MÃES CARIOCAS, RAINHAS POR UM DIA!

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Acho que era um concurso. Para ganhar o prêmio seria necessário descrever um episódio feliz passado no Dia das Mães. Junto com a mãe, é claro. A chamada ativou lembranças. Concorrerá, é claro, quem ainda tem a mãe por perto, esta felicidade! Mas, se eu participasse, qual seria a resposta mais fiel?


O dia que busco está guardado em algum lugar das memórias… Escolher uma data, uma passagem, que difícil! Por outro lado, o privilégio ter tantas lembranças felizes!



Dia das Mães, 1961
Foto de família

Melhor contar como os Dias das Mães eram divertidos!


Pensando bem, a diversão só vinha depois das brigas e confusões para decidir onde seria a reunião – quando o monopólio da Mãe CaRioca  deu lugar à alternância entre as casas da nova geração; depois das montagens de cardápios, sempre comidas deliciosas, caprichadas, especiais, de vez em quando, um prato meio esquisito, imediatamente surgiam narizes torcidos; depois das reclamações de quem queria ficar na praia até tarde em algum domingo lindo de maio com céu azul e a temperatura perfeita e, que coisa, tem “Almoço de Mãe!”; depois das eternas reclamações de quem repetia todo ano que a data era só para aquecer o comércio, que besteira!



Ah! E os presentes! Ora surpresas, ora ‘combinados’ previamente de comum acordo com algumas das mães, mas sempre um sucesso.

A Mãe CaRioca, festeira, criou um ritual. Ou será que foi o Pai CaRioca? Não dá para saber.


Toda mãe é uma Rainha.



Dia das Mães era o dia de confirmar a tese cultivada desde a infância. O Pai comprou uma espécie de diadema que eu achava lindo. E entre os pratos principais e a sobremesa, as crianças sumiam para reaparecer na sala, em seguida, cantando uma canção aprendida no colégio, ou alguma música do Carequinha, o querido palhaço de um programa infantil de televisão obrigatório na época.



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A mais nova levava uma almofada nas mãos, feito uma bandeja, com a ‘Coroa’ de ‘pedras preciosas’. A Mãe era devidamente coroada entre muitos beijos e risos, antes de receber os presentes.

Engraçado, curioso, brega, não sei quantos adjetivos caberiam à nossa Cerimônia de Coroação. Mas, uma coisa é certa: os encontros são o primeiro passo para promover a união e, assim, a data “comercial” servia para incentivar a reunião da família que acabava sendo uma ‘curtição’!


Com o tempo novas mães surgiram e a ‘coroação’ passou a ser dupla, tripla, quádrupla… Foram muitas as cabeças coroadas!


Dia das Mães, 1962
Foto de família



O tempo passou mais ainda, mães se foram e a coroa se perdeu. Só fisicamente, não na memória. Nas lembranças ficaram os momentos felizes que muitas vezes tentamos repetir. Conseguimos, não todos os anos, mas seguimos tentando, pois os encontros são necessários. Se darão certo é outra história, mas se não acontecerem, nada acontecerá mesmo! Nem as brigas!

Se eu participasse do concurso saberia dizer qual o momento mais feliz de todos aqueles domingos especiais. Para ela, receber a coroa, os presentes, os beijos e os abraços. Para mim, reconhecer o brilho naqueles olhos muito azuis, a luz que aparece quando a pessoa se sente genuinamente feliz.







Aos que puderem, não deixem de coroar as ‘suas coroas’ no próximo domingo. Podem até fazer uma faixa igual às dos presidentes e das misses – cruzes, que coisa antiga e cafona! -, de tecido, papel, ou cartolina. Escrevam: “A Melhor Mãe do Mundo”. E podem ainda recortar uma coroa de papel dourado. Elas vão adorar!



Feliz Dia das Mães!



Dia das Mães, 1963
Foto de família


  1. Minha queridoca,
    Você estava especialmente inspirada, sua crônica ficou linda e comovente. E você é uma pessoa privilegiada por ter lembranças tão especiais e maravilhosas. Beijo grande. Sua bidindinha

  2. Lindo, Andrea, muito lindo mesmo, é muito bom ter estes exemplos e poder passá-los aos nossos filhos. amei seu texto. Um grande abraço e o desejo de um dia de rainha pra voce junto com a sua familia. beijos Vera Regina

  3. Minha prima querida, quanta lembrança, quantos sentimentos; só você mesmo para escrever de forma tão elegante, direta e delicada. Lembro os dias das Mães que passamos juntos, e eu não poderia, de jeito algum, representa-los de melhor forma. Obrigado, foi ótimo ler sua crônica. Beijo. Seu primo Adelcio

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