OS CANDIDATOS E A URBE CARIOCA

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Print this page

O Blog divulga alguns pontos abordados pelos candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro em entrevistas concedidas ao jornal O Globo de 10/9 a 14/9/2012. Embora absolutamente tudo diga respeito à cidade e ao cidadão, os itens reproduzidos referem-se a aspectos urbanísticos específicos que já foram tratados neste espaço, tais como transporte público e o uso do solo. A ordem dos pretendentes é cronológica, igual à das publicações.
 
Site Property in Rio
 
 

(Sobre as diferenças em relação ao prefeito)O prefeito vive sob a égide da trilogia asfalto, tijolo e cimento. E, para mim, as pessoas estão em primeiro lugar. Ele está preocupado com o asfalto liso, em fazer UPAs e clínicas da família, sem a responsabilidade de ter a segurança de que os equipamentos vão funcionar para valer. É impressionante, aonde eu vou, as pessoas dizem: “É de fachada.”
(Sobre os transportes) O trânsito no Rio “apaulistizou-se” muito. Seria um absurdo advogar neste momento o rodízio, para ser São Paulo plenamente. A saída está no transporte de massa, de trilho. Em vez do BRT, em que se pretende gastar R$ 1,2 bilhão segregando pista na Avenida Brasil e fortunas em desapropriação, eu gastaria em aquisição de trens em parceria com a SuperVia, em parceria com o Metrô, para permitir uma mobilidade urbana muito melhor. Acho que as vans têm que ser incorporadas, mediante um processo licitatório individual, cada uma com seu roteiro, de fácil fiscalização por conta do GPS, e incorporadas ao Bilhete Único.

(Sobre Olimpíadas e recursos federais)em relação à infraestrutura urbana, alguns pontos merecem alguma alteração. No bojo desse processo, também tem a recuperação da Zona Portuária, de que sou completamente a favor, mas, do ponto de vista de preocupação com o trânsito, sou completamente contra a derrubada da Perimetral. A solução viária proposta é inconsistente do ponto de vista da demanda presente e da demanda futura. Vai se construir muito e adensar aquela região, o que gera um trânsito permanente e regular que vai diminuir a velocidade média. Enfim, acho uma insensatez, até porque isso implica em R$ 1,5 bilhão que poderiam ser aplicados de outra forma na cidade.

(Sobre o principal problema ambiental da cidade) O saneamento ambiental como um todo. É o problema da coleta e do tratamento de esgoto e do lixo.
(Sobre os transportes) Como a questão da saúde, que está invertida, o problema no transporte talvez seja ainda mais grave. A rede de transporte de metrô que existe em Paris, Londres e Nova York foi montada em 1905. Em Nova York, levou cinco anos para fazer metrô. Claro que essa rede se expandiu, mas o centro dessa rede foi montado naquela época e cem anos depois funciona normalmente. O que fazem no Rio é construir uma rede errada, torta, estranha e muito tímida. O número de quilômetros de metrô, é até vergonhoso dizer, não chega a 30 e poucos quilômetros, 50 quilômetros. É uma coisa insignificante. No que o prefeito pode ajudar? É aí que a questão está invertida. Temos 1,5 milhão de carros, 2,5 milhões de pessoas andando de ônibus e, depois, 500 mil no trem e 600 mil no metrô. E detalhe, as vans. Claro, a estrutura não atende as pessoas, ainda mais nessa cidade menos compacta. Pessoas vêm de longe e não têm como se conectar com uma rede tronco. Primeira questão, padecemos de falta de trilho. E a sustentabilidade que defendo tem que ter investimento ousado em trilho. Para ter grandes troncos receptores de outros meios de transporte.
(Sobre remoções) Remoção como política, de jeito nenhum. Só podemos remover de área de risco e situação de inconveniência, e fazer a urbanização de maneira negociada. Quando urbanizar uma favela, tem que criar e abrir vias de acesso. Isso implica, sim, remoções, mas remoções pagas, indenizando os trabalhadores. Mais de 1 milhão de pessoas estão nessa situação. // Sempre protegi o Jardim Botânico dessa loucura. É uma área de preservação ambiental. A diferença é que o Cantagalo nunca foi uma área de preservação ambiental. O Jardim Botânico é três ou quatro vezes protegido, com tombamento, unidade de conservação, patrimônio. Sou a favor de remoções apenas nas áreas de risco e de proteção ambiental.

(Sobre as administrações de Cesar Maia) Não vou negar o meu passado e aquilo que o Cesar Maia acertou e aquilo que acreditamos. Que um legado importante foi abandonado pelo Eduardo, vamos tratar disso.
(Sobre a aprovação automática) Olha, vamos deixar uma questão clara sobre a aprovação automática: a aprovação automática no Rio não acabou. Vou mostrar para vocês como ela não acabou nem no segundo, nem no primeiro ciclo. // Eles mandam uma determinação para os professores que só podem reprovar 8% no primeiro segmento e 16% no segundo.

(Sobre o Transporte) Primeiro, pegaria o dinheiro da Transbrasil e colocaria no trem e no metrô. // A prefeitura de São Paulo colocou. Pegaria esse dinheiro e colocaria parte no trem e parte no metrô. Acredito que, se a gente quer fazer uma cidade grande, de primeiro mundo, não é através de ônibus.

 (Sobre crescimento de favelas e loteamentos irregulares) Voltaria com o Favela-Bairro, que tem essa missão de reorganizar as favelas, criar infraestrutura. Foi um projeto de grande sucesso no Brasil e no mundo. No caso dos loteamentos irregulares, é o processo de regularização que já existe. De forma nenhuma vou estimular expansão de área irregular. O que queremos é, em parceria com o governo federal, ampliar o Minha Casa Minha Vida, mas com a prefeitura cumprindo seu papel. Botar não sei quantas mil moradias no Jesuítas, em Santa Cruz… // Não adianta ficar construindo moradia longe, sem transporte, sem planejamento para ter sala de aula, saúde, porque as pessoas vão voltar para a área degradada anterior.

(Sobre Projetos) Fizemos muita coisa no governo Cesar Maia. Teve um problema depois do Pan-Americano, que concordo. Ali, teve problema no final, talvez de conservação, por causa da falta de recursos. Mas o que o Pan-Americano gerou para o Brasil? As Olimpíadas. Sem o Pan-Americano, pode perguntar ao (Carlos Arthur) Nuzman (presidente do COB) se teríamos Olimpíadas. (Perguntado se o desgaste decorreu do Pan) É o que avalio – que a conservação piorou porque foi preciso alocar recursos; o estado não colocou nenhum, e o governo federal entrou no final. Mas acho que o principal desgaste do Cesar Maia, que tenho em pesquisa, é a Cidade da Música.

 

(Sobre a Cidade da Música) tenho certeza que vai ser um grande equipamento para o Rio de Janeiro nos próximos anos. Infelizmente, ela, mais uma vez, fez parte de uma disputa política. Aliás, em rodas fechadas, os elogios do Eduardo à Cidade da Música não são pequenos. Não só em rodas fechadas, mas no edital que ele publicou nos últimos dias. Está aqui: “a Cidade das Artes representa um marco cultural para toda a cidade. Esse projeto inédito na América Latina foi concebido… etc.” O equipamento de cultura custou quase R$ 600 milhões. O que eu faria com a Cidade da Música? Primeiro, trabalharia com o setor privado, sim, mas não com OS. Tenho certeza que muitas empresas terão interesse em operar a Cidade da Música. Será o melhor equipamento, não da América Latina, mas da América, de cultura.
(Sobre proposta para sustentabilidade e ambiental da cidade)… A coisa mais importante para o Rio é o saneamento da Zona Oeste, que, infelizmente, foi prometido e não foi feito.

(Sobre porque o número de milícias aumentou)Porque não foi tirado deles o território e o braço econômico, que passa pela prefeitura. // … A van tem que ser um transporte complementar. E aí entra uma necessidade de reformular todo o sistema de transporte e o enfrentamento ao poder da Fetranspor (das empresas de ônibus). Temos que refazer a licitação de 2010, que é um escândalo. Quem fez aquela licitação foi a própria Fetranspor, tanto é que impediram qualquer empresa nova de chegar. O Tribunal de Contas está certo, e aliás é tímido, quando diz que há indícios de formação de cartel. // … Outra coisa é que não se pode insistir no modelo rodoviário. A instalação do BRS é uma boa medida e fez com que o custo da empresa de ônibus reduzisse substancialmente. Por que não houve redução do preço da passagem? O BRT é uma boa ideia, mas porque não se fez um estudo para que fosse sobre trilhos? Por que insistir no modelo rodoviário? Por que o Bilhete Único, que é uma boa medida, só vale por duas horas? Por exigência da Fetranspor.
(Sobre as questões imobiliárias) A remoção é um negócio. E, por isso, tem que ser olhada caso a caso. E a Vila Autódromo não tem nada disso. Tem vários casos. E na Zona Portuária. Por que o projeto da Zona Portuária, e eu defendo a revitalização, não tem construção de moradia popular? // … O que está em jogo é uma concepção de cidade. É o que mais me diferencia do Eduardo. Tem um projeto com eixo Zona Sul e Barra da Tijuca envolvendo interesses econômicos extremamente fortes. E outro que pensa a cidade para as pessoas. Uma cidade para os negócios não precisa ser uma cidade distante dos direitos das pessoas.

(Sobre o Autódromo e o Parque Olímpico) Em nenhum momento falamos que vamos manter o autódromo ali, mas é muito grave o Rio de Janeiro ficar sem nenhuma pista de automobilismo. A questão é outra. Parque Olímpico é fundamental, sim. Só que 80% dele, depois das Olimpíadas, vão ser entregues à iniciativa privada. Provavelmente, vão subir espigões que vão incomodar bem menos que a Vila Autódromo. Essa ciranda que acontece com o interesse público é que precisa acabar. Sou amplamente favorável à Olimpíada e à Copa do Mundo. Mas com transparência e espírito público. No autódromo, faria um estudo para comprovar se seria necessária a destruição dele (para construir o Parque Olímpico). Se a destruição fosse necessária, o projeto teria que ser discutido. Não tem audiência pública.
 

(Sobre Agenda de prefeito X agenda de campanha) Estou fazendo um esforço desgraçado para que a campanha não atrapalhe a prefeitura. Sempre toma um tempo. Sempre tira a concentração na tomada de decisões. (Obs.: Na versão final on line este item foi retirado).

(Sobre o Transporte) A grande mudança que houve é a seguinte: a relação hoje das empresas de ônibus é uma relação que se dá em bases contratuais. Ela tem ali deveres e direitos, e nós temos cá os nossos. (…) Não é mais uma coisa no fio do bigode. O reajuste só se dá a partir de uma equação matemática que está no contrato que tem uma cesta de preços, de índices, todas da Fundação Getúlio Vargas. (Obs.: O repórter afirma que já era assim e o prefeito responde que nunca foi).
 (Sobre ocupações irregulares em comunidades) Pela primeira vez na história da cidade, cumprimos a meta de redução do tamanho das ocupações. Não há ocupações novas. (Obs.: O repórter contesta). 
(Sobre ocupações no Jardim Botânico) O meu posicionamento é muito claro. Você quer que eu faça o quê? Que vá lá derrubando? Sei que estão se tomando as medidas necessárias. (Obs.: Quando perguntado pelo repórter se está sendo omisso). 
(Sobre vans e milicianos) Entendo o sistema de van como um sistema complementar. Minha intenção inicial era fazer por modelo de cooperativa para ter gestão sobre o sistema. Infelizmente, o Rio tem uma particularidade: a infiltração desses delinquentes, que não acho que são todos; deve ter alguém de cooperativa que é honesto.
(Sobre a reabertura da Cidade da Música) …definimos um valor para terminar a obra … no final de 2009 e início de 2010 ela foi retomada. Demorou esse tempo todo mesmo porque ela foi inaugurada de maneira fraudulenta. Única coisa que foi inaugurada foi a Grande Sala. Ficou pronta agora. Eu acho aquele equipamento mal localizado, inoportuno, mas o fato é que ali tem dinheiro do povo. Então, a gente tinha obrigação de terminar. A gente publicou uma licitação usando o modelo de Organização Social (OS). Vai ser este ano. Mas reabertura não, é abertura. Estou até pensando em colocar uma placa com o meu nome lá.
(Sobre desordem urbana) O prefeito ressaltou a importância da criação da secretaria de Ordem Pública, das operações Choque de Ordem e a implantação das Unidades de Ordem Pública (UOP), com priorização dos corredores turísticos. — Não virou Lausanne nem vai virar, nem está no ponto em que a gente quer. (Obs.: Na versão final on line este item foi retirado).

 

COMENTÁRIOS DO BLOG

 
1.    Ao prefeito em exercício, candidato à reeleição, não foi feita uma única pergunta a respeito das dezenas de leis urbanísticas aprovadas em sua gestão, nem sobre as decisões em relação às obras de urbanização e modelos propostos para a Zona Portuária e Parque Olímpico, ou sobre a demolição do Velódromo; tampouco sobre opção pelo BRT em vez de ‘somar forças’ para construir o Metrô em rede; também não foi questionado o abandono da Cidade da Música durante 4 anos.

     Não se tratou do aumento de parâmetros urbanísticos (potencial construtivo dos terrenos), em especial nas áreas mais nobres da cidade, que foi a marca de sua administração. O assunto mais destacado foi o Carnaval. 

2.    O Urbe CaRioca não listou os trechos que trataram da importantíssimas áreas de Saúde e Educação: mencionam as polêmicas sobre as OS e a aprovação automática e podem – e devem – ser lidos através dos links para cada entrevista, que estão nos nomes dos candidatos. 

3.    O mesmo jornal tem publicado uma série interessante demonstrando quais as promessas dos candidatos que não têm condição de serem cumpridas.
 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *