O JORNAL DE ROUPA NOVA

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CrôniCaRioca
 
 
A equipe do Blog é leitora assídua do periódico nascido no então Distrito Federal. Uns, em verdade, conheceram as primeiras letras do alfabeto – depois do “A”, é claro, com o Pai CaRioca apontando “O”, “G”, “L”… Outros passaram a ter pavor de avião quando, recém-alfabetizados, leram a manchete sobre um terrível acidente na Baía de Guanabara que levou muitas vidas.
 
Havia disputa sobre quem pegaria o jornal primeiro para ler as tirinhas alegres que chamávamos de ‘historinhas’: Pafúncio e Marocas, Brucutu, Fantasma…
 
 

 



Pafúncio e Marocas
Internet

Brucutu
Internet

Devido à longa convivência e, talvez, alguma intimidade, toma-se aqui a liberdade de comentar o novo projeto gráfico do quase centenário jornal carioca. Elogiado por celebridades, personalidades e leitores, nada impede que este Blog também lance seu olhar de fiel leitor.

 
 

Vamos, então, ao que há de melhor:

A primeira página tem estado muito bem no seu papel de chamariz. A montagem é agradável de se ver. O aumento geral das faixas livres brancas entre os ‘tijolos’ trouxe alguma leveza ao conjunto, foi o ponto alto. Toques de cor discretos em colunas e chamadas ficaram interessantes.

Já quanto às outras modificações, como diria um prestigiado colunista, há controvérsias…




Internet

Para a mudança da imagem – que se quis traduzir por melhoria, novidade, desafio, modernidade – aparentemente o instrumento principal para cativar os leitores atuais e atrair novos foi o uso da cor. Muita cor.




Não precisava. Afinal, diz-se que o que atrai o touro não é o vermelho, mas, o movimento do pano. Se o vermelho é a festa, atração para o público, o movimento é o conteúdo. No papel é o que chama, de fato, os leitores, ao texto.
 

Para tanta cor e variedade, há só uma explicação: o jornal quis ter a ‘cara do Rio’: o azul do mar e do céu, o branco das areias, o verde-musgo dos morros arborizados, o cinza das pedras – Pão de Açúcar, Dois Irmãos, Gávea, Papagaio – o verde das árvores e jardins, o amarelo do sol e o laranja do outono; a mistura colorida na roupa, pele e cabelo dos cariocas; os matizes dos biquínis e das antigas barracas de praia; os tons das casas dos subúrbios.

 
Rio de Janeiro Multicolorido
Trendmonitor
A esta equipe palpiteira parece que as doses de cores e tipos de letras foram além do necessário. A leveza conseguida com os espaços claros perde para páginas feericamente coloridas, os gritos dos negritos, e maiúsculas “turbinadas”. Boldsexagerados junto com um arco-íris de imagens competem com propagandas chamativas em uma confusão visual que por vezes camufla a notícia. Os Cadernos perderam a identidade: obrigam a uma procura cansativa no meio do caleidoscópio gráfico que pintou até os classificados! Difícil saber quem é quem!

Talvez por isso as páginas de opinião tenham ido se esconder depois do ‘Rio’. Discretas, estão muito bem e sóbrias como convém aos temas, não importa o lugar. Quem quiser irá encontrá-las.

Mas, como nós humanos temos capacidade de adaptação infinita, quem sabe em breve tudo fique mais fácil e esta CrôniCaRioca terá sido apenas precipitação de quem logo se acostumará…



Copacabana num dia de sol, 2011
Autor: Vera Marina – Da Vinci Galeria de Arte


De qualquer jeito fica aqui a opinião de que menos cor e menos tinta não fariam mal. Ao contrário, economizar pigmentos nesse caso poderia ajudar a resgatar a leveza que o jornal carioca certamente gastou fortunas tentando encontrar, e evitar que o papel do papel vire papel de revista.


Além disso, competir com as cores da cidade seria causa perdida. O Rio é imbatível!

Ah! As fotos dos colunistas em plano americano – à vontade, sorridentes, braços cruzados displicentemente – estão muito simpáticas.

E mais: pai e filho juntos ficaram ótimos no meio da página principal!





O Globo – 1925
Entre as manchetes, ‘A Cidade Esburacada’
globo.com

 

Comentários:

  1. Vê-la discorrer em matizes outras, para além das urbanoarquitetônicas, me remete aos nossos ateliers personalizados, cada qual sintetizando em um nome o seu verdadeiro espírito, que mais, muito mais do que simples espaços projetuais didáticos foram portas e ventanas abertas ao diálogo crítico e a universalização dos nossos sentimentos humanos. Grato por trazer-me à lembrança tão felizes memórias.
    NAP

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