona Portuária, também um ícone na origem – o Museu Guggenheim – e projetado pelo não menos famoso arquiteto Jean Nouvel. Mas, o Guggenheim não foi adiante. Em meio a polêmicas e ações judiciais contrárias ao projeto, o plano foi vetado, embargado e o contrato com a Fundação Guggenheim suspenso. Justificado ou não, o que se sabe é que o Governo Federal -Companhia Docas – era dono do Pier e as ações foram impetradas pelos partidos da oposição ao Governo Municipal, o que por si bastaria para demonstrar que divergências políticas deram origem ao embargo.

Christian de Portzamparc – Cidade da Música

E assim nasceu a Cidade da Música, nova tentativa de dotar a cidade de um equipamento cultural de porte, em terra do município, sem depender da boa vontade de outras esferas políticas, com projeto do igualmente famoso arquiteto Christian de Portzamparc.

Se a instalação do Museu do Amanhã pode ser positiva para o Rio, embute uma face perversa: remete de imediato à Cidade da Música, deixada inconclusa, um embargo indireto e intencional. Se entre as alegações contra o Guggenheim estava o gasto público excessivo, as perdas com a obra da Cidade da Música paralisada deveriam ser igualmente aferidas. Já em relação ao projeto de Calatrava, não se ouviu uma palavra contrária. Se as ditas parcerias com a iniciativa privada querem explicar o silêncio, cabe lembrar que as chamadas CEPACs também financiarão o projeto, ou seja, dinheiro público porque obtido com o leilão do solo criado/venda de gabaritos, verba que ainda pertence a uma instituição também governamental.

De concreto, hoje, temos apenas a Cidade da Música. O Guggenheim foi implodido antes de nascer. O resto é o Amanhã. Quando interesses político-partidários ficam à frente do interesse público, perde a cidade, perdemos todos.

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