A ESFIHA CARIOCA

CrôniCaRioca



 
A ESFIHA DO LARGO DO MACHADO
Foto: Camila Redondo
   Que o Rio de Janeiro é acolhedor, ninguém duvida. A característica brasileira de receber estrangeiros desde os tempos coloniais – pelos mais variados motivos, às vezes nem tão nobres, – prosseguiu ao longo dos séculos com os imigrantes vindos dos quatro cantos do planeta, que povoaram o país com a mistura que todos conhecemos. A cordialidade com que o Brasil recebe os turistas do século XXI, entretanto, talvez seja ampliada no Rio, ou não seria ela a cidade mais simpática do mundo… As heranças diversas, misturadas sabe-se lá com que receitas, criaram iguarias, das quais às primeiras que vêm à cabeça são as portuguesas e as de origem africana, é claro. O que seria de nós sem um belo cozido, colorido, com tudo a que temos direito – não pode faltar o milho – e os doces de ovos da terrinha? Ou os quitutes ensinados pelos escravos, como o vatapá, o pirão, a carne-seca com abóbora, e tudo o que leva leite de coco? Uma paixão!  
COZIDO
Blog M de Mulher
Mas, há uma delícia de outra origem escondida em uma galeria comercial dos anos 1960 e muitos, no Largo do Machado, bairro do Catete: a Galeria Condor. Há quase 40 anos uma verdadeira romaria procura as esfihas e caftas com arroz de lentilha da lojinha, iguarias trazidas por sírios e libaneses para as terras cariocas. Bem, a comida é árabe, mas a loja é administrada por portugueses e os cozinheiros são legítimos brasileiros, nordestinos! Seu Arlindo está sempre lá. Se a gente pede um suco sem gelo e sem açúcar ouve “Manga 200!”. Custei a entender que era 100 + 100 = sem, sem: gelo e açúcar, óbvio!   
CINEMA CONDOR
Blog História do Cinema Brasileiro

Ao longo de várias décadas a galeria mudou muito. O cinema que lhe deu o nome acabou. Virou uma igreja… que também acabou. Muitas atividades comerciais foram substituídas, o que é normal diante das regras do mercado e das transformações urbanas da cidade.

 


CINEMA POLITHEAMA
Também ficava  no Largo do Machado
Blog Topclassic


Nessas mudanças houve um caso muito engraçado, que hoje seria uma atitude legítima em prol do meio ambiente e da reciclagem: o aproveitamento do letreiro de um estabelecimento comercial que ficava na sobreloja. 

Lá funcionava uma sapataria. O letreiro enorme foi criado à imagem e semelhança do nome da loja: sobre o fundo branco pregaram pezinhos estilizados verde-escuro que se sucediam formando um caminho sinuoso. À noite as várias ‘pegadas’ se acendiam, uma atrás da outra. O efeito do pisca-pisca era de um caminhar iluminado, feérico e rápido.
 
O nome da sapataria era ‘Passo a Passo’. 
 
A sapataria acabou e na loja instalaram uma pequena igreja. O dono foi econômico: tirou o nome da sapataria e escreveu “Siga os Passos de Jesus”. Os pezinhos continuaram a iluminar os que procuravam o caminho da salvação.
 

Mais adiante a igreja também acabou. No seu lugar entrou uma loja de meias. Os pezinhos, portanto, foram aproveitados mais uma vez, afinal, no depósito de meias havia meias de todos os tipos para todos os pés!
 

 

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