OS BICHOS INVADIRAM O MEU QUARTO!

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CRÔNICARIOCA

Andréa A. G. Redondo

Foto: JB
Um… Dois… Quatro… Meia dúzia.

Eles chegaram sorrateiramente, pareciam uns micro-besouros ou mini-joaninhas. 

Voavam, mas preferiam ficar quietos, no alto das paredes, no teto, quem sabe me observando? Não dei muita bola até que começaram a passear em cima da cama, sentei em um deles sem querer e o danado, vingativo, me mordeu.

Quinze… Vinte… Ai, Meu Deus! O que serão essas nano coisas caminhantes e voadoras?

Depois que um me acordou de madrugada com uma picada no rosto, decidi telefonar para “um especialista”.

_ “Como são os bichos, senhora?”.

_ “Besouros anões ou pulgas gigantes, não sei dizer”.

_ “Na sua rua tem árvores? Hummm tem. Então a senhora espera uns dias que pode ser a época, logo passa”.

Vinte e cinco… Trinta… Cada dia tinha mais.

_ “Moço, não passou e os bichos só aumentam, quero dizer, de número, não o tamanho, não crescem, estão sempre iguais”.

Quando ele chegou disse logo que era broca. Mostrei a porta do banheiro que soltava um pozinho.



Blog 4.bp
_ “Grande possibilidade! Mas podem estar em outro lugar. Móveis, armários. Vamos fazer um tratamento na porta, se eles não sumirem, vamos investigar! A sra. quer dedetizar o apartamento contra formigas? Ah! Só tem na cozinha? Vamos fazer na casa toda, tem que ser, é melhor, formiga anda em todo o lugar! Enquanto o orçamento não chega a sra. pulveriza o quarto com inseticida e deixa fechado durante duas horas”.





Quarenta…

Seguimos a sugestão do profissional e uns trinta deram adeus a este mundo cruel. Até que chegou o exterminador do futuro, não o Schwarzenegger que virou governador, o que veio exterminar o futuro dos bichos, das formigas, e das minhas noites impossíveis.

_ “O que o sr. vai fazer primeiro, envenenar a porta ou o apartamento?”.

_ “Vim acabar com as formigas”.


_ “Mas o principal é a porta, moço! As formigas nem incomodam! Acabar com a pobrezinhas, que só trabalham, foi ideia de vocês!”.


_ “Moça, está na ficha: formigas. Então eu telefono depois para remarcar”. E foi embora.



PICA-PAU E AS FORMIGAS DE MARTE
(basta ver o primeiro minuto e depois a partir do 4º minuto)
Youtube




No desespero, não sei se por força das memórias de infância (quem viu o Pica-Pau e as Formigas de Marte?), fomos à caça munidos de uma escada e um rolo de fita-crepe – a escada porque eles, como já se sabe, ficavam no alto das paredes e no teto, a fita crepe porque, esperando a hora de atacar, inocentes e nem tão sabidos assim, não fugiam à nossa aproximação. Eram colados, um a um, na arma letal.

Foram dias seguidos – o moço nada de telefonar – até que vimos dentro do armário um montinho estranho que parecia um formigueiro.



O triste fim dos invasores usurpadores da paz alheia.
Foto: JA


Bingo!


Os bichos saídos não sei de onde, da porta, das árvores ou dali mesmo, comeram o recheio de um travesseirinho natureba com cheiro de mato, usado aquecido sobre a nuca para relaxar e ficar ‘zen’. Que ironia, o artefato calmante trouxera… irritação!

Trinta… Vinte…

Mais uns dias de fita-crepe.

Quinze… Dez… Peraí, tem dois juntinhos ali, e se procriarem? Fita neles!

Cinco… Três…

Zero!!!!!

Finalmente!

O moço não telefonou até hoje. As formigas cariocas estão a salvo!

E as Boas Noites!

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