ANTIGO MUSEU DO ÍNDIO – 3: PATRIMÔNIO CULTURAL DO RIO / POST ANTERIOR SEM RESPOSTA

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Print this page

A construção é de 1862.



Imagem: CAU BARATA

Fotos como esta circulam pela internet. Encantam quem as vê. Estão em livros lindos que lotam as livrarias ou enfeitam as nossas casas. A reação geral é invariavelmente a mesma: como nossa cidade era linda! Arquitetos e urbanistas dizem ‘a escala era humana’, expressão fora do dicionário, compreensível se compararmos o caminhar em ruas estreitas ladeadas com prédios de 3 ou 30 andares; ou o Jardim Oceânico com a Avenida das Américas.


A cidade não pode parar de crescer… (?). Em alguns casos pode. L. F. Janot e S. Magalhães explicaram em artigos publicados no jornal O Globo (OG) que a cidade deve crescer para dentro, e analisaram a importância da urbanidade no nosso cotidiano.

Na Itália há proibições de expansão urbana. Mais: proprietários podem escolher a cor de suas casas… entre quatro possibilidades oferecidas pela ‘Comissione Edilizia‘, órgão público correspondente na prefeitura de lá, ‘La Comune‘!

Quando acontece algo semelhante no Rio de Janeiro, logo ‘direitos’ são invocados: de construir, de usufruir da propriedade como quiserem, sem restrições… Direitos que julgam estar acima de tudo.


Lagoa de Marapendi, APA e Parque Marapendi
Barra da Tijuca, Baixada de Jacarepaguá

Custódio Coimbra – Internet



Pior é quando o próprio governo se encarrega de promovê-los, como acontecerá na APA Marapendi, com a aprovação do PLC 114/2012; ou no caso de áreas públicas – vide o Parque do Flamengo, onde a Marina da Glória, está prestes a receber um shopping-center e um Centro de Convenções; ou o futuro de Guaratiba, com lei a caminho promotora de nova expansão urbana. 



Também a caminho está outro bota-abaixo perfeitamente evitável: o prédio do antigo Museu do Índio, o Parque Aquático Júlio Delamare e o Estádio de Atletismo Célio de Barros, dinheiro público literalmente rasgado, e parte da memória urbana deliberadamente posta ao chão, sem justificativas ou explicações convincentes. Os temas foram tratados pelo blog em:

ANTIGO MUSEU DO ÍNDIO: PARECER CONTRÁRIO À DEMOLIÇÃO;
ANTIGO MUSEU DO ÍNDIO – 2: POR QUE DEMOLIR?;
AI! QUE A MARINA DA GLÓRIA VOLTOU!;
e em A CIDADE CRESCE PARA… GUARATIBA.

Imagem: Alex Uchoa


Montagem:  Blog Minha Rua


Se a cidade tem mudado, os conceitos urbanísticos sobre ela, também o têm. As demolições de Pereira Passos feitas em nome da modernidade e da salubridade – que também abriram espaço à renovação urbana, é claro – e outras tantas reformas, talvez acontecessem hoje em outros moldes.



Ou alguém, no século XXI, derrubaria as construções da Avenida Rio Branco de ponta a ponta? Ou o Morro do Castelo e com ele os primórdios da História Urbana do Rio? Ou o Palácio Monroe? 


Os governantes não mais têm esses direitos absolutos. O mandato popular não é uma procuração sem limites. Hoje a sociedade tem voz para ser ouvida, analisada, e rebatida – se for o caso -, no mínimo com argumentos consistentes. Um estacionamento para o Maracanã não desculpa reduzir a pó o nosso patrimônio histórico, um prédio centenário considerado de interesse para o patrimônio cultural do Rio pelo órgão municipal responsável.

DEPOIMENTO TERESA SEIBLITZ
JB On Line, 22/01/2012 

Aos depoimentos divulgados ontem, acrescentamos o de Teresa Seiblitz – que destaca a arquitetura do local -, e convida prefeito, governador e o empresário Eike Batista a visitarem o lugar. A matéria  jornalística está no Jornal do Brasil On Line.

Aos governantes da terra carioca e fluminense, mais ainda: exemplo de um prédio que estava ‘caindo aos pedaços’ e foi recuperado. Do outro lado da Baía de Guanabara. Em Niterói.


A construção é de 1862.


piniweb.com
Inaugurado em dezembro de 2012, o Museu Janete Costa de Arte Popular homenageia a
arquiteta que pesquisava sobre arte popular
Divulgação: Museu Janete Costa – Imagem: piniweb.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *