A SERRINHA ZIGUEZAGUE E O MIRANTE DO ALBUQUERQUE

CrôniCaRioca Andréa Albuquerque G. Redondo

No texto PAIS CARIOCAS, uma CrôniCaRioca em homenagem ao Dia dos Pais, o Blog contou sobre um passeio de carro que, em determinado trecho, assustava as crianças. Era uma serrinha em ziguezague que o Ford 1950 subia bem devagar, carregando suas 1,5 toneladas mais os passageiros, a cada curva pairando a dúvida, “Será que vai”? 



Ford 1950 – Crestliner
Imagem: Legacy Motors

O trecho dizia:


…o que faria depois de curtir a família? Um passeio pela cidade, é claro! Desta vez eu  … o levaria Rio afora.
Acho que estranharia o Metrô lotado e os engarrafamentos diários. Gostaria dos edifícios construídos na Cidade Nova e na Avenida Chile. Não reconheceria a Barra da Tijuca e Jacarepaguá com tantas construções, sem a areia e as mangueiras, mas gostaria de chegar a Guaratiba mais depressa, sem precisar subir a serrinha em ziguezague* que nos dava tanto medo, parecia que o Ford ia despencar!



Graças às mágicas da internet e do Google Maps, a serrinha apareceu! Os olhos do satélite a encontraram e eu também! É um trecho da antiga Estrada da Grota Funda que ligava o Recreio dos Bandeirantes aos bairros de Barra de Guaratiba, Guaratiba e Pedra de Guaratiba, todos na XXVI Região Administrativa do Rio, que se chama… Guaratiba!



Antiga Estrada da Grota Funda
O primeiro trecho, desativado, é a
 Serrinha em “Ziguezague”.
Na imagem a subida está à esquerda da Avenida das Américas em frente ao entroncamento desta com a Estrada dos Bandeirantes. Provavelmente era a continuação da Estrada dos Bandeirantes.
























Vale explicar.


A estrada sinuosa que liga o Recreio “às Guaratibas” é o prolongamento da Avenida das Américas, que começa no Canal de Marapendi, ainda no início da Barra da Tijuca. O trecho mais recente, que atravessa a Serra da Grota Funda depois da enorme reta ao longo da Barra e do Recreio, foi construído na década de 1970. Nos passeios de PAIS CARIOCAS – início dos anos 1960 -, para chegar a Guaratiba via Zona Sul ou Jacarepaguá o caminho era feito pela antiga estrada da Grota Funda, que também cruzava as montanhas e foi substituída pela continuação da ‘Américas’.


Fomos lá conferir, e ela, antes perdida no mato, estava agora ‘achada’!


A SERRINHA ZIGUEZAGUE
Final do Recreio dos Bandeirantes – Serra da Grota Funda
Foto:  Urbe CaRioca


A Avenida das Américas cortou a antiga estrada ao meio, bem no cocoruto. A primeira parte praticamente desaparecida é a Serrinha Ziguezague, em subida  para quem segue até Guaratiba: as curvas fechadíssimas se parecem mais com ângulos agudos. A mancha do que foi uma via ainda é visível, de longe. Não encontramos a entrada, mas ela pode estar ainda por lá. Achamos a saída, no alto do morro, o que foi confirmado por um senhor que estava por perto: “Isto foi um caminho, minha filha, há 30 anos”…, com certa nostalgia na voz.



Estrada da Grota Funda
A Serrinha em “Ziguezague” – O trecho em aclive começa no entroncamento da Avenida das Américas com a Estrada dos Bandeirantes e prossegue  até encontrar novamente a Avenida das Américas, que, nos anos 1970,  cortou a Estrada da Grota Funda e a dividiu em duas partes.




O início da segunda parte está lá, bem visível e acessível, à direita da pista. Já em descida, segue até a Estrada da Ilha e é usada por moradores: ‘Ilha’ é como é conhecido um trecho de Guaratiba – que não é uma ilha – região onde ficam inúmeras chácaras de plantas ornamentais e que, segundo consta, tem esse nome devido a um antigo proprietário, o Sr. William, que acabou virando… ‘Sr. Ilha”!


Quanto à “Serrinha”, hoje é caminho só para ciclistas radicais, note-se, morro abaixo! E pensar que o Ford 50 enfrentava o trajeto-pirambeira, morro acima!




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ARTIGO: PARA QUE SERVEM CONSELHOS POPULARES? por Canagé Vilhena

Blog Brasil e Cidadania Ativa

O Urbe CaRioca publica artigo do arquiteto Canagé Vilhena, muito oportuno nestes tempos de decisões que têm modificado substancialmente os parâmetros urbanísticos que regem o uso do solo urbano carioca – o aumento de gabaritos de altura; alterações no traçado de ruas existentes; supressão de vias projetadas; desapropriações para a construção de vias expressas e redução de faixas de rolamento em detrimento do transporte sobre trilhos; extensão da Linha 1 do Metrô mentirosamente chamada de Linha 4; o abandono da Linha 2 e da verdadeira Linha 4; a venda de áreas públicas, próprios municipais e estaduais; aumento exacerbado do tamanho dos hotéis; benesses urbanísticas especiais para terrenos específicos; a mutilação da APA Marapendi; e a proposta de garantir eternamente áreas de construção  a serem transferidas para Barra da Tijuca e Recreio com a permissão de acréscimo de andares aos previstos pelo Plano Piloto de Lúcio Costa – , tudo permeado pela ausência de debates públicos substanciais. 

Boa leitura!


PARA QUE SERVEM CONSELHOS POPULARES?

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APA MARAPENDI: CAMPO DE GOLFE, UM VÍDEO DE INTERESSE

Barra News
Dentre os quatro artigos aqui publicados sobre o segundo PACOTE OLÍMPICO – novo conjunto de propostas para mudar leis urbanísticas enviadas pelo Poder Executivo aos vereadores – , a mais acessada até aqui foi PACOTE OLÍMPICO 2 – O CAMPO DE GOLFE E A APA MARAPENDI. =&2=&

ARTIGOS: Construir sem Predação, Jornal O Globo / Decisões sem Discussão, Bruno Miragaya

Pacote Olímpico 1
Zona Portuária, Gabaritos de Altura, Hotéis, Isenções de Impostos
Imagem: Internet
Nas duas últimas semanas este Blog publicou uma série de artigos sobre as novas propostas de leis urbanísticas enviadas pelo Executivo à Câmara de Vereadores, mais uma vez propostas que aumentam o potencial construtivo de muitos terrenos na cidade, mais uma vez com a alegação de ‘necessidade’ diante dos grandes eventos mundiais que o Rio de Janeiro receberá. Para quem não teve a oportunidade de conhecer, os textos foram:

A SEMANA – 19/11/2012 a 23/11/2012

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Concurso para o Campo de Golfe, lançado meses atrás, já indica
a área aumentada sobre a Reserva Ambiental, conforme proposta
enviada à Câmara de Vereadores apenas há cerca de 10 dias.

Imagem: Internet

Notícia O Globo: Projeto de Paes muda parâmetros ambientais para
setor privado construir campo de golfe na Barra


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PACOTE OLÍMPICO 2 – APA MARAPENDI: O “PARQUE” E AS BENESSES URBANÍSTICAS.

Parque criado por decreto em 2011
PARA ENTENDER

Este Blog publicou três textos sobre o novo ‘PACOTE OLÍMPICO’, propostas de leis urbanísticas enviadas à Câmara de Vereadores ao apagar das luzes do mandato legislativo em curso: O PACOTE OLÍMPICO 2 E A ZONA PORTUÁRIAPACOTE OLÍMPICO 2 – O CAMPO DE GOLFE E A APA MARAPENDI;PACOTE OLÍMPICO 2 – O HOTEL HYATT E A APA MARAPENDI, temas contidos no projeto de lei complementar PLC nº 113/2012.
A segunda proposta – o PLC nº 114/2012 – consiste em instituir uma Operação Urbana Consorciada –OUC* na =&3=&: prevê a transferência de potencial construtivo de terrenos situados na orla marítima da Reserva, para outros locais.
Isto significa que construções hipotéticas jamais erguidas e sequer licenciadas serão transformadas em uma espécie de cupom, um título equivalente a metros quadrados que poderão ser negociados e transformados em áreas de construção, acrescidas fisicamente aos volumes máximos hoje permitidos na Barra da Tijuca, Jacarepaguá e região das ‘Vargens’.

APA Marapendi e Parque Marapendi
Imagem: Custódio Coimbra


O argumento usado é a implantação de parque criado por decreto em 2011, na APA, em frente à chamada Praia da Reserva, proibindo ali novas construções. A Prefeitura alega que as leis a caminho trarão um benefício para a cidade – o novo ‘parque’. A conferir!






Cabe aqui lembrar que a APA Marapendi já contém o Parque Natural Municipal Marapendi e que, curiosamente, o novo ‘parque’ fica em local submetido a leis de proteção do Meio Ambiente, normas que continham salvaguarda significativa. As restrições diminuíram ao ser promulgada uma lei perniciosa que aumentou o potencial construtivo, em 2005!

Por outro lado, se o nome dado à área em 2011 – Parque Natural Municipal da Barra da Tijuca  – confunde a todos, o ato que o criou não se confundiu: a delimitação cuidou de desviar-se do futuro complexo Hyatt, que com ele faz divisa.

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MANGUINHOS X GE – DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

Projeto Centro de Pesquisas da GE na Cidade Universitária
Ilha do Fundão – o trecho originalmente compreendia a Ilha de Bom Jesus.
Imagem: Época Negócios
=&0=& Há alguns meses a imprensa noticiava diariamente o caso da cessão de uso de um terreno situado na Ilha do Fundão à empresa General Electric – GE, para construção e implantação de um Centro de Pesquisas. Para tanto foi estabelecido um termo de compromisso entre o Estado do Rio de Janeiro, o Município do Rio de Janeiro e a GE. =&1=&

PACOTE OLÍMPICO 2 – O HOTEL HYATT E A APA MARAPENDI

Internet
 PARA ENTENDER


O terreno onde será construído um hotel da Rede Hyatt é objeto de desejo pelo menos há 20 anos. Fica na Av. Sernambetiba, após a Av. Ayrton Senna e os edifícios ali existentes, na Barra da Tijuca.

Com o Plano Piloto para a Baixada de Jacarepaguá, em 1976, o terreno recebeu índices construtivos baixíssimos, classificado como subzona A-19, área de Reserva Biológica protegida na década de 1950 que margeia e envolve a Lagoa de Marapendi. Quando a região foi transformada em APA em 1993 (v. =&1=&OLÍMPICO 2 – O CAMPO DE GOLFE E A APA MARAPENDI), a APA recebeu índices construtivos ainda baixos, semelhantes aos existentes, e foi definido um Zoneamento Ambiental, passando a ser possível o uso de hotel em terrenos com 200 mil m², no mínimo. O trecho em questão não foi incluído, permanecendo sua ocupação igual à prevista no Plano Piloto, com 1 andar, e proibido o uso de hotel.


Em 2005 o potencial construtivo de toda a subzona aumentou significativamente com a aprovação de uma lei, pelos vereadores, que abrangeu o terreno do Hyatt. Para este imóvel específico os índices foram especialmente generosos.=&4=& considera que pode haver incompatibilidade entre o destino do terreno e as normas vigentes, exatamente porque pertence a uma APA, conforme sugere o texto de uma das leis nas quais a aprovação se baseou.

2005 – A LEI QUE QUASE SATISFEZ

APA MARAPENDI, BARRA DA TIJUCA, RIO DE JANEIRO

Com o Plano Piloto, apenas restaurantes, clubes, casas de chá… e 1 andar acima da rua (com aproveitamento do desnível até a lagoa); residências e hotéis eram proibidos. Em 1993, com o Zoneamento Ambiental, hotéis passaram a ser permitidos na APA – a subzona A-19 – desde que em terrenos com o mínimo de 200mil m2, exceto no trecho hoje de propriedade do Hyatt onde, então, a proibição ainda prevalecia, como citado.

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