RIO BRANCO x PRIMEIRO DE MARÇO – DOMINGOS NA URBE CARIOCA

RUA DIREITA, A PRINCIPAL RUA DO RIO COLONIAL

Rua Direita do Rio de Janeiro em aquarela de Thomas Ender. ACG01828. BANDEIRA, Júlio; WAGNER, Robert. Viagem ao Brasil nas aquarelas de Thomas Ender: 1817-1818. Petrópolis: Kappa Editorial, t.2, p. 405. Imagem e legenda reproduzidas do blog Rio 450. 



Notícia publicada ontem no jornal O Globo informou que no próximo 06 de setembro a Praça Mauá, que integra as obras de reurbanização da Zona Portuária, será reinaugurada, e a Avenida Rio Branco ficará fechada para veículos todos os domingos. Segundo a reportagem o Prefeito do Rio pretende “transformar a via num grande corredor cultural, por onde os pedestres poderão circular e conhecer melhor o patrimônio histórico da cidade”.

Projeto Porto Maravilha


A escolha da Avenida idealizada por Pereira Passos e inaugurada em 07/09/1904 leva a algumas questões. Por exemplo: o Veículo Leve sobre Trilhos – VLT também não vai funcionar aos domingos para evitar conflitos e acidentes com pedestres e ciclistas? Se funcionar, as pistas para lazer serão separadas fisicamente da faixa do VLT?



As construções antigas da época da inauguração da Avenida desapareceram ao longo do Século XX, salvo exceções no entorno da Cinelândia e a antiga Casa da Moeda e a sede do IPHAN. Nesse aspecto, a Rua Primeiro de Março é um sítio histórico preservado repleto de construções tombadas e de outros bens culturais importantes. Ladeada por diversas igrejas, inclusive a antiga Catedral da Sé, recentemente restaurada, integra o Corredor Cultural – uma das primeiras Áreas de Proteção do Ambiente Cultural – APACs – da cidade. A antiga Rua Direita ligava o Morro do Castelo e o Morro de São Bento, tem valor representativo ímpar e muito a contar aos cariocas e visitantes.

O Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB e vários urbanistas haviam sugerido que o VLT passasse para Rua Primeiro de Março e o número de veículos e ônibus nessa via diminuísse para evitar danos aos bens históricos, ideia infelizmente não acolhida pela Prefeitura.

Diante desse quadro seria melhor fechar a Primeiro de Março aos domingos desde resolvida a questão viária (e sábados à tarde, por que não?), dando maior liberdade para o acesso de visitantes aos vários museus, centros culturais, igrejas, e à Praça XV, onde já foram encontrados mais pisos “pé-de-moleque”, tal como no Cais do Valongo e na Rua da Constituição.


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PÉS-DE-MOLEQUE AGORA NA PRAÇA XV


NA ZONA PORTUÁRIA DO SÉCULO XX, NA AVENIDA RIO BRANCO, NA RUA DA CONSTITUIÇÃO E, AGORA, NO CORAÇÃO DO RIO, PALCO DO BRASIL COLÔNIA, DA REALEZA, E DO IMPÉRIO
Antigo Mercado Municipal, Praça XV
Internet
O post O PASSADO RESSURGE NO CAMINHO DO VLT, do último dia 10, teve grande repercussão. O tema do artigo do historiador Marcus Alves foi uma descoberta na Rua da Constituição, Centro do Rio de Janeiro, divulgada por ele e demais membros do grupo S.O.S. Patrimônio nas redes sociais: o belo piso “pé-de-moleque” que ficou à mostra depois das escavações para retirada dos antigos trilhos de bonde do século XX capeados pelo asfalto quando aquele meio de transporte foi eliminado na cidade nos anos 1960, exceção para o bairro de Santa Teresa. Ironicamente a obra se deve à instalação dos novos trilhos que receberão os trens do VLT – Veículo Leve Sobre Trilhos, um bonde no século XXI. Depois do Cais do Valongo, da Avenida Rio Branco, e da Rua da Constituição, novidades também surgem na região da Praça XV de Novembro. =&5=&

O CAMPO DE GOLFE, DITO OLÍMPICO, NA TV ALEMÃ ZDF – VÍDEO

Área retirada do Parque Municipal Ecológico Marapendi, reserva ambiental integrante da Área de Proteção Ambiental Marapendi, para a construção de um Campo de Golfe: aproximadamente 450.000,00 m², ou, 45 ha. Nessa medida está incluída a parte de 58.000,00 m² doada ao antigo Estado da Guanabara, portanto área já tornada pública e pertencente ao Parque. o restante seria obrigação do empreendedor dos condomínios Riserva também passar para a Prefeitura como parte do processo de licenciamento para construir, obrigação esta que, junto com a de construir a Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso, foi dispensada em mais uma benesse urbanística prejudicial à cidade com a qual proprietários do terreno e construtores foram agraciados, entre outros favores.

=&0=& está entre as publicações mais lidas deste blog urbano-carioca desde a sua criação, em abril/2012. =&1=&

MAIS UM PACOTE DE LEIS URBANÍSTICAS PARA O RIO DE JANEIRO


Um novo pacote de leis urbanísticas está a caminho. Segundo reportagem de Selma Schmidt ontem no jornal O Globo, de sete projetos de leis complementares, quatro serão enviados pelo Executivo à Câmara de Vereadores e três são de 2012 (Prefeitura lança medidas para incentivar projetos em áreas ociosasCentro do Rio tem mais de 600 lojas fechadas).

É possível afirmar que as medidas, apresentadas como portadoras de melhorias gerais para a cidade e sua população, também levarão mais benesses para o mercado imobiliário: é o que se depreende do que o texto jornalístico apresenta, e que não surpreende, a considerar as propostas enviadas para os vereadores nos últimos anos – desde o Plano Diretor que deu origem à Lei Complementar nº 111/2011, a lei para Barra, Jacarepaguá, Recreio e região das Vargens, e para a Zona Portuária, até os pacotes “pra Olimpíada” e os vários PEUs.


Por isso tão importante quanto conhecer o texto é buscar as entrelinhas, onde moram as reais intenções do legislador: exemplos foram os casos do Campo de Golfe dito olímpico e do Parque Nelson Mandela, apresentados como redentores para o Rio, mas, nada além de grandes negócios imobiliários à custa de mudanças nas leis urbanísticas e ambientais vigentes. O mesmo pode ser dito sobre a lei das quitinetes para o Porto, disfarçadas de habitação popular.

O MÊS NO URBE CARIOCA – MAIO 2015

Caros leitores,
Em MAIO tivemos artigos importantes de Jean Carlos Novaes e Sonia Peixoto, sobre questões ambientais, jurídicas e administrativas relacionadas ao Parque Nelson Mandela – o “Parque das Benesses Urbanísticas” – e o caso do Campo de Golfe construído em área de reserva ambiental. Mais uma vez, agradecemos por colaborarem com o Urbe CaRioca.=&1=&

O METRÔ QUE O RIO PRECISA – O QUE ESPERAR APÓS AS OLIMPÍADAS

O movimento O METRÔ QUE O RIO PRECISA defendeu a construção da Linha 4 original com trajeto pelos bairros de Laranjeiras, Botafogo, Humaitá, Jardim Botânico e Gávea, e, a partir desta estação em direção à Barra da Tijuca, ao invés da simples extensão da Linha 1, ou, a “falsa Linha 4” como divulgamos em diversas postagens neste blog. =&0=&=&1=& =&2=& =&3=&=&3=& =&5=&=&1=&
Metrô que o Rio Precisa
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UM BATE-BOCA OLÍMPICO-GABARITADO VIA BBC E REDES SOCIAIS

“O curtíssimo prazo de 12 dias em que o Projeto de Lei Complementar (PLC) foi apresentado – oficialmente pelas Comissões e não pelo Poder Executivo, votado com 38 votos a favor, 7 votos contrários, 4 abstenções e 2 ausências, e aprovado em Segunda Discussão, gerou uma série de questionamentos e polêmicas que encontraram eco na imprensa escrita e on-line, em destaque o Editorial do jornal carioca O Globo, no dia 07 do corrente com o título Sob Suspeita, e as manifestações contrárias de arquitetos, urbanistas, ambientalistas e alguns parlamentares”.
Trecho de PEU VARGENS, AINDA HÁ TEMPO, nov. 2009, Portal Vitruvius =&1=&