A VEZ DE SÃO CRISTÓVÃO: CONSTRUÇÕES EM ZONA DE CONSERVAÇÃO AMBIENTAL

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A enxurrada de gabaritos de altura e aumento de potencial construtivo para a Cidade do Rio de Janeiro não para.

Como já dizia o primeiro ‘poeminha’ da especulação imobiliária (de 2010, publicado no blog em junho/2012) Todo Dia Tem Benesse. Decisões ora inseridas no falso mote “Tudo é pra Olimpíada” ou sob a justificativa de serem necessárias ao desenvolvimento urbano, ou ao falso salvamento de atividades econômicas são aprovadas aos borbotões, sem a apresentação de estudos técnicos, previsão de absorção pelo mercado e audiências públicas de fato e representativas, não apenas reuniões pro forma.


Croqui sobre foto aérea mostra como será o novo prédio da Fiocruz, a ser erguido junto à Quinta da Boa Vista, perto da Favela da Mangueira. O complexo terá 359 leitos, 224 consultórios e 74 módulos laboratoriais – Divulgação Fiocruz / Divulgação/Fiocruz
Imagem publicada no jornal O Globo em 06/06/2014

Mais um Projeto de Lei Complementar de autoria do Poder Executivo pretende modificar zoneamento e parâmetros construtivos, casuisticamente, para licenciar um complexo hospitalar federal em área non-aedificandi, em São Cristóvão.

Apenas nos atendo aos casos que desrespeitam uma das marcas fortes do Rio – o Meio Ambiente natural e paisagístico -, depois da famigerada lei para autorizar o Campo de Golfe que retirou parte da Reserva Ambiental e do Parque Municipal Ecológico de Marapendi, pano de fundo para um grande negócio imobiliário; das ameaças à integridade do Parque do Flamengo (Empreendimento comercial e centro de convenções na Marina da Glória); e ao Parque Nacional da Tijuca (Empreendimento comercial e centro de convenções no antigo Hotel das Paineiras), é a vez do Bairro Imperial que perderá uma Zona de Conservação Ambiental criada por lei, que abrange a magnífica Quinta da Boa Vista e o Jardim Zoológico.

A lei 73/2004 – PEU São Cristóvão, VII Região Administrativa – já foi bem generosa em relação a gabaritos de altura para determinados trechos do bairro. Por outro lado, entre os aspectos positivos, manteve a Área de Proteção do Ambiente Cultural–APAC existente com os respectivos bens culturais protegidos, e criou a Zona de Conservação Ambiental ZCA-SC abrangendo a Quinta, o Zoológico, e antigas áreas do Exército ainda dotadas de cobertura vegetal.

O PLC prevê a retirada de parte da ZCA e a criação de índices urbanísticos para atender a uma solicitação da Fiocruz, que pretende construir um complexo com uso hospitalar e centros de pesquisa, “proposta a verticalização da ocupação, considerando a declividade acentuada de grande parte do terreno”: altura de 41,00m entre outros parâmetros.

A justificativa apresentada pelo Executivo é “objetivo viabilizar a implantação do Complexo dos Institutos Nacionais de Saúde – CIN, de modo a fornecer a centralização dos serviços de saúde e pesquisa e a infraestrutura necessária para ampliação da atuação das instituições como centros de excelência de prestígio internacional”.

A “atuação das instituições como centros de excelência de prestígio internacional” é inquestionável, sem dúvida nobre e necessária função.

Mas, nobre também é preservar as áreas verdes da cidade protegidas por lei.

Certamente a prestigiosa instituição encontrará local mais adequado para as novas instalações onde não seja necessário desrespeitar o zoneamento ambiental. Espaço não faltará. Basta nos lembrarmos da quantidade de imóveis próprios municipais e estaduais postos à venda para o mercado imobiliário e das centenas de desapropriações providenciadas para a construção das ‘Transtudo’ e para os equipamentos destinados à Copa do Mundo e aos Jogos Olímpicos, sem nos esquecermos da Zona Portuária, repleta de terrenos federais.

“Conquanto louvável e nobre o escopo do projeto”, que os vereadores nos livrem de mais um absurdo urbano-carioca!


Urbe CaRioca

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Leia também o artigo de Sonia Rabello a respeito neste link.

Abaixo, imagens sobre o assunto e a delimitação da ZCA-SC.

ZCA – SC Zona de Conservação Ambiental – São Cristóvão

Do entroncamento da Av. Rotary Internacional com a Rua General Herculano Gomes, por esta (incluído apenas o lado da Quinta da Boa Vista) até o viaduto de São Cristóvão (incluído) a Av. Bartolomeu de Gusmão; por esta (incluído apenas o lado impar) até os limites das áreas sob jurisdição militar e da Quinta da Boa Vista, por estes até o limite norte do lote do presídio, por este até encontrar a curva de nível 36m, seguindo por esta até o topo da pedreira da Rua Projetada A, seguindo por esta até a curva de nível 65m, seguindo por esta até o prolongamento do PA 2805, seguindo por este até o prolongamento lado ímpar da Rua Sinimbu por este, até encontrar a cota 75m, por esta na direção norte até a cota 65m, por esta até encontrar a pedreira da Rua Chantecler, seguindo por esta (excluída) até a Rua São Luiz Gonzaga, por esta (excluída) até a curva de nível 40m, por esta na direção leste até encontrar o prolongamento da Rua Sinimbu, por esta (excluída) até a Rua Baía, por esta (incluída) até a Rua Chaves Faria, por esta (excluída), Rua Pedro Paiva (excluída) até a Rua Sinimbu, por esta (excluída) até a Av. Rotary Internacional, por esta (incluído apenas o lado da Quinta da Boa Vista) até o ponto de partida.

  1. ´`E impressionante que o tempo todo surja um projeto novo naquele canto. Pior mesmo foi a rodoviaria que eles tentaram a todo custo…Aumentara Quinta, reganhar o projeto do Glaziou nada, né?

  2. Parabens Andrea. Não serão as inquestionáveis necessidades da Fiocruz que deverão extinguir uma zona de conservação ambiental. Por que a Prefeitura não apresenta os estudos e outros terrenos? É claro que haverá outros terrenos para a atividade. Espero que o bom senso e o amor pela cidade vençam! Espero também ouvir a voz dos orgãos de proteção municipais. Vera F. Rezende, arquiteta professora

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