O PAI DA MINHA AMIGA CLEIA

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CrôniCaRioca

Cidade do Rio de Janeiro –
Antigas Zonas Urbana, Suburbana e Rural

Já contei histórias sobre a Mãe CaRioca, e sobre o Pai CaRioca – os meus – para celebrar as datas comemorativas em maio e em agosto, desde que o blog, agora site Urbe CaRioca, foi criado, em 2012, memórias familiares misturadas às coisas da cidade.

Nada preparado para 2017, eis que pela manhã me deparo com uma lembrança escrita por Cleia Schiavo, amiga de anos, e encontro semelhanças com as vidas de meus pais. A Mãe CaRioca, também nascida na Gávea, o Pai CaRioca, nascido no subúrbio, ela e minha avó trabalharam na Fábrica de Tecidos Carioca, no Jardim Botânico, ele, que me contava histórias e era autor de marchinha de carnaval! Ambos falecidos na mesma época do Sr. Alvize. Ainda, em comum, a valorização dos estudos, que se esforçaram para garantir aos filhos. Quem sabe nossos avós foram amigos nos tempos em que o apito da Fábrica soava implacavelmente às 7.00h e os portões se fechavam?

Conte mais, Cleia!

Andréa Redondo/Urbe CaRioca

 

 

MEU PAI, UM CARIOCA DO SÉCULO XX

Logo após a morte de meu pai escrevi um pequeno texto agora encontrado. Ontem, rebuscando minhas gavetas achei dois pequenos diários de viagens escritos por ele. Boas lembranças e histórias sobre Rio de Janeiro quando a Zona Oeste ainda era essencialmente área rural. Sinto um inexplicável impulso para a escrita. O que mais escrever? Há muito ainda que contar.

Cleia Schiavo

Alvize Schiavo faleceu no dia 19 de maio de 1994. Ele era meu pai, aquele que me contava histórias e achava importante viver. Sinto-me presa, semelhante a um poço em cuja boca, a tampa não se abre. Nele há histórias vividas no bairro da Gávea, não muitas, mas fortes porque de um lugar referencial. Meu pai lá nasceu e foram dali suas primeiras observações a respeito do mundo.

“Os invencíveis, gravatas têm”. Essa frase dá inicio a uma música de um bloco de carnaval, como muitos havia na Gávea. Creio escrita pelo tio Cunha no ano de 1922, alusão ao bloco Os Gravatas.

A Gávea de muitas histórias: dos operários, entre eles o meu avô mestre de tear, por certo invencíveis, mesmo sem gravatas!

As últimas lembranças de meu pai da Gávea referem-se à assistência social dada pela Fábrica Carioca de Tecidos. Certa vez, quando ele era pequeno, o médico da fábrica – e ele frisava: sempre “andava de tílburi” – o encontrou e, passando a mão em sua cabeça, disse-lhe um dia você será Doutor!

Em 1922 a família Schiavo saiu da Gávea e foi morar em Inhoaíba, na Zona Rural.

Creio que aquela frase ficou no seu inconsciente, tanto que se destacou como aluno na escola Alba Canizares na Zona Rural. Quando terminou o curso a diretora chamou meus avós e disse que meu pai seria indicado para estudar no Colégio Pedro II, onde seguiria carreira. Meu avô imediatamente respondeu que não permitiria porque precisava de braços na pequena lavoura da família.

Mas a procura do saber nunca o abandonou.

A profecia do médico se confirmou. Ontem, rebuscando minhas gavetas achei dois pequenos diários de viagens escritos por ele.

Há muito ainda que contar.

Antiga Fábrica de Tecidos Carioca, Jardim Botânico, Rio de Janeiro

Outros artigos da autora publicados neste site:

Artigo – DE MAR A MAR, MODERNIDADE E TRADIÇÃO: CIDADE E CAMPO NO RIO DE JANEIRO, de Cleia Schiavo Weyrauch

Artigo: O CINEMA E AS ORQUÍDEAS, de Cleia Schiavo Weyrauch

O SAMBA E A PRAÇA ONZE, de Cleia Schiavo Weyrauch

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PAIS E MÃES CARIOCAS, no site

2012 – Mães CaRiocas

2013 – MÃES CARIOCAS, RAINHAS POR UM DIA!

2013 – MEU PAI E O FORD 1950

2013 – EM SETEMBRO SOAM PALAVRAS PLURAIS

2014 – DEPOIS DO FORD 50, PAIS CARIOCAS 2014

2015 – MÃES CARIOCAS, MÃES PIONEIRAS

2016 – SEM ‘MÃES CARIOCAS’

2016 – UM PAI CARIOCA MUITO CRIATIVO

 

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