O FANTASMA DO VELÓDROMO E OS LEGADOS OLÍMPICOS

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Os tão anunciados legados, bons legados se provarão no futuro.

Por enquanto, na visão deste blog, legado, de fato, foram demolição do Elevado da Perimetral e a reconquista da orla antes empachada pelo monstrengo (observação: aqui não se entra no mérito de prioridades, discricionariedade, gastos, e questões técnicas sobre transportes, trânsito e mobilidade urbana). Com esses legados ganhamos um questionável projeto de urbanização na ‘retroárea’ do Porto do Rio baseado em leis que permitem torres de até 50 andares, não previram moradia, concederam isenções tributárias. Posteriormente, permitiu-se a construção de quitinetes sob a falsa premissa de incentivar a produção de habitação popular. Era necessário receber uma Olimpíada para demolir a Perimetral e urbanizar a orla? Claro que não. Bastariam um bom projeto de urbanização com reserva de terrenos para moradia, recursos, e que os governantes agissem como verdadeiros estadistas.

O Parque Olímpico, o das benesses nas alturas, certamente deixará algo de positivo para o Rio de Janeiro: ao menos espaços públicos e algumas arenas esportivas. Mas, o preço pode ter sido alto demais, e não se fala só de gastos com obras: junto a cidade receberá dezenas de novos condomínios em Jacarepaguá, parte de uma favela foi removida, perdemos o Autódromo do Rio, e, vizinha a ele, surgiu uma “ilha” que nem é ilha nem é pura, mas, apenas mais um conjunto de edifícios altos com gabaritos aumentados como “incentivo” ao construtor. Mais do mesmo. Necessário? Não.

O Campo de Golfe é hors-concours. Dispensa comentários. Jamais será legado – salvo , e sim um erro urbanístico e ambiental que entrará para a história da cidade do Rio de Janeiro. Com ou sem Olimpíada. Era necessário? Absolutamente, não.

Um dito legado dos Jogos Pan-Americanos 2007 foi destruído em tempo recorde: o Velódromo do Rio, também construído – com recursos públicos – em parte do terreno do antigo Autódromo que, no entanto, continuou a funcionar. Estranhamente, o novo Velódromo consiste na única obra atrasada segundo o cronograma da Prefeitura, informou, mais uma vez, o noticiário. Parece que o fantasma do Velódromo do Pan ronda o Parque Olímpico e assusta o seu sucessor/usurpador. Era necessário demolir o Velódromo de 2007? Por certo que não. Basta ouvir a entrevista do arquiteto que o projetou. Ou consultar engenheiros sobre soluções para retirar as famosas e culpadas pilastras que atrapalhariam os juízes!

Mas, nada disso importa mais e tudo cairá no esquecimento, como a Vila Olímpica do Pan, igualmente objeto de benesses urbanísticas que só não se apagam porque o terreno (mal) escolhido insiste em afundar.

E teremos belas Olimpíadas, na nossa cidade cuja parte no primeiro mundo – por exemplo, com a visão do VLT – permanece emaranhada com o último mundo, onde imperam a violência e a insegurança, e a mobilidade não existe. Infelizmente.

Curiosamente, legado também significava “na Roma antiga, funcionário que fiscalizava a administração das províncias” (Dicionário Houaiss).

Sejamos nós, os cariocas, o verdadeiro legado olímpico, atentos e em busca de um Rio de Janeiro melhor.



Urbe CaRioca

Ciclistas no Velódromo do Rio de Janeiro, construído para os Jogos Pan-Americanos 2007, e as pilastras da polêmica. Na parte interna, Centro de Treinamento de Ginástica Olímpica, logo desativado. Nada restou, só o fantasma de um equipamento construído há poucos anos, com recursos públicos. Foto: O Globo.

Nota do blog: Os acontecimentos diários que envolvem episódios violentos no Rio de Janeiro minam a alegria e a esperança dos cariocas. A cidade merece sempre ser defendida, exaltando-se os muitos aspectos positivos que existem para além da Natureza, esta que não é obra de sua população nem de governantes, salvo algumas medidas louváveis para proteção do meio ambiente natural. Se a realidade negativa não deve ser ignorada, precisa ser conhecida para ser combatida. É o que a grande imprensa tem feito e, mais recentemente, as redes sociais. Esta postagem não pretende de modo algum denegrir a imagem do Rio, nem criticar a realização dos Jogos Olímpicos, proposta que teve o apoio geral, impulsionado por massiva propaganda sobre os benefícios que deles resultariam. Ao contrário, o que se quer é alertar para o que não precisava ser feito em nome do evento, prioridades equivocadas, como o trajeto do Metrô com ampliação da Linha 1 para liga-la à Linha 4 a partir da Gávea, ou descartar a despoluição da Baía de Guanabara, ou seccionar um Parque Ecológico para construção de empreendimentos imobiliários acoplados a um Campo de Golfe, e, ainda, eliminar o Autódromo do Rio, por exemplo. Por isso o blog jamais divulgará vídeos terríveis que circulam pela web: três desenhos de animação que se concentram nas mazelas que a cidade apresenta. Exageradas, por certo. Verdadeiras, infelizmente.


Parque Olímpico, situado no terreno do antigo Autódromo do Rio, demolido em função dos Jogos Olímpicos, conforme concurso organizado pelo IAB-RJ. Na imagem, os equipamentos que permanecerão, os conjuntos de edifícios previstos, e os equipamentos construídos para os Jogos Pan-Americanos 2007, Parque Aquático Maria Lenk e a Arena do Rio. O Velódromo do Pan foi demolido: não era um equipamento provisório.

One thought on “O FANTASMA DO VELÓDROMO E OS LEGADOS OLÍMPICOS

  1. Com relação a climatização da pista de ter que ficar 24hrs refrigerada, porque não reduzir a área até o nível da pista com lonas ou similares cobrindo só a área da pista, creio que reduziria o consumo do ar . E porque não uma fonte renovável, para manter esses aparelhos de ar? Acho que com o que é gasto para manter a pista, daria para fazer.

    Atenciosamente

    André Queiroz Santos

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