LAGOA RODRIGO DE FREITAS E O REMO OLÍMPICO – ENTRE TRAMBOLHOS E LITÍGIOS

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“Guilherme, enquanto isso, sofria porque a família inglesa não se mostrara entusiástica com sua primeira semana de regatas em Kiel. No fim das contas, Jorge acabou comparecendo com relutância às comemorações absurdamente dispendiosas (uma ilha foi construída no meio de um lago nas proximidades de Hamburgo, por apenas uma semana, para o banquete de gala que Guilherme ofereceu a seiscentas pessoas), mas anunciou sem rodeios que não poderia aceitar títulos honoríficos.”

Trecho de Os Três Imperadores, ou The Three Emperors de Miranda Carter, 2009

Guilherme: William II, Imperador da Alemanha, 1859-1941
Jorge: George V, Rei da Grã-Bretanha, 1865-1936

Globo Esporte


Mais uma vez a Lagoa Rodrigo de Freitas volta ao blog. Enquanto a cobertura temporária sobre o segundo bloco – quase permanente – continua no mesmo lugar há meses, o assunto ainda é o projeto para instalação de arquibancadas a serem construídas sobre o espelho d’água, bem tombado municipal e federal que é cartão-postal da Cidade do Rio de Janeiro, onde devem ser realizadas as provas de remo e canoagem dos Jogos Olímpicos 2016.

A proposta de uma estrutura dita provisória – comentada no post LAGOA RODRIGO DE FREITAS, AINDA OS TRAMBOLHOS E OS JOGOS– é objeto de dois inquéritos, um do MP-RJ e outro do MPF, e está em análise pelo IPHAN (jornal O Globo, 15/03/2015). A reportagem não informa se houve parecer do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural do Rio.

No dia 24, no entanto, segundo o mesmo jornal, “o MPF e o MP-RJ cobram da organização das Olimpíadas uma alternativa ao projeto, em outro lugar da cidade”, hipótese descartada pelo Comitê Rio 2016. Este, por outro lado, informou que apresentará novo projeto no qual a estrutura será para 4 mil lugares e não mais para 10mil.

É uma pena que a 500 dias dos Jogos ainda existam tantas questões duvidosas e não resolvidas, problemas que poderiam ter sido evitados se as propostas tivessem sido divulgadas para todos os setores públicos que têm a prerrogativa de analisa-las sob as leis vigentes e quanto aos critérios de proteção do patrimônio cultural, meio ambiente.

Não aconteceu.

Talvez a soberba e a onipotência presumida de gestores públicos e organizadores sejam a razão dos riscos que correm alguns projetos de não serem realizados como anunciados.

Vide a construção do Campo de Golfe de muitas faces e uma só moeda, construído sobre o Parque Municipal Ecológico de Marapendi: até aqui, o caso mais polêmico envolvendo os JO 2016.

Parece que reis e imperadores estão de volta às terras cariocas.




Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro

Vista a partir do Estádio de Remo. Paisagem que será alterada pela construção de arquibancadas para os Jogos Olímpicos 2016. As instalações serão provisórias, afirma-se.

Fotos: Urbe CaRioca


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