ZERO, DOZE, QUARENTA E DOIS METROS – A TORRE DO BNDES

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Print this page

Que Deus guarde o nosso chão,

Ou o que virá depois?

Divulgando o poema,

Não me omito. Somos dois?

Final do 2º Poema da Especulação Imobiliária



Em junho do ano passado publicamos o poeminha copiado abaixo, primeiro de uma série de quatro. Um dos itens apontados era a proposta para construir um prédio com 42.00 m de altura ao lado da torre do BNDES, terreno inapropriado para edificações considerado inicialmente “non-aedificandi” – na época do plano de massa para a esplanada de Santo Antônio, definido para a área resultante do desmonte do morro de mesmo nome.


br.freepick.com


Aliás, será que os órgãos de Patrimônio Cultural da Prefeitura e União se pronunciaram a respeito do projeto de lei? Bem, em tempos de Marina da Glória, torre na Lapa, Maracanã mutilado, QG da Polícia Militar que irá abaixo… talvez seja melhor nem perguntar… Quem sabe eles aumentam a altura ainda mais!

O ‘terrreno’ é de fato uma pequena área em aclive acentuado, um talude sobra do morro histórico, e compunha a área livre em volta dos prédios do próprio banco de desenvolvimento e do antigo BNH, do lado oposto na mesma Avenida República do Paraguai. Para resolver uma questão administrativa, em 1994 lei urbanística permitiu construir ali com altura de 12.00 m, na prática uma solução jurídica e que não atrairia  candidatos a ocupar o lugar – entorno de bem tombado -, que de fato, continuou livre até hoje.


À parte questões de gosto ou desgosto pelo plano de volumetria para a Esplanada de Santo Antônio ou pelos projetos arquitetônicos, é fato que a força das torres ali construídas – Petrobrás, BNDES, antigo BNH, e os prédios mais novos – está exatamente no espaço livre que as contorna, generoso, pode-se dizer.

Infelizmente, em continuidade ao furor urbano-legislativo-carioca que assola o Rio de Janeiro há mais de 4 anos, os Vereadores aprovaram o projeto de lei do prefeito que muda a norma urbanística especificamente para o terreno, onde será erguido um novo prédio, o que traz uma indagação: por que não liberar todos os espaços para novos edifícios entre as torres, também áreas non-aedificandi, criando-se um paredão contínuo igual ao das Avenidas Rio Branco e Atlântica? Conceitualmente seria a mesma coisa…


Nas imagens que ilustram o poeminha – o primeiro de uma série de quatro, a montagem do resultado na paisagem, feita em reportagem do jornal O Globo.


E o Blog preocupado com trambolhos de lona na beira da Lagoa…

 VENDO O RIO


Vendo o Rio, Especulo,
Preservar ficou lá atrás.
Só aumento o gabarito,
Leva aquele que der mais!



Enchente de Vargem Grande, abril 2010
www.enchentedavargemrande.fotosblogue.com



É lei torta, não importa

Nem importa o lugar.
Vargem Grande e Pequena
O que vale é arrecadar!



Construção é bom negócio,
Centro, Barra e Camorim.
É a vez do Catumbi,
Vendo o Rio até o fim!


Torre para Eletrobrás, LAPA, Rio de Janeiro
www.blogdogaviao.blogspot.com.br



Morro de Santo Antônio
Talude remanescente
do desmonte
Reportagem Jornal O Globo


Torre para BNDES
Reportagem Jornal O Globo


Penso, escrevo, assino já,
Todo dia tem benesse. 
Charco, morro, alagado,
Eletrobrás, BNDES.


Deixo logo publicado,
Não importa o MP.
Protegido ou tombado,
Vale a pena oferecer!


Dou a praça e acho graça,
Não importa a Lei Maior.
Fiz de morto, dei o Porto,
Dei a Lapa sem ter dó.


Afinal, nada aparece,
O mal surge devagar.
Adiante já vou longe,
Não dá mais prá consertar.

LAPA
Imagem – www.defender.org.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *