A QUESTÃO AMBIENTAL CARIOCA PÓS-OLÍMPICA, de Hugo Costa

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Rios da Zona Norte Rio Maracanã onde deságua no canal da Avenida Francisco Bicalho, em frente ao batalhão da PM Foto: Hugo Costa

Em novo artigo, o autor avalia a questão ambiental do Rio de Janeiro com foco na expectativa frustrada em relação ao chamado ‘legado olímpico’, e nas carências da Zona Norte da cidade nesse contexto, e lembra que a região foi a que maior número de votos garantiu ao novo prefeito.

Note-se os diversos links para os assuntos mencionados, que foram destaque na grande imprensa. Não deixe de conhecer a imagem no final do artigo.

Boa leitura.

Urbe CaRioca

Lixo e entulho junto aos rios Faria e Timbó. Como coibir?

Depois do declarado fracasso carioca com o tema despoluição da Baía da Guanabara, que dominou o debate da falta de Legado Olímpico ambiental, o assunto ‘Meio Ambiente’ na cidade do Rio de Janeiro voltou a ganhar capas de jornais.

Obras olímpicas – aqui existiu uma árvore

Não prevaleceu somente a frustração quanto às águas que banham a zona norte, Centro e parte da Zona Sul carioca – que continuaram poluídas; outro tema surgiu: a pouca disponibilidade áreas verdes e seus efeitos na população carioca, bem como as Ilhas de Calor que predominam em bairros do Rio de Janeiro.

Este seria mais um aspecto que assola a zona norte carioca, já que esta é a que tem a menor disponibilidade de áreas verdes e a maior temperatura média, esta agravada nos últimos anos pelas obras “olímpicas” e outras obras contraditórias, por exemplo, a construção de unidade de saúde em cuidar da saúde da população ocupando que reduzirá ainda mais uma das poucas áreas verdes da região onde habitam.

A sociedade se manifestou e a interpretação do novo alcaide causa estranheza: quanto à despoluição, preocupou-se com as lagoas da Barra da Tijuca, na Zona Oeste e esqueceu Baía da Guanabara e um de seus grandes poluidores o Rio Faria-Timbó.

Quanto às áreas verdes a Prefeitura anunciou o interesse em tornar subterrâneos trilhos da Supervia, e criar espaços verdes entre a Estação Maracanã (Área de Planejamento 2 – engloba a Floresta da Tijuca e a Quinta da Boa Vista) e a Central do Brasil em frente ao Campo de Santana (Área de Planejamento 1 – possui o menor número de habitantes do Rio), passando pela recém-reformada com recursos públicos Estação São Cristóvão, reformas estas que não atingem nem 7% da rede ferroviária, depois de quase 20 anos de concessão. Para um futuro desconhecido, citou o Méier e Santa Cruz, na Zona Oeste, como também bairros de interesse às obras para aumentar áreas verdes nas áreas destinadas aos trens.

Mais uma vez, não sabemos com base em que dados o Prefeito tomou aquela decisão sobre os Ramais da Central, já que as Regiões Administrativas com menores áreas verdes do Rio são justamente as do entorno do antigo Ramal Leopoldina, que abrangem os bairros de Ramos, Penha, Vigário Geral, Maré e Alemão.

Para agravar mais ainda a situação da Zona Norte, a Secretaria Municipal de Transportes tem um plano de ampliação do uso do Porto do Rio, o que demandará ainda mais caminhões no principal eixo logístico do Rio, a Avenida Brasil, que corta a região, e as áreas residenciais, agravando a poluição atmosférica justamente onde cobertura vegetal na cidade é menor. Com carretas pesadas de cargas ao porto e ônibus montados na mesma plataforma de caminhões, ao invés de veículos não poluidores com propulsão elétrica, por exemplo, a poluição só tenderá a aumentar. Mesmo neste cenário, os projetos de parques públicos e áreas comerciais – originalmente um plano que poderia diminuir os impactos ambientais, reverter o esvaziamento e atrair a reocupação e revitalização da Zona Norte – tornam-se estratégia confusa: uma enorme área nas esquinas da Av. Brasil e a Linha Vermelha, que é outro grande corredor de poluição do ar na região, que poderia ser transformada em um Parque com as tão necessárias árvores, poderá receber um conjunto habitacional!

As implicações na saúde dos habitantes deste conjunto habitacional considerando resultados de outras áreas da Zona Norte serão desastrosas!

Não conhecemos a visão do projeto geral para a cidade do atual Prefeito, mas os fatos aqui mostrados são preocupantes. Curiosamente, os subúrbios que poderão ser destruídos com estes planos, foram exatamente as regiões que lhe renderam mais votos.

Ao ignorar as carências dos subúrbios e agravar as más condições existentes, a prefeitura faz o que popularmente é chamado de “dar um tiro no próprio pé”.

É o que parece estar a caminho.

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Hugo Costa é geógrafo

Árvore plantada pelo autor do artigo na Avenida Londres esquina com Rua Aguiar Moreira junto à Praça Paul Harris.

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