CRISTO CARIOCA PODE SALVAR ORLA DO RIO DA DESORDEM URBANA

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CrôniCaRioca

O Cristo salvador. Foto: O Globo, junho 2017

 

No último dia 21 a Coluna Gente Boa (Segundo Caderno, OG) publicou:

Todos os totens publicitários instalados na orla da cidade terão que ser retirados do calçadão, assim como os aspersores de água, mais conhecidos como ‘cuca fresca’. A prefeitura e a Orla Rio, que administra os quiosques, vão ser notificadas pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), que já autuou a Arquidiocese por ter colocado uma réplica do Cristo Redentor no Calçadão do Leme. A orla, como se sabe, é tombada como ‘paisagem cultural do Rio’. Só vão poder permanecer à beira-mar os mapas com informações turísticas”. E mais: “A Arquidiocese do Rio tem até o dia 19 de julho para tirar, do Leme, a réplica do Cristo. O prazo foi definido ontem pelo Inepac. A escultura, de quase quatro metros de altura, foi instalada no calçadão numa campanha beneficente sem a autorização do Iphan e do Inepac”.

A notícia remete imediatamente a um fato notório e triste: a orla do Rio de Janeiro está caótica em termos de desordem urbana. É parte da cidade tombada, classificada como Área de Proteção Ambiental – APA, e uma das responsáveis pelo título de Patrimônio da Humanidade na categoria Paisagem Urbana.

Arpoador, Ipanema. Foto: O Globo, 2014

Calçadas do Leme, de Copacabana, Ipanema e do Leblon estão tomadas por equipamentos de propaganda (o que é proibido por lei), camelôs nacionais e importados expõem mercadorias no piso de pedras portuguesas que devia ser livre para todos caminharem e terem acesso ao mar; quiosques oficiais se agigantaram e os “donos do pedaço” isolaram áreas de mesas e cadeiras com jardineiras que formam muros, empachando sobremaneira a paisagem. Na areia, barracas de vendedores são fontes de feiura com caixas de isopor, caixotes, pilhas de cadeiras e de barracas que não se consegue esconder com faixas de plástico rasgadas e sujas. Na luta pelo cliente, cartazes trazem o nome dos “donos” e anunciam ofertas variadas, pois a concorrência é grande! Chuveirinhos e torneiras para lavar os pés funcionam à custa de bombas barulhentas e poluentes.

Imagens: Isto É e Skyscrapercity, 2009

Diga-se que a bagunça não é de hoje. A esperança de melhorar a paisagem e a organização dos barraqueiros quando o prefeito anterior anunciou um modelo de barraca pequeno, com desenho leve e estrutura branca, foi por terra – ou pela areia – poucos anos depois.

Cabe aqui um parêntese. É verdade que vários itens acima levam conforto aos usuários, mas também é verdade que o desvirtuamento e a ocupação indiscriminada das calçadas são responsáveis pela poluição visual inaceitável nos nossos cartões-postais.

Eis que, de repente, um cristo pode ser o salvador da orla do Rio de Janeiro. Não o que viveu há dois mil anos, e, sim, uma réplica da estátua do Cristo Redentor colocada no calçadão do Leme a título de ilustrar uma campanha beneficente.

Quem sabe o cristo carioca poderá livrar orla carioca da desordem urbana? Se for assim, a instalação irregular terá sido uma bênção! Como antigamente, levaremos baldinhos para lavar os pés com a água do mar na hora de voltar para casa.

Urbe CaRioca

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