JO 2016 E O PITO INTERNACIONAL – PIOR É A VERGONHA

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Uma CrôniCaRioca muito séria
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Há alguns dias o noticiário informa reiteradamente sobre as preocupações do Comitê Olímpico Internacional em relação ao atraso nas obras que preparam a Cidade Maravilhosa para receber os Jogos Olímpicos 2016.





Particularmente não nos preocupamos com isso. Darão um jeito. Sempre dão. Poderá haver esquemas de urgência, contratação de emergência, liberação de verbas públicas extras, dispensa de processos licitatórios…

“Tudo Pra Olimpíada” pode, mesmo que não o seja, já foi dito.




Darão um jeito, repetimos. Sempre dão. Exemplos não faltam.

Os problemas de (in) segurança – infelizmente crônicos no Rio de Janeiro – durante a Rio-92 foram resolvidos com tanques de guerra apontados para as comunidades percebidas à época como as mais perigosas. As imagens são inesquecíveis.

Durante outra reunião com líderes estrangeiros, a ‘Cimeira’, os caminhos para as autoridades deveriam ser livres e seguros. Faixas de rolamento das pistas do Parque do Flamengo foram invertidas; chegaram a criar retornos e passagens pelos canteiros centrais (depois refeitos) para facilitar o deslocamento das comitivas. Durante os Jogos Pan-americanos, igualmente, faixas foram isoladas para garantir aos cartolas e seu séquito transitarem pelas regiões da cidade livres dos engarrafamentos que nos assolam todos os dias.

Será feriado escolar, outra providência para garantir fluidez no trânsito e forjar a imagem do Rio de Janeiro que se deseja mostrar, bem diferente da realidade diária.

Não, que ninguém se preocupe, solução há de haver, mesmo diante das perguntas sobre a existência de um ‘Plano B’ e da afirmação de que “estamos na situação mais crítica de preparativos para os Jogos, pelo menos nos últimos 20 anos”, segundo o líder da Associação Internacional de Federações de Esportes Olímpicos de Verão, Francesco Ricci Bitti.



As autoridades elogiaram a intervenção do COI. Ora, não poderiam dizer nada diferente…

Apenas uma coisa deve-se perguntar: se, conforme a reportagem, cogitou-se mudar as sedes de algumas modalidades, porque não deixar a Reserva Ambiental – compreendida pela APA e Parque de Marapendi – em paz, levar o Golfe Olímpico para o Itanhangá Golf Club ou para o Gávea Golf Club, ou, até mesmo, afastar as tacadas nocivas ao Meio Ambiente das terras cariocas, enviando-as para Japeri ou para além das divisas do Estado?


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Maior do que a vergonha de receber um pito internacional e atestado de incompetência são desrespeitar as leis ambientais e incentivar o mercado imobiliário de forma desenfreada à custa do Zoneamento Ambiental de área protegida há décadas – casos do golfe em Marapendi e do hotel Hyatt; destruir equipamentos públicos existentes e em funcionamento construídos com dinheiro do contribuinte – caso do Autódromo do Rio – substituído por prédios que receberam gabaritos de altura especiais – e do Velódromo; manchar a paisagem edificada da cidade com hotéis que também receberam índices construtivos a maior; desperdiçar a oportunidade de estimular a construção de habitações na Zona Portuária e integrá-la de fato à malha urbana; desconsiderar  a proteção da mata atlântica em Deodoro; e descartar a construção da Linha 4 do Metrô – a verdadeira – o que seria um alento para tantos que sofrem diariamente com o transporte público no Rio de Janeiro; e rasgar o Plano Diretor  da cidade, para citar alguns exemplos.

Tudo capitaneado por quem deveria defender a cidade e hoje, ironicamente, preside o C40.

Isso, sim, é vergonhoso.

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