CAMPO DE GOLFE: UM DOSSIÊ CARREGADO DE INVERDADES E A PALAVRA DO MOVIMENTO GOLFE PARA QUEM

Hoje, em visita ao às obras do injustificávelescandaloso Campo de Golfe dito Olímpico o prefeito do Rio foi recebido por manifestantes contrários à mutilação do Parque Municipal Ecológico Marapendi, entre outras decisões questionáveis da municipalidade – Executivo e Legislativo – adotadas para permitir a construção em local onde não era vedado por leis urbanísticas e ambientais vigentes há décadas.
Na ocasião o alcaide lançou um dossiê sobre o caso, segundo o site G1 “para tentar explicar as obras em curso da megaconstrução esportiva na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio”. =&3=&

GOLFE, O INJUSTIFICÁVEL, E PARQUE NELSON MANDELA, O ENGODO AMBIENTAL E URBANÍSTICO – ALGUMAS NOTÍCIAS

Após o ódio declarado pelo sr. Prefeito e comentado por Thomas Bach, presidente do COI, em sabatina com alunos universitários (Site G1, 25/02/2015) e neste blog em ÓDIO AO CAMPO DE GOLFE DOS JOGOS OLÍMPICOS, o silêncio impera. No entanto, o assunto continua a ter desdobramentos. Domingo haverá um bicicletaço; o “Ódio” e o Campo foram objeto de artigo com palavras fortes, autoria de Lucio de Castro (ESPN, 17/03/2015); o movimento Ocupa Golfe – que continua e deu cria, o Ocupa Marina da Glória – protocolou a segunda Representação por Improbidade Administrativa apresentada contra o Prefeito Eduardo Paes perante o MPRJ.
Quanto ao Parque Nelson Mandela, de fato, trata-se de um engodo. O assunto complexo pode ser conhecido em PACOTE OLÍMPICO 2 – APA MARAPENDI: O “PARQUE” E AS BENESSES URBANÍSTICAS. A fábula urbano-carioca EXTRA! EXTRA! PÃO DE AÇÚCAR SERÁ DEMOLIDO! ajuda a compreensão e explica que o “parque” nada compensa nem guarda relação com o que foi retirado do Parque Municipal Ecológico Marapendi.
  Abaixo, as notícias.
Urbe CaRioca



1 – Grande ‘Bicicletaço’ Ecológico
O Movimento Ocupa Golfe convida para o primeiro ‘Bicicletaço’ Ecológico pela Preservação da Reserva de Marapendi – este é o link na rede Facebook. Domingo, dia 22/03/2015, às 15.00h Local: Avenida das Américas nº 10001 =&7=& =&7=& =&9=&

PROJETOS DE LEI COMPLEMENTAR EM 2014 – MAIS VALIA E MUITO MAIS

  São Cristóvão, Lagoa, Cinema Leblon, Madureira, Habitação Social, e a enésima volta da Mais Valia que Valeu, Não Valeu Mais, Voltou a Valer, e, depois de meio século, Vale até antes que a construção exista: amplia-se o incentivo a contrariar as leis urbanísticas e os códigos de obras. É a apelidada “Mais Valerá”. =&0=&

METRÔ DO RIO – OBRA PARALISADA. INFORMAÇÃO EXTRA-OFICIAL.

Wikimedia
Leitores do Urbe CaRioca estiveram no canteiro de obras da Estação Gávea do Metrô do Rio de Janeiro e foram informados de que a execução está paralisada por falta de verba, que dos 500 operários contratados para o trabalho, 460 foram dispensados, e que 40 ficam ali apenas tomando das instalações e materiais.
Tomara que não seja verdade!
Linha 4 original e Corredor T5

Mas, vale recordar que em janeiro último membros do governo do Estado declararam que a estação Gávea seria construída com um nível com plataformas distintas (não mais com dois níveis, conforme anunciado antes) e que só seria inaugurada pronta em 2016, depois da realização dos Jogos Olímpicos, embora o secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osorio, e o subsecretário da Casa Civil, Rodrigo Vieira tenham confirmado:
… 

“que a Linha 4 começará a funcionar para o público em junho de 2016, fora dos horários de pico, entre Barra e Ipanema, com cinco estações: Jardim Oceânico, São Conrado, Antero de Quental, Jardim de Alah e Nossa Senhora da Paz. A operação do sistema com passageiros nos mesmos horários das linhas 1 e 2 começará em julho. Mas, nos primeiros meses, não haverá conexão direta com as Linhas 1 e 2. O usuário que estiver no Jardim Oceânico e quiser chegar ao Centro ou à Tijuca, por exemplo, terá que descer na estação General Osório e seguir viagem em outra composição que opera na Linha 1. No caso da Linha 2, a conexão com a Linha 4 passará a acontecer no futuro na Praça General Osório” Leia mais

CLUBE FLAMENGO – UMA ARENA, UM NÓ DE TRÂNSITO, E UM BEM TOMBADO

Todescan Siciliano Soluções Integradas

ATUALIZAÇÃO EM 18/03/2015: Nota no Jornal O Globo (Coluna Ancelmo Gois) informa que o Clube construirá uma Arena para 40 mil pessoas.

URBE CARIOCA: O Clube e a Prefeitura poderão esclarecer qual é o projeto em andamento e aprovação na Secretaria de Urbanismo, no Conselho Municipal de Patrimônio Cultural, e no IPHAN. Há que pedir vistas ao processo de 1984!


SEGUNDA ATUALIZAÇÃO EM 18/03/2015: O Jornal O Globo noticiou que o Clube pretende erguer um estádio de médio porte, a princípio para 20 mil pessoas, na Gávea ou em outro lugar, que a iniciativa conta com o apoio do Governo Estadual, e que as estruturas podem ser provisórias. Ou não…

URBE CARIOCA: Nem 4 mil nem 40 mil. “A princípio” 20 mil (Mais de 20 mil, menos de 20 mil?). “Na Gávea ou em outro lugar” (Onde?). “Arquibancadas provisórias” ou não: Na cidade não faltam exemplos de construções provisórias que se tornaram permanentes. Possivelmente a nota divulgada no O Globo teve o objetivo de fazer governos estadual e municipal conhecerem a reação da sociedade. 


_________________

Os dirigentes do Clube de Regatas do Flamengo – que fica na confluência entre os bairros Gávea, Leblon, Lagoa e Jardim Botânico – pretendem construir uma Arena Multiuso em parte do terreno cedido ao rubro-negro, na esquina das avenidas Borges de Medeiros e Mário Ribeiro, ao que consta com patrocínio da rede de hambúrgueres e sorvetes McDonalds, notícia que circulou na imprensa no ano passado.



O Globo, 01/10/2014: “O Flamengo aguarda apenas a liberação do prefeito Eduardo Paes, que deve sair em breve, para iniciar a construção de uma arena multiuso na área onde até há pouco funcionava um posto de gasolina em sua sede social, na Lagoa, Zona Sul do Rio. (…) Bancada pelo MacDonald’s, a arena receberá não apenas jogos de basquete e vôlei, mas outros esportes olímpicos. O projeto já está pronto e aprovado pelo comando do clube, que encomendou uma animação com detalhes da localização da arena na sede da Gávea e como ela será”.

O blog Ninho da Nação informou ontem que o processo de construção está em fase final de análise pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, segundo o qual há apenas uma pendência: “A assessoria de imprensa do IPHAN entrou em contato com o blog e informou que espera apenas que seja encaminhado pelo Flamengo a planta referente ao recuo que a construção terá em relação à Rua Mário Ribeiro”.

Por outro lado, quando o dirigente de outro clube de futebol pediu ao Prefeito do Rio que impedisse a construção da Arena do Flamengo, este declarou-se favorável à obra para ajudar o clube. O Urbe CaRioca entende que mudar o uso do solo e índices urbanísticos não salva clubes, e ainda pode destruir a cidade, mas, isso é assunto para outro post!

vimeo.com

As informações disponíveis no blog referido causam várias estranhezas, a começar pelo número do processo enviado pela Prefeitura ao IPHAN, iniciado em 14/09/1984, isto é, há 30 anos! Não é um engano, como comprovam a imagem abaixo e o informado no parecer nº 491/2014/COTEC/IPHAN/RJ DE 16/12/2014. Além disso, o objeto do processo é Construção da Sede Social do Clube de Regatas do Flamengo, denominação inespecífica quanto a Estádio ou Arena.




Em setembro/2013 o site Geração Rubro Negra noticiou estudos para construção de arena para 25 mil a 30 mil pessoas, ideia que não agradou ao então governador Sérgio Cabral: “Ele já vetara outro projeto de estádio na Gávea para 30 mil, e voltou a se mostrar desfavorável”.  Em junho/2014, segundo o blog O Meu Mengão, a Construtora Odebrecht esperava “definir Arena do Flamengo até janeiro” de 2015, para 25 mil a 30 mil pessoas sem, no entanto, mencionar o local.

“Alexandre Póvoa, vice-presidente de esportes olímpicos (…): Não estamos pedindo favor nenhum e ninguém para facilitar nada. Só queremos que os órgãos responsáveis resolvam os trâmites burocráticos e liberem a licença. Nosso projeto está todo financiado, com dinheiro 100% privado. Nenhum dinheiro estatal. Só dependemos da licença para começar a construção. Estamos a um ano e meio das Olimpíadas no Rio, temos um projeto pronto e o processo segue tramitando em órgãos públicos há um ano sem nenhuma solução. De lá para cá não tivemos nenhum avanço. Em qualquer lugar do mundo nós seríamos incentivados a construir um ginásio, menos aqui. O Flamengo tem o estacionamento dele, daqui a um ano vamos ter um metrô, não vejo mais porque não ser liberado. É um ginásio de 4 mil pessoas, não estamos falando de nada excepcional. Temos o Maracanãzinho e a Arena, mas que são inviáveis para os jogos do dia a dia”.

Artigo: O NÓDULO ILEGAL NO PARQUE DO FLAMENGO: O PROJETO PARA A MARINA DA GLÓRIA, de Sonia Rabello


Parque do Flamengo, 1964, árvores recém-plantadas – Foto: Internet

A jurista, professora, ex-Procuradora Geral do Município do Rio de Janeiro, ex-Vereadora, e atual presidente da Federação das Associações de Moradores FAM-RIO, publicou o artigo reproduzido abaixo no site www.soniarabello.com.br em 26/02/2015, onde explica que o projeto “está sendo introduzido nesta importante área preservada da Cidade, sob o olhar compassivo e conivente das autoridades federal e municipais”.

Sobre o assunto publicamos recentemente neste blog Artigo – MARINA DA GLÓRIA: LICENÇA PARA MATAR ÁRVORES, de Canagé Vilhena e   MAIS LICENÇAS PARA MATAR ÁRVORES NA URBE CARIOCA(Ou, QUANTO VALE UMA ÁRVORE, QUANDO A CIDADE COMPLETA 450 ANOS?).

A polêmica sobre as novas construções que se pretende erguer naquela parte do Parque do Flamengo, modificando a ampliando significativamente o projeto original parece longe de terminar. Abaixo do artigo, imagens do projeto já divulgadas neste blog.

Boa leitura.

Urbe CaRioca

 
Parque do Flamengo, Marina da Glória – Árvore cortadas e preparação do terreno para ampliação e estacionamento
Foto: Antonio Guedes, dez. 2014

 


Sonia Rabello


“O Parque do Flamengo possui valor paisagístico singular, inestimável importância na paisagem e grande relevância cultural para a Cidade do Rio de Janeiro; desta forma não é acaso a quantidade de proteção que incide sobre a área. O Parque é tombado na esfera federal, é também tombado na esfera municipal por lei e possui decreto que protege seu paisagismo. Além disso, faz parte do sítio declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO como Paisagem Cultural Urbana. Sendo assim, qualquer projeto de intervenção dentro desta área tão importante deve ser analisado, debatido e esclarecido para que não corra o risco de causar algum dano a um patrimônio carioca deste porte.” (início da Conclusão feita por técnico da Prefeitura, discordando do projeto apresentado para a Marina da Glória em agosto de 2014).

Mais do que os danos específicos causados pelo novo projeto para esta área do Parque – o aumento excessivo de estacionamento de carros e de barcos, o aumento desproporcional da área comercial, as construções fora dos parâmetros do projeto original e o ilegal corte de quase trezentas árvoresdentro da Unidade de Conservação – é o conceito do referido projeto que agride as razões do seu tombamento.

 Por isso, ele é um nódulo que está sendo introduzido nesta importante área preservada da Cidade, sob o olhar compassivo e conivente das autoridades federal e municipais.
Vejamos, ainda que resumidamente:

1. O Parque, da qual a área da Marina da Glória é parte integrante desde o seu tombamento em 1965 e da qual não pode ser apartada senão por autorização legal e destombamento, foi concebido como um projeto de área de lazer totalmente pública e de baixo impacto, não comercial, educacional e de recreação aberta à população, especialmente às crianças. Foi neste sentido que o seu projeto – o projeto da concepção do Parque – foi tombado.

(…)