Estação Imperial de São Cristóvão – Patrimônio abandonado, de Claudio Prado de Mello

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Importante análise do arqueólogo Cláudio Prado de Mello chama a atenção para a importância histórica da construção. A Prefeitura do Rio de Janeiro poderia se interessar em restaurar o prédio mediante convênio caso o imóvel seja Próprio Federal, ou esteja sob a tutela da Supervia. O terreno está sendo usado como estacionamento de veículos.

Urbe CaRioca

Museu Nacional, Quinta da Boa Vista, Bairro de São Cristóvão.
Imagem: Wikipedia

 

ESTAÇÃO IMPERIAL DE SÃO CRISTOVÃO – PATRIMÔNIO ABANDONADO

 

A valorização do Bairro Imperial de São Cristóvão é um daqueles SONHOS que os Preservacionistas alimentam a vida toda, mas que não conseguimos ver sair da mídia como apenas um factoide! Entra Prefeito e sai Prefeito, ouve-se falar de planos e promessas, mas, com o tempo, tudo é esquecido. Com isso, o Bairro que um dia foi o lugar mais chic e sofisticado de todo o Brasil continua esquecido e largado, em grande parte usado como canteiro de obras, seus terrenos e monumentos sendo literalmente preteridos.

Mas, a preocupação agora é com a antiga estação de São Cristóvão, que foi inaugurada em 1858. Como vemos nas fotos, a estação ferroviária que era de uso da Família Imperial e sobreviveu até os dias de hoje encontra-se imprensada entre avenidas movimentadas e as linhas férreas e metroviárias, como se ali não houvesse mais lugar para ela!

O prédio, que hoje se encontra parcialmente descaracterizado, ainda retém grande parte de sua arquitetura original. Cabe-nos clamar por atenção do poder público em busca de um olhar mais atento e misericordioso. A implantação de um estacionamento dentro de sua área é uma ideia totalmente DESASTROSA, e até criminosa. Esperamos que não prossiga.

Memória

Em 1858 foi inaugurado o primeiro trecho da Estrada de Ferro D. Pedro II, incluindo a Estação de São Cristóvão e, em 1870, foi implantada a empresa Rio de Janeiro Street Railway – posteriormente Cia. São Cristóvão -, responsável pelos bondes sobre trilhos.

Primeira linha a ser construída pela E. F. Dom Pedro II, que a partir de 1889 passou a se chamar E. F. Central do Brasil, era a espinha dorsal de todo o seu sistema. O primeiro trecho foi entregue em 1858, da estação Dom Pedro II até Belém (atual Japeri) e daí subiu através da Serra das Araras, alcançando Barra do Piraí em 1864. Daqui a linha seguiria para Minas Gerais, atingindo Juiz de Fora em 1875. A intenção era alcançar o Rio São Francisco e dali continuar até Belém do Pará.

São Cristóvão e a Quinta da Boa Vista

Durante o Período Imperial (em especial o de D. Pedro II), foram realizadas obras significativas de infraestrutura no bairro, como novos aterros, arruamentos, loteamentos, saneamento, canalização de rios, além de ter recebido serviços de transportes, telegrafia, esgotamento sanitário, iluminação a gás, coleta de lixo e sistema de abastecimento de água, entre outros. Nessa ocasião, foram oferecidos benefícios fiscais para quem quisesse ocupar a região. O bairro tornou-se o mais aristocrático da cidade, atraindo comerciantes e fazendeiros, vindos não só devido aos incentivos e melhorias, mas também pela vizinhança com a Família Imperial.

Por sua vez, a Quinta da Boa Vista sofreu diversas reformas ao longo do tempo.

Pouco se conhece da antiga estrutura urbanística do bairro, que carece de estudos sistemáticos e profundos. Entre maio e agosto de 2013 nossa equipe* tentou fazer o resgate do material arqueológico do sítio da Leopoldina e houve avanços no conhecimento da área que pesquisamos desde os anos 1990, inclusive com a publicação do livro Arqueologia Urbana no Rio de Janeiro – Da Pré-História ao Rio Vitoriano, em 1997.

Claudio Prado de Mello

Em 19/09/2017

Fontes: Carlos Latuff; Jorge A. Ferreira Jr.; Newton Carneiro; Paulo Jacob; Revista da Semana, 1906; Dimmi Amora: Fora da Linha e Sem Rumo, O Globo, Max Vasconcellos: Vias Brasileiras de Comunicação; Mapas, acervo Ralph Mennucci Giesbrecht, Prado de Mello.

*Equipe do IPHARJ – Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica do Rio de Janeiro

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