VENDO O RIO, NO ESTADO – ESTUDO DE CASO: BOTAFOGO

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A mui leal e heróica
Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, fundada em 1565, em 2012 foi alçada a Patrimônio Mundial na categoria Paisagem Cultural Urbana.
PÃO DE AÇÚCAR VISTO DAS PROXIMIDADES DO MIRANTE DO PASMADO
Foto: Hugo H., 2012
 Em 2009 foi decidida a venda de diversos imóveis do Município do Rio de Janeiro, não apenas terrenos Próprios Municipais – bens de propriedade do município -, como também Logradouros Públicos – Praças e Áreas de Lazer -, terras que pertenciam a todos os munícipes CaRiocas. A decisão inspirou a série VENDO O RIO, de 2010.

As áreas originaram-se de “doações” feitas pelos proprietários das terras à Cidade. As aspas devem-se ao fato de que as doações são em verdade obrigatórias por lei. Na ocasião do Parcelamento da Terra – quando terrenos grandes são divididos, criadas ruas novas e lotes menores para venda – o loteador é obrigado a reservar parte de sua propriedade para as referidas ruas, e mais: praças, escolas, e lotes para equipamentos urbano-comunitários a serem instalados pelo poder público – postos de saúde, creches, escolas, serviços administrativos, etc.

Creche municipal, Rua Bento Lisboa
www.skyscrapercity.com

Rua Bento Lisboa, Catete
www.hostelsclub.com
Quando são previstas muitas unidades habitacionais o empreendedor é obrigado a construir escolas e doá-las ao Município. Exemplo recente é a creche-escola municipal situada na Rua Bento Lisboa, Catete, fruto do enorme condomínio erguido no local onde funcionou uma concessionária de veículos.

ESCOLA MUNICIPAL PROF. ZULEIKA ALENCAR, BARRA DA TIJUCA
www.zuleikanunesdealencar.org

Portanto, o legislador previu a necessidade de equipamentos urbanos para apoio e serviços ao cidadão no caso da expansão urbana ou do adensamento populacional em bairros consolidados.

AVENIDA DAS AMÉRICAS, BARRA DA TIJUCA
www.noticias.r7.com

Algumas das áreas citadas, principalmente na Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá, estavam sem utilização, cedidas a terceiros, ou carentes de urbanização.

Embora criados e “doados” exatamente para atender à Cidade, o governo municipal simplesmente decidiu que aqueles terrenos não eram mais de interesse à Urbe CaRioca. Sequer foi apresentado estudo a respeito demostrando que os terrenos NÃO TERIAM SERVENTIA  PARA USO E FUNÇÕES PÚBLICOS, NEM SERIAM ÚTEIS AOS CIDADÃOS – razão exclusiva da sua existência –  antes de serem oferecidos ao mercado imobiliário.

PRAÇA DO Ó, BARRA DA TIJUCA
http://skateverticalbowlbanks.blogspot.com.br

Cabe notar que praças são non-aedificandi e terrenos de escola costumam comportar só 2 ou 3 andares. Com a falta de índices construtivos, empecilho às vendas, nossos gestores resolveram o problema aprovando mais uma lei “pontual”, a LC 103/2009.
  
LOTE DE ESCOLA – RUA ENALDO CRAVO PEIXOTO, TIJUCA
Base: Google Maps
Para exemplificar, o lote da Rua Enaldo Cravo Peixoto, na Tijuca, destinado a escola, recebeu gabarito geral do bairro de até 18 andares mais garagens.
Em vez de escola, um bom negócio.

Agora Governo Estadual segue o mesmo caminho. Em 2009 também havia “se livrado”, em troca de caixa, de vários terrenos remanescentes das desapropriações feitas para a implantação da Linha 1 do Metrô. Terá havido propriedade na decisão em alguns casos, com a eliminação de cáries urbanas indesejáveis, mas somente um estudo mais aprofundado poderia validar esta presunção. Nem uma palavra se ouviu de urbanistas e instituições ligadas ao setor.
SOTHEBY’S IN RIO
Ilustração: NELSON POLZIN

A parceria político-administrativa voltada para os negócios imobiliários prosseguirá, à vista de novo pacote comercial anunciado em 14/6/2012: o estado precisará do executivo e do legislativo municipais submissos para concederem o potencial construtivo dos terrenos sobre jurisdição militar, em breve à venda, cuja amostra ocorreu com a polêmica negociação do terreno do Quartel da PM na Rua Evaristo da Veiga, ensaio para a notícia da venda de mais 26 imóveis.

AVENIDA PRESIDENTE VARGAS, CENTRO, FECHADA
PARA REALIZAÇÃO DE EVENTO
www.skyscrapercity.com

DELEGACIA DO LEBLON, LEBLON, RIO DE JANEIRO
www.diariodocongresso.com.br

Também poderá haver acertos, em especial no caso da Avenida Presidente Vargas com seus vazios urbanos inexplicáveis. Mas, curiosamente todas as áreas ficam em áreas nobres: Centro, Lapa, Saúde, Botafogo, Tijuca, Leblon, Lagoa e Flamengo.

As alegações para a venda são o subaproveitamento e os gastos impostos aos cofres públicos.

No caso dos terrenos dos Batalhões a justificativa é “um novo modelo de gestão da Segurança Pública, que busca reduzir as funções administrativas e disponibilizar mais policiais nas ruas”. Parece estranho que para os policiais serem mandados à rua seja necessário desfazer-se dos Batalhões…

1º BATALHÃO DA PM, RUA EVARISTO DA VEIGA, CENTRO, RIO DE JANEIRO
Domingos Peixoto / Agência O Globo
Fonte: Pesquisa Globo on Line

Quanto à venda em si, além da falta de clareza sobre o interesse público apregoado – única justificativa legítima – preocupa, mais uma vez, a falta de visão ampla que considere a cidade e o cidadão em primeiro lugar, tomando por base o fato de que haverá outras fontes de recursos que permitam concretizar os projetos na área da segurança. O caso do 1º Batalhão da PM foi analisado pelo Urbe CaRioca em três textos (marcadores Quartel da PM). Agora já  surgem cartazes pela cidade parte do movimento contrário à sua demolição.

2º BATALHÃO DA PM, BOTAFOGO, RIO DE JANEIRO
www.panoramio.com.br

Com a nova lista, do ponto de vista urbanístico merece análise imediata o terreno do 2º BPM, na esquina das Ruas São Clemente e Real Grandeza, em Botafogo, IV RA. A notícia dá conta de que a delegacia será verticalizada, passando a ocupar ¼ do terreno e que os demais ¾ serão vendidos, o que desmonta o discurso sobre o excesso de espaço diante do futuro modelo de segurança.

Botafogo e Humaitá são bairros densamente ocupados, “respiram” mal, há poucas “tomadas de ar”. Nessa ótica a lindíssima orla de Botafogo não conta: com os sucessivos aterros fica distante da malha urbana edificada, fora do dia-a-dia de quem transita pelas ruas e prédios dos bairros. Igualmente não se considera o Mirante do Pasmado, longe dos aglomerados edificados.

Botafogo e Humaitá não têm praças, se assim considerados os espaços amplos e agradáveis para convivência, lazer e estar, necessários nas cidades para todas as idades.

Mal se pode citar o Largo dos Leões, duas nesgas verdes interessantes, mas pouco convidativas ao estar por cercarem movimentadíssima pista de veículos.

LARGO DOS LEÕES, HUMAITÁ
Fotos: Emanuel Paiva
www.skyscrapercity.com

Na Rua Eduardo Guinle há um cantinho, a Praça Radial Sul, lugar propício para assaltos, sempre vazio. Na Muniz Barreto existe outra nesga ao lado de carros, ônibus e caminhões.

PRAÇA RADIAL SUL
Acervo Urbe CaRioca, junho 2012

RUA LAURO MULLER, Praça interna
Acervo Urbe CaRioca, junho 2012
  

A configuração da área verde da Rua Lauro Muller afasta o caráter de espaço público de bairro. Na prática serve apenas aos edifícios que a cercam. Em frente ao Morro Santa Marta há uma pracinha pequena. O terreno em frente, bem maior, seria originalmente uma praça. Em algum momento seu destino mudou e lá existe um Posto de Gasolina.

A PRAÇA DO POVO, DO METRÔ, E DA UPA

PRAÇA NELSON MANDELA, METRÔ BOTAFOGO
PRAÇA, SAÍDA DA ESTAÇÃO E UPA
Foto: Acervo Urbe CaRioca, Junho 2012
Rua Nelson Mandela, BOTAFOGO
Uma novidade recente é a área ao longo da Rua Nelson Mandela, fruto de um dos terrenos remanescentes do Metrô: vendido o terreno parcialmente em 2009, a área pública nasceu com um edifício de contrapeso (no lote 104 na figura) e perdeu espaço com a UPA que a ocUPA. Ainda assim foi benvinda, tal a escassez de áreas afins na região.

Espantosamente a mesma lei previu a venda do terreno que fica na Rua Álvaros Ramos, onde deveria ser construída a Estação Morro de São João, fundamental para completar a Linha 1 e permitir a construção da verdadeira Linha 4 do sistema metroviário, para a Barra da Tijuca.

RUA ÁLVARO RAMOS – TERRENO DA ESTAÇÃO MORRO DE
SÃO JOÃO QUE INTEGRA A LISTA DE IMÓVEIS DO ESTADO
DESTINADOS À COMERCIALIZAÇÃO CONFORME LEI DE 2009
Google Maps
Essa venda é absurda, lesiva à cidade e ao futuro do transporte de massa no Rio e Região Metropolitana que um dia poderá ser melhor. Afinal, mantido o terreno, outro governador poderá construir a Estação Morro Azul e a Linha 4 para a Barra da Tijuca via Botafogo, Humaitá e Jardim Botânico, conforme a lógica, a técnica,  e os procedimentos administrativos adequados determinaram. Dispensado o imóvel, nunca mais.
Mas a região ainda respira, ao menos visualmente, na Rua Humaitá, onde a paisagem se abre, a área pública é ampla e permite ver a encosta do Corcovado e o Cristo Redentor, ainda que sem espaços de convivência, só trânsito de pedestres e veículos.
Casas e palacetes protegidos, além de preservarem a Memória da região, também ajudam a iluminar outras tantas ruas que integram a APAC de Botafogo.

PALÁCIO DA CIDADE, PREFEITURA DO
RIO DE JANEIRO, RUA SÃO CLEMENTE, BOTAFOGO
http://bricspolicycenter.org

Seguindo o mesmo espírito que norteou as análises sobre o Batalhão da Rua Evaristo da Veiga, no Centro, este Urbe CaRioca sugere que em vez de vendidos, os ¾ do terreno sejam cedidos à Cidade para a criação de um belo espaço público arborizado que chamará ao descanso e à socialização, bem policiado pelas instituições vizinhas, a PM e a Guarda Municipal. A localização é privilegiada, próxima do Palácio da Cidade e de vários bens tombados.
Quanto aos demais terrenos que o Estado quer vender o Blog sugere que técnicos da Prefeitura, Universidades e órgãos de classe como o Instituto dos Arquitetos, o Clube de Engenharia, e outros, façam análises e opinem sobre o que será melhor para a Cidade do Rio de Janeiro, Patrimônio Mundial na categoria Paisagem Cultural Urbana.
NOTAS e outras informações:

ESQUINA DAS RUAS VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA E CONDE DE
IRAJÁ, BOTAFOGO, onde funciona um estacionamento
www.oglobo.globo.com

    ·       Na esquina das Ruas Voluntários da Pátria e Conde de Irajá existe outro terreno adequado para a implantação de uma praça. Consta que é da União. Antes de ser vendido, o blog sugere que a AMAB reinvindique sua transformação em praça pública. Seria um alento*em ambiente urbano árido e barulhento. A Praça do Metrô, a nova Praça no terreno do Batalhão e esta nova Praça formariam um conjunto admirável para a IV Região Administrativa.

·       Contribuição do Blog aos gestores do Rio de Janeiro: Joan Clos, Ex- Prefeito de Barcelona acredita que as cidades precisam investir em espaços públicos.

·       LISTA DOS IMÓVEIS QUE SERÃO POSTOS À VENDA

Conjunto composto pelos imóveis situados na Rua Evaristo da Veiga n° 62, n° 64, n° 66, nº 78 e o terreno do Morro de Santo Antônio, que se estende desde a viela de passagem da linha férrea da Cia. Ferro Carril de Santa Thereza, inclusive a dita viela, o qual é o restante dos chãos dos prédios n° 62 e 64 da Rua Evaristo da Veiga e dos quais ficou separado pela citada viela de passagem cedida a Cia. Ferro Carril de Santa Thereza, Centro;
Rua São Clemente nº 345, antigo nº 211, Botafogo;
Rua Barão de Mesquita nº 625, Andaraí;
Rua Buenos Aires nº 308, antigo nº 310, Centro;
Praça Tiradentes nº 75/77, Centro;
Avenida Presidente Vargas jto nº 1.100, Centro;
Avenida Presidente Vargas nº 1.106, antigo nº 314 Rua São Pedro;
Avenida Presidente Vargas nº 1.114, antigo nº 316 Rua São Pedro;
Avenida Presidente Vargas nº 1.122, antigo nº 318 Rua São Pedro;
Avenida Presidente Vargas nº 1.132/1.132-a, antigo nº 320 Rua São Pedro;
Avenida Presidente Vargas nº 1.138, antigo nº 322 Rua São Pedro;
Avenida Presidente Vargas nº 1.140, antigo nº 324 Rua São Pedro;
Rua da Constituição nº 23 e nº 25, Centro;
Rua da Constituição nº 78, Centro;
Travessa do Mosqueira nº 4, 6, 10, Lapa;
Rua Camerino nº 7/9, antigo nº 27/29, Lapa;
Rua Sacadura Cabral nº 279, Saúde;
Rua Otávio Carneiro nº 18, apto 111, Icaraí, Niterói;
Rua Álvaro de Macedo nº 200, Parada de Lucas;
Rua Gal. José Cristino nº 60, São Cristovão;
Rua Carlos Xavier, junto e depois do nº 605, atual nº 477, Osvaldo Cruz;
Rua Humberto de Campos nº 315, Leblon;
Praia do Caju, nº 427, Caju;
Avenida Borges de Medeiros nº 2.345, Lagoa;
Avenida Ataulfo de Paiva nº 269, sobreloja 201, Leblon;
Rua Principado de Mônaco, lote 1, esquina com a Rua Real Grandeza, Botafogo;
Rua Dois de Dezembro nº 9, Flamengo.

·       *ALENTO (Dicionário Houaiss)

Substantivo masculino

1          respiração, fôlego, hálito
Ex.: o cantor ficou sem voz e a.
2          estado de ânimo, de coragem, de vigor
Ex.: no fim do caminho, perdeu o a.
3          Derivação: por extensão de sentido.
aquilo que alimenta, que revigora
Ex.: seu corpo precisava do a. necessário para reerguer-se
4          Derivação: sentido figurado.
inspiração, entusiasmo
Ex.: era um romance de vasto a.

  1. Caro Rodrigo,
    Obrigada por mais este comentário. O bairro está muito mudado, como já comentei antes. O Largo dos Leões, porém, é assim há várias décadas. A Rua Assunção é outra. Até pouco tempo apenas com casas e muitas oficinas mecânicas (era o lugar certo para resolver problemas com carros), praticamente todas as construções baixas foram substituídas por prédios residenciais. No terreno da antiga Casa de Saúde Dr. Eiras agora existe um condomínio de luxo. Quanto ao sobrenome, não é o meu original, de solteira. Sei que uma parte dos Garcia Redondo foi para o Paraná. É só o que sei. Um abraço.

  2. …Olá de novo!
    Aqui é o Rodrigo que postou um comentário há algum tempo.
    Vi que és ARQUITETA; legal – já pensei em ser também. Inclusive faço coisas ligadas à ARTE (em algumas TÉCNICAS).
    Sobre tais azaleias, recordo que se localizavam num CANTEIRO chegando a tal LARGO: quase em frente à rua MARTINS FERREIRA _ onde fiz um tratamento durante um bom tempo/conhecido aí no RJ como LOGOPEDIA. Até tenho vontade de passar pela rua e ver como se encontra.
    Alias essas ruas de Botafogo são bonitas mesmo. Meus antepassados residiam numa rua denominada ASSUNÇÃO. E outro familiar meu residia, trabalhava numa casa onde em uma ao lado se originou o BANDO DA LUA (Carmen Miranda). Alguns tios avôs meus tiveram a ver lá.
    E vendo teu sobrenome REDONDO… Conheci uma pessoa aqui em Porto Alegre rapidamente (uma vendedora chamada Silvia Redondo. Vai ver que até têm parentesco!).

    Rodrigo

  3. Obrigada pelo comentário. Se eu pudesse sugerir, caberia um bom tratamento paisagístico ali, caso o posto saísse, como vem ocorrendo com todos da Zona Sul. O terreno que você menciona pode ser o mesmo da lista de imóveis colocados à venda pelo Estado, conforme está no post antigo. Um bom projeto diminuiria a aridez do lugar. Para conhecer outras listas, caso se anime, um dos marcadores desse tema é 'Vendo o Rio". Ab.

  4. Prezada Andrea, parabéns pelo seu belíssimo trabalho. Nasci e fui criado na Rua Principado de Mônaco, hoje, estou em São Paulo. É muito bom ter alguém defendendo o ambiente cultural do rio, seus bairros. Botafogo já foi muito descaracterizado, lembro da Rel Grandeza antes de furnas eram só casas e belas casas. Tudo sumiu. A principado tinha muros altos que separavam as casas da rua Pinheiro Guimarães, da nossa. Esse espaço da principado já foi de tudo e nunca foi nada. O que poderia ser feito no espaço da principado com Real Grandeza, já que em frente tem o velho posto de gasolina? abçs e parabéns..

  5. Prezado Rodrigo Rosa,
    Muito obrigada pelo comentário. Quando eu passar pelo largo dos Leões outra vez vou procurar as azaléias, não me lembro de tê-las visto. Muitas construções antigas de Botafogo e Humaitá foram tombadas e outros grupos preservados pela criação da Área de Proteção do Ambiente Cultural dos bairros. Alguma coisa ficou para contar a história da memória urbana do Rio. Muito precisa ser feito!
    Um abraço.
    Andréa

  6. Boa tarde:
    Interessante blog! O encontrei ao procurar pelo conhecido LARGO DOS LEÕES… Pois passava por tal quando menor; até APANHAVA FLORES DE UMA ÁRVORE QUE CONTINHA AZALÉIA que neste existia – nem sei se há tal árvore atualmente.
    Essa parte que engloba BOTAFOGO é bastante bonita. E ANTIGA. Talvez as EDIFICAÇÕES ANTIGAS sejam o destaque da zona.
    E como cidade grande, deveria ter mais infraestrutura: SEGURANÇA/SAÚDE_entre outros. Onde resido há tempos (PORTO ALEGRE)… Necessita e como!
    Até,
    Rodrigo Rosa telicau@gmail.com

  7. Prezado 'Anônimo',
    Obrigada pelo comentário. De fato, penso que perdeu-se oportunidade única. Há mais de 20 anos sugeri também que fosse construída uma praça no terreno do INSS que fica na esquina de Voluntários da Pátria. E conde de Irajá, a Prefeitura gostou da idéia, mas não foi adiante. Há outros artigos no blog sobre o mesmo tema, inclusive sobre a modificação feita pelo Secretário de Urbanismo anterior que acabou com a possibilidade que que um dia surgisse outra área de lazer em frente ao Dona Marta, onde fica um posto de gasolina. Quanto ao terreno do 2o. BPM, há mais: uma nesga voltada para a rua Real Grandeza foi colocada à venda pelo município ( no blog, A NOVA LISTA….). Não acompanhei o que aconteceu depois, mas é muito possível que o mesmo empreendedor tenha comprado. Assim, o empreendimento terá duas frentes. Ab. e se puder, no próximo comentário peço que se identifique.

  8. Prezada Andrea Albuquerque,

    Parabéns pelo seu artigo e lamento tê-lo visto tão tarde. Dou morador da Rua Real Grandeza próximo ao Segundo BPM da Rua São Clemente e não vejo motivo algum para que o Batalhão seja ´´vendido´´ para atender interesse privado, Poderia ser feita uma área de lazer para o público em geral usufruir. Agora o que vemos são todos os tipos de boatos possíveis tais como todas as unidades de empreendimento imobiliário pela João Fortes já terem sido vendidos e que o batalhão em questão será transferido definitivamente para a Rua Álvaro Ramos. Esta venda trará um transtorno enorme para os moradores pois o entorno da área do batalhão ´é rodeada de patrimônios protegidos apesar de terem dado um golpe nas mesmas visto que anteriormente eram áreas consideradas como Patrimônio Público por decreto do Prefeito Cesar Maia na época. Chegamos a fazer uma lista se assinatura de moradores da redondeza com anexos para embargar a venda junto ao Ministério Público mas não sei porque não foi adiante. Procurei a Secretaria de OP do Município mas não obtive nenhuma resposta conclusiva. Quem sabe no futuro onde nada mais poderemos fazer surjam as verdades. Agora só me resta esperar.

  9. Caríssima Arquiteta Andréa Redondo,

    Vou pedir a sua permissão para transcrever aqui um pequeno trecho do Livro "Ergue-se e fala o passado da PMERJ: vol , da autoria de Ferrúcio Fabri que além de escritor e historiador é Coronel da Polícia Militar.
    Surge o Quartel dos Barbonos

    Criado o CORPO DE GUARDAS MUNICIPAIS PERMANENTES – decreto da Regência de 22-outubro-1831 – instala-se ele no convento dos frades carmelitas, antigo Hospício de Jerusalém, também denominado quartel dos granadeiros, visto haver, por algum tempo, agasalhado uma Cia deles.

    Tal aquartelamento implica a saída dos carmelitas. E o convento, onde se alojaram os MUNICIPAIS PERMANENTES, toma a designação de Quartel dos Barbonos.

    A capela de Nossa Senhora das Dores. A subscrição de sete contos de réis (7:000$000), iniciativa do Cel. Assunção

    Posto à testa do comando do CORPO MILITAR DE POLÍCIA DA CORTE em 1870, o Cel. Joaquim Antônio Fernandes de Assunção, num abaixo-assinado entre oficiais e praças, levanta a quantia de 7:000$000, objetivando erguer uma capela consagrada a Nossa Senhora das Dores.

    Com a presença do Imperador D. Pedro II, no comando do Cel. Andrade Pinto – pois Assunção já não estava entre os vivos – inaugura-se a ermida a 29-maio-1881.

    Desde o primeiro dia de sua existência real o Quartel dos Barbonos sempre foi o quartel-central da PM.

    Naquele chão outrora virgem e exuberante, moveram-se os pés descalços dos pobres frades do Hospício dos Barbonos, no cultivo da horta e dos pés de café.

    E as grossas paredes viram, dia e noite, a saída das patrulhas para as ruazinhas estreitas, mergulhadas na tristonha penumbra dos lampiões de azeite.

    Viram, muitas vezes, a cavalo – à frente da tropa – o jovem major Luís Alves de Lima e Silva, mais tarde Duque de Caxias, a quem o grande Império entregaria os destinos da Pátria.

    Viram a partida do 31º de Voluntários para os campos de batalha do Paraguai, e à testa da tropa o bravo coronel Machado da Costa, tombado epicamente em combate.

    Viram a efígie da amizade e da gratidão no corpo de um humilde animal – o cão Bruto – seguindo os seus amigos, oficiais e praças.

    Viram o retorno dos heróis, trazendo ainda, bem vivas, diante dos olhos, as imagens e visões angustiantes das sangrentas batalhas. E o triunfo para o tecido das crônicas gloriosas. E a volta de Bruto, o companheiro certo na paz e na guerra. E a bandeira em farrapos, retrato vivo de recontros furiosos.

    Viram a figura respeitável de D. Pedro II, na sua derradeira visita, talvez já de semblante melancólico, ouvindo nos corredores do tempo as primeiras passadas da República.

    Viram a partida do CORPO MILITAR DE POLÍCIA rumando para o Campo de Santana, fortalecendo as forças imperiais, em defesa da Monarquia, à beira de seu atestado de óbito.

    Sim, velho pátio do Quartel dos Barbonos, o passado da Corporação mora ali. Formaturas, gritos de comando, toques de corneta acordando o Velho Caminho do Desterro, o Campo da Lapa, os Arcos da Carioca. Toques de corneta dentro da noite, angustiando o coração de pobres recrutas de terras distantes.

    Afinal, o passado não é apenas silêncio, senão também presença.

    Como silêncio, ele dorme nas palavras escritas da História da PM. Como presença, ele agarra-se ao vulto triste do Quartel dos Barbonos, que agora lá está, a face escura de servidor cansado erguida no ar.

    Em seu derredor, rugem as vozes agressivas da era atômica. E as forças da evolução ameaçam a cada instante transformá-lo em pó.

    Fonte: FABRI, Ferrúcio. Ergue-se e fala o passado da PMERJ: vol. 1.

    Paulo Fontes-Tenente Coronel PMERJ

  10. Prezado Coronel Wilton,
    Muito obrigada por suas palavras generosas. O Blog nada mais faz do que expressar pontos de vista sobre o que considera bom ou prejudicial ao Rio de Janeiro. Fico satisfeita por encontrar quem compartilhe dessas opiniões.
    Um abraço.
    Andréa Redondo

  11. Cara Arquiteta Andrea, mais uma vez venho agradecer em nome dos veteranos da Gloriosa Policia Militar,mais um momento de defesa em vosso blog, de parte de "nossas coisas", ou seja nossa casa maior, o QGPM, o Forte de Vidigal,o 2 BPM, o antigo guardião de toda Zona Sul e Zona Oeste, alem de guardar durante muitos anos o longínquo Territorio de Fernando de Noronha e o 6 BPM,antigo Quartel Regional do Andarai, obra prima da arquitetura militar funcional, os quais a sanha imobiliaria desenfreada,alicerçada pelo barulho das caixas registradoras, quer colocar por terra, como se por ali não se respirasse historia pura."Non Passaran"

    Muito obrigado, Cel PM Wilton

  12. Uma analise clara, lógica e equilibrada que traz à luz assunto mais do que relevante para o dia a dia dos residentes desta Cidade Patrimônio. Parabéns, Andréa. Que continue usando todo o seu conhecimento e competência, adquirido nos incontáveis anos trabalhados nesta área, para clarear idéias e ofertar informações que o CaRioca, em geral, não tem acesso.

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