O HANGAR PARA HELICÓPTEROS E A LAGOA RODRIGO DE FREITAS

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Parque Radical da Lagoa
Blog Radar Decoração
No final de 2011 foi anunciada, pela Prefeitura do Rio, a transformação de enorme área de propriedade do Governo Estadual situada nas margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, em um parque público. Para tanto o Estado cederia o terreno onde funcionou uma academia de ginástica de luxo – hoje desativada -, à municipalidade: em vez do uso particular, um parque aberto destinado à prática de esportes radicais e à contemplação, com pistas de bicicross, skate e patins, mini-velódromo, muro de escalada e tirolesa.
Há dez dias, entretanto, outra notícia deu conta de que em parte do terreno será construído mais um hangar de helicópteros para a Polícia Civil e para o Corpo de Bombeiros, ampliando-se os dois helipontos existentes.
Os cariocas protestaram contra o golpe duplo: a diminuição do parque prometido antes mesmo de nascer, e o natural aumento do tráfego aéreo que trará mais incômodo.
Não se discute a importância dos serviços prestados por essas instituições. O que preocupa, mais uma vez é que se perca a oportunidade preciosa de dar sequência ao conjunto de áreas públicas em volta da Lagoa, conquistadas e oferecidas à população por diversas administrações municipais, durante várias décadas.
Favela Praia do Pinto
Skyscrapercity



Favela Praia do Pinto
Blog Alma Carioca
Muitos que fazem caminhadas, passeiam de bicicleta e desfrutam a paisagem espetacular, não sabem que há algum tempo era impossível contornar a Lagoa, a pé ou de carro, não apenas pela ausência da ponte sobre o canal do Jardim de Alah, como pela presença de favelas que ocupavam o bairro do Leblon, até à beira d’água: Praia do Pinto e Ilha das Dragas. No ponto diametralmente oposto, onde hoje existe o Parque da Catacumba, ficava a favela de mesmo nome, cujos barracos, em cascata, chegavam até o meio-fio da Avenida Epitácio Pessoa.

Jardim de Alá e proximidades: Cruzada São Sebastião, Edifício dos Jornalistas
e as favelas Ilha das Dragas, Pedra do Baiano e Praia do Pinto
(parcial, embaixo, à esquerda) – início dos anos 50
Cortesia de Paulo Afonso Teixeira, do site Alma Carioca

www.antigoleblon.com.br

Favela da Catacumba
Skyscrapercity

De lugar simples para área considerada “nobre”, a transformação físico-social do bairro da Lagoa não se deu apenas em função da polêmica política de remoções iniciada na década de 1960, ou da substituição de casas e pequenos prédios por edifícios mais altos e luxuosos. As áreas públicas de lazer criadas às margens do espelho d’água, bem tombado municipal de beleza ímpar, foram igualmente ou até mais significativas para a mudança, passando a ser a Lagoa atração diária para cariocas de todas as regiões da cidade e camadas sociais, e, é claro, para o turismo em geral.
TIVOLI PARK DA LAGOA
Blog Araca
Além das ocupações irregulares citadas, havia um parque de diversões no meio do caminho e outras construções em áreas igualmente concedidas – um cinema ao ar-livre, um rinque de patinação, boates e restaurantes – estas aceitáveis, na época, por terem dado utilidade às terras vazias e levado animação a uma vizinhança pouco valorizada. 

 

O parque de diversões foi retirado no início dos anos 1990, e o local transformado no que hoje é o Parque dos Patins. Infelizmente, o processo gradual de entrega total da lagoa à população sofreu um retrocesso com a instalação a seguir – no mesmo terreno onde funcionou o “drive-in” – da academia de ginástica que, enfim, será removida.
Parque dos Patins, Lagoa
Blog Minube
É o momento de retomar-se o processo, diante da oportunidade que volta depois de duas décadas, por força de ação judicial impetrada pelo Ministério Público Estadual em 2008 que pediu a anulação da cessão do terreno, considerada irregular.


Em meio às discussões causam muita preocupação as espantosas declarações dos órgãos de proteção do patrimônio cultural, justamente os responsáveis pela preservação do bem tombado. O IPHAN diz que falta consenso e aguarda o projeto do hangar revisado. Ou seja, não o descartou. A Prefeitura, através do recém-criado Instituto do Patrimônio da Humanidade, sugere instalar no local uma roda-gigante igual à London Eye!!! É inacreditável! Um trambolho gigantesco permanente, na beira da lagoa tombada e ao lado de dois helipontos em funcionamento!

Os cariocas que fiquem atentos ou a cidade sofrerá mais um atentado urbanístico!

LONDON EYE
Blog Casa Paulista

Já que Prefeitura criou índices urbanísticos especiais para os muitos terrenos do Estado que serão vendidos – decisão analisada e questionada pelo Urbe CaRioca no texto Vendo o Rio, o Estado – Estudo de caso: Botafogo) -, o mínimo que o governo estadual deve fazer é retribuir as benesses cedendo o terreno integralmente ao município para que este instale o parque prometido. Em tempos olímpicos, ficarão os louros para ambos e o Rio de Janeiro agradecerá.

E, no futuro breve, sugere que os próximos governantes pensem em transferir os helipontos existentes para outro lugar.
Quem o fizer poderá ter o nome gravado na História da Cidade como o administrador que completou o processo de libertação da lagoa em forma de coração, iniciado há meio século.
UOL Notícias

  1. Cara Débora,
    Obrigada pelo comentário. Fico satisfeita por saber que você gosta do blog!
    Aproveito para explicar que, quanto ao Lagoon, a construção mais alta onde agora ficam os restaurantes já existia, pois era justamente a arquibancada principal do Estádio de Remo da Lagoa. Infelizmente o projeto deixou a construção fechada em excesso, na minha opinião. Apesar de alta – devido à função – a estrutura era vazada, o que garantia leveza. Quanto aos cinemas novos acho que foi um erro urbanístico: melhor seria eles terem sido construídos nos bairros levando animaçao e movimento para as ruas. Quando o espaço da academia ficar livre – se ficar – essa construçao fechada e mais alta do que a antiga que foi demolida, aparecerá, prejudicando a vista da Lagoa, de fato. Um abraço.

  2. Mais um texto excelente do meu blog favorito!

    O blog só esqueceu de mencionar que a política recente de entreguismo dessa área permitiu a construção do controverso e incômodo Lagoon, que cobriu a vista da Lagoa, construindo o espaço de restaurante e cinema grande demais, alto demais e fechado demais. Isso é completamente diferente do cinema aberto ao ar livre de outrora, que seria mais democrático, mais charmoso e, principalmente respeitaria os limites de altura não privaria quem passeia por ali de desfrutas da vista da Lagoa. A desculpa do entretenimento desse Lagoon não cola. O espaço tem de ser público e "urbanisticamente" agradável, sem bloquear a vista.

    Já que a cidade anda perdendo tanto, vamos defender que o espaço da Estação do Corpo seja 100% público e aberto para os cariocas e turistas!

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