O PAPA NA URBE CARIOCA

=&0=&=&1=&=&2=& =&3=& Andréa Albuquerque G. Redondo
Papa Francisco
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Católico, ateu, agnóstico, outra religião, tanto faz.
Impossível é deixar de emocionar-se ou, ao menos, impressionar-se com a comoção causada pela visita do Papa Francisco ao Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude, que acontece aqui graças a Bento XVI, devemos lembrar.

Problemas, falhas? Sim, muitos, visíveis todos os dias. Os naturais transtornos para quem vive Réveillons e Carnaval eram esperados. Trânsito caótico, falta de segurança, falta de transporte e engarrafamentos que no Rio são crônicos, pioram…. Pane no Metrô e horas para conseguir o kit-peregrino são inadmissíveis. Leia mais

DEMOLIÇÕES 2 – RENOVAÇÃO URBANA E A ‘CIDADE INFORMAL’

Em 19/07 o post 19 DEMOLIÇÕES, O NOVO NO LUGAR DO EXISTENTE E O PATRIMÔNIO CULTURAL CARIOCA relacionou, entre outros aspectos, a renovação urbana e o adensamento populacional exacerbados pelos incentivos à construção civil. Dizia:

“As demolições de imóveis na cidade com vistas à renovação urbana são o melhor indicador do adensamento populacional efetivo a que determinados bairros da cidade estão sujeitos, considerando-se que, invariavelmente, as construções existentes são substituídas por outras de maior porte (…)” e “Não se aborda neste texto o caso da cidade informal, que cresce sem controle, nem os incentivos à ocupação de áreas vazias, como é o caso da Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, região das Vargens e, em breve, Guaratiba”.

Coincidentemente, dois dias depois o jornal O Globo publicou matéria sobre o crescimento do número de imóveis na favela Rio das Pedras, de 69% em dez anos. Como no resto da cidade, além da expansão territorial, lá o adensamento também se dá pela ‘renovação urbana’, isto é, pela substituição de construções existentes por outras maiores, o que não é privilégio desse local: a favela da Rocinha teve um prédio com 11 andares… Do mesmo modo, nas áreas ocupadas irregularmente e incorporadas à urbe carioca, a construção de prédios habitacionais e comerciais – lojas, escritórios e até hotéis –, não mais corresponde à fabricação da casa feita pelas mãos de cada família para resolver a função primordial do morar. Sabidamente, a maioria das construções serve a negócios imobiliários.

Sob a ótica estrita da construção civil há semelhanças entre o que ocorre nos bairros oficiais e aquelas áreas.


O PARQUE OLÍMPICO – BENESSES NAS ALTURAS

 

  Nos primeiros as construções são aprovadas com base em leis urbanísticas que, invariavelmente, incentivam a renovação e a expansão da malha urbana construída. As Áreas de Proteção do Ambiente Cultural – APAC são uma exceção. As normas legais pressupõem a existência de infraestrutura necessária para atender aos novos habitantes – transportes, saneamento, equipamentos urbanos públicos, etc. Na prática, a concessão de licenças de obras se dá mesmo que aquela condição fundamental inexista ou seja precária. É exemplo o adensamento dos bairros da Freguesia e vizinhança, tratado neste espaço em três artigos. No segundo caso o processo construção/substituição acontece espontaneamente e à margem das normas, seja pela omissão deliberada dos gestores públicos ou, simplesmente, pela impossibilidade de fiscalizar tantos territórios gigantescos onde a dificuldade de acesso e problemas relacionados à falta de segurança o impedem. Informações da matéria citada confirmam o que se percebe há décadas: a expansão é contínua.   Cabe lembrar que várias favelas, agora chamadas comunidades, foram alçadas oficialmente à categoria de bairros e dispõem de regras de construção estabelecidas, muito embora não se tenha notícia sobre licenciamento, fiscalização e multas por obras irregulares. Para as metas de arrecadação traçadas pela Prefeitura certamente essas regiões também não estão no mapa. E nem poderiam, pois a presença do Estado é incipiente em todos os sentidos. Ainda assim, em visão peculiar pode-se dizer que há paridade entre o que se convencionou chamar de “cidades formal e informal”: o empreendedorismo ligado ao espírito mercantil.
 
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As iniciativas dos empresários do mercado imobiliário que atuam na primeira contam com índices urbanísticos especiais, leis que regulam obras ilegais como a ‘mais valia’ e, recentemente, a ‘mais valerá’ (!), perdão de dívidas, benefícios fiscais e até a vergonhosa doação de área pública para um Campo de Golfe! Leia mais

Artigo: PREFEITO DO RIO PRETENDE DEFINIR PARÂMETROS EDILÍCIOS PARA PARQUE PÚBLICO! , de Sonia Rabello

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NÃO ENTENDERAM. Foi o título do artigo do jornalista Merval Pereira publicado no jornal O Globo no dia 04 último.
Na mesma data Everardo Maciel nos brindou com artigo O ESTADO NÃO ENTENDEU AS RUAS, publicado no Blog do Noblat.

Aos dois textos – excelentes e claros – somamos o da jurista e professora de Sonia Rabello que, diante da publicação do Decreto nº 37354 de 02/07/2013 (DOM 03/07/2013), afirma que “… é de elementar compreensão que uma comissão não pode definir parâmetros edilícios e paisagísticos, nem de uso e ocupação para um parque público, indivisível e juridicamente afetado ao uso comum do povo!”, e que “O Parque do Flamengo, e sua área Marina da Glória, =&1=&

SEMANA 15/07/2013 a 19/07/2013

=&0=&=&1=&=&2=&=&0=& =&4=&=&5=& a maioria prédios históricos, fonte de inspiração  para mais poeminhas da especulação imobiliária”.
Trecho de
DEMOLIÇÕES – O NOVO NO LUGAR DO EXISTENTE
 E O PATRIMÔNIO CULTURAL CARIOCA =&10=&
Cariocas protestam contra a demolição do Julio Delamare e do Célio de Barros (Foto: Divulgação/CBDA) globoesporte.com
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DEMOLIÇÕES – O NOVO NO LUGAR DO EXISTENTE E O PATRIMÔNIO CULTURAL CARIOCA

Tijolos de demolição
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As demolições de imóveis na cidade com vistas à renovação urbana são o melhor indicador do adensamento populacional efetivo a que determinados bairros da cidade estão sujeitos, considerando-se que, invariavelmente, as construções existentes são substituídas por outras de maior porte, isto é, mais andares, área de construção maior, grande número de vagas de garagem onde em geral há poucas ou nenhuma. Fora os locais muito valorizados onde é possível haver semelhança entre a volumetria do que vai abaixo e do novo, isto é raro.

Não se aborda neste texto o caso da cidade informal, que cresce sem controle, nem os incentivos à ocupação de áreas vazias, como é o caso da Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, região das Vargens e, em breve, Guaratiba.
De volta ao tema do título, as estatísticas sobre demolições para a renovação urbana também sugerem que áreas do Rio devem ser estudadas com vistas à identificação do patrimônio cultural construído, com interesse à proteção e à criação de Áreas de Proteção do Patrimônio Cultural – APAC –,  para preservar a memória viva da cidade.



Freguesia, Jacarepaguá, Rio de Janeiro
Foto: artigo Gisela Santana para o Blog Urbe CaRioca

No momento, o noticiário nos dá conta de que a Freguesia e bairros vizinhos em Jacarepaguá – assunto tratado no artigo de Gisela Santana -, e várias regiões da zona norte, são os mais procurados: emitem um sinal de alerta.

E, não podemos esquecer o caso dos Batalhões da PM que o governador pôs à venda,  a maioria prédios históricos, fonte de inspiração para mais poeminhas da especulação imobiliária.




A newsletter Ex-Blog do último dia 07 divulgou a resposta da Prefeitura a um requerimento de informações sobre os pedidos de demolição de prédios que estão em tramitação. A lista está reproduzida abaixo e, a quem interessar, os endereços detalhados podem ser obtidos no gabinete do vereador responsável pela informação.

A este blog causa estranheza a ausência, na listagem, dos bairros de Jacarepaguá e de vários da Zona Norte como o Méier e a Penha, por exemplo, onde o mercado imobiliário tem estado extremamente atuante. Obtivemos a informação de que apenas esses endereços transcritos foram enviados pelo executivo ao gabinete na Câmara de Vereadores. 

Além das muitas demolições devidas à exacerbação do mercado imobiliário estimulada pelo governo municipal desde 2009, árvores são derrubadas sem piedade, e bairros das zonas norte e oeste são arrasados pelas trans-tudo sem que se tenha notícia de estudos sobre locais de interesse à proteção, por exemplo, núcleos urbanos originais que levaram à formação desses bairros. Tudo em meio a prioridades questionáveis.

Quem sabe os índices de popularidade dos nossos gestores estejam sendo demolidos no mesmo ritmo desses desmandos.

Nota: os dados são do mês de abril/2013.
Boa leitura e boas conclusões.
Urbe CaRioca
Rua da Assembléia – Ultimos sobrados
Blog Dia a Dia Fotos


PREFEITURA DO RIO INFORMA: DEMOLIÇÕES SOLICITADAS E EM PROCESSO DE ANÁLISE! ATENÇÃO!

Newsletter Ex-Blog em 17/07/2013

          
1. Como resposta a um Requerimento de Informação do Vereador Cesar Maia, a prefeitura do Rio listou os pedidos de demolição de imóveis até abril de 2013. Em breve será pedida atualização, como informa o Vereador.
            
2. Cento e um pedidos estão concentrados no Centro da Cidade. Destaques para 4 na Rua Buenos Aires, 4 na Rua da Quitanda, 8 na Rua das Marrecas, 6 na Rua Evaristo da Veiga, 16 na Rua Washington Luis, 6 na Rua do Senado (Praça da Cruz Vermelha), 7 na Rua Conselheiro Josino, 7 na Rua Henrique Valadares, 6 na Rua do Rosário, 6 na Rua da Assembleia, etc. OBS.: Boa parte no Corredor Cultural, que é uma APAC.
            
3. Trinta e um em Ipanema. Destaques para 7 na Rua Nascimento Silva, 5 na Rua Barão da Torre, 3 na Rua Visconde de Pirajá, 2 na Rua Prudente de Moraes, 2 na Avenida Epitácio Pessoa, etc. OBS.: Bairro de APAC.
            
4. Trinta e oito no Leblon. Destaques para 7 na Avenida Bartolomeu Mitre, 4 na Avenida Delfim Moreira, 3 na avenida Gal. San Martin, 2 na Avenida Borges de Medeiros, etc. OBS.: Bairro de APAC.
            
5. Área Portuária: Dezessete pedidos na Gamboa, Vinte e dois em Santo Cristo. Cinco na Saúde. OBS.: APAC – SAGAS.
          
6. Os interessados nos endereços específicos, basta solicitarem ao gabinete (…).
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OS PERIGOS DO RIO: MÁ CONSERVAÇÃO, DESGASTE E DESCASO

Canal de Marapendi, Barra da Tijuca
Foto: Paronamio
Enquanto tentam demolir o Elevado da Perimetral – algumas alças já se foram – e salvar o Elevado do Joá – aquele que não oferecia riscos, mas onde, pelo sim, pelo não, proibiram o acesso a caminhões (São mais pesados! Então há risco!) e limitaram a velocidade máxima a 60 km/h para nos salvar – os riscos estão por toda a parte. No último dia 03 um pobre rapaz foi atingido por um pedaço de reboco que despencou de um viaduto em Del Castilho, na zona norte do Rio, quando ia trabalhar. Infelizmente morreu dias depois. Em janeiro deste ano o túnel da Grota Funda – novo, inaugurado em junho/2012 e que ajudará a cidade a crescer para Guaratiba – precisou ser fechado e passar por reparos depois que foram encontradas fissuras na rocha da abóbada.
JO CARIOCAS
TRAVE DE EQUILÍBRIO
Viaduto sobre o Canal de Marapendi, Barra da Tijuca
Foto: Urbe CaRioca


Na Barra da Tijuca, o pilar do viaduto que atravessa o Canal de Marapendi, na Barra, ligando a Avenida das Américas à Avenida Armando Lombardi apresenta sinais de deterioração…

JO CARIOCAS
SALTO EM ALTURA
Viaduto sobre o Canal de Marapendi, Barra da Tijuca
Foto: Urbe CaRioca


Além das ameaças intrínsecas à má conservação da estrutura, neste caso há um agravante: as condições de mobilidade dos pedestres no local são péssimas. Sim, anda-se em cima do viaduto e também há travessias, tudo feito a pé! O acesso, se assim é possível denominar, é feito por uma escada improvisada das obras do metrô, a caminhada se dá sobre a murada de proteção do viaduto, e a descida ou e a subida pelos taludes laterais!

JO CARIOCAS
400m COM BARREIRAS
Viaduto sobre o Canal de Marapendi, Barra da Tijuca
Foto: Urbe CaRioca
Não fossem os perigos a que os pedestres se submetem por falta de alternativas, seria um verdadeiro treinamento pré-olímpico com caminhadas de obstáculos e muito equilíbrio necessário!!! Os cariocas que “treinam” por ali, principalmente nos horários de entrada e saída de trabalho para chegar ao ônibus do outro lado, não usufruem as ‘benesses’ olímpicas, como foi feito para os hotéis com o Pacote Olímpico 1 e para o mercado imobiliário com o Pacote Olímpico 2.

Tomara que com tanta verba pública, um Metrô milionário, pontes estaiadas cinematográficas, e muitas “parcerias” ditas público-privadas, sobre algum dinheirinho para uma ponte simples e baratinha que ajude a proteger a vida no dia a dia de trabalho.


JO CARIOCAS
 CAMPO de CROSS-COUNTRY ou CORRIDA A CORTA-MATO
Viaduto sobre o Canal de Marapendi, Barra da Tijuca
Foto: Urbe CaRioca

O Sr. Prefeito poderia dizer que é ‘prá Olimpíada’, desculpa que tem usado para as grandes obras complexas e caríssimas, como já foi mostrado neste blog.


“Esse negócio de Olimpíada é sensacional prá você usar como desculpa prá tudo. Então tudo que eu tenho que fazer, agora vou fazer prá Olimpíada, fazer prá Olimpíada. Tem coisa que tem a ver com Olimpíada, tem coisa que não tem nada a ver, mas eu uso”. Prefeito Eduardo Paes em 14/10/2012



Sobre as condições cruéis a que o carioca e o habitante da região metropolitana são submetidos diariamente, além dos vários textos divulgados aqui sobre o Metrô, vale a pena conhecer o artigo A FRAGMENTAÇÃO DAS VIAS (E DAS VIDAS) NO RIO DE JANEIRO METROPOLITANO do blog Arrepios Urbanos.


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