Sobre os rumos do Patrimônio Histórico da Cidade, de Cláudio Prado de Mello

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Print this page

No último dia 25 de outubro foi realizada uma reunião para discutir os rumos do Patrimônio Histórico da Cidade no Conselho Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, tendo em vista a situação do patrimônio material da Cidade.

Nesta carta, o relato do arqueólogo Cláudio Prado de Mello sobre o encontro.

Urbe CaRioca

“Na data de 25 de outubro de 2017 realizou-se a Reunião do Conselho Municipal de Cultura convocada para o propósito de se discutir uma recomendação realizada por nós à Secretaria Municipal de Cultura. Essa recomendação apontava a situação delicada do Patrimônio material e edificado da Cidade, e sua sensibilidade frente ao tempo, às intempéries e, principalmente, a fragilidade frente aos danos causados em decorrência de grandes eventos em locais de alto significado histórico e arqueológico.

Essa preocupação, manifestada em 11 de maio, foi protocolada no dia 03 setembro. No dia 20 de outubro, encaminhamos uma listagem contendo a descrição de 55 monumentos fluminenses que estão em estado “terminal” , abandonados ou fechados.

Ao longo da semana, várias mensagens foram trocadas e na data de ontem, 24/10, a Secretária de Cultura, Nilcemar Nogueira, reuniu-se com o Secretário Estadual de Cultura, André Lazaroni, e hoje, dia 25, um encontro reuniu autoridades dos Governos Municipal e Estadual, os Conselheiros do CMC e representantes da Sociedade Civil.

Ao final da reunião o resultado do debate foi apresentado pelo assessor e porta-voz da Secretaria de Cultura, Eduardo Nascimento, que informou que a Prefeitura e a Secretaria de Cultura recebiam aquelas recomendações com entusiasmo, e que o processo administrativo estabelecido efetivava um diálogo de inter-relação entre o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade – IRPH e a Secretaria de Conservação do Município, visando a preservação do Patrimônio Municipal, bem como, doravante, considerará a especificidade de cada segmento do espaço público urbano perante realização de eventos que incluam milhares de pessoas.

Esse procedimento, que chamamos de gerenciamento do uso do espaço público, visa considerar a suscetibilidade de locais que contenham bens culturais nos âmbitos federal, estadual e municipal passíveis de serem danificados pela alta densidade humana. Portanto festas e raves, como ocorreram na Praça XV, deixando um rastro de destruição, serão cuidadosamente avaliadas antes de serem autorizadas, e serão estabelecidos critérios para o seu uso.

Agradecemos o apoio da Bancada Preservacionista que ao longo dos últimos meses tem dado sempre apoio à questão da Preservação do Patrimônio e, em especial, aos Conselheiros Marconi Andrade, Olinio Coelho e Teo Lima.

Agradecemos também a ilustre e prestigiosa presença do Diretor Geral do Inepac e Presidente do Conselho Estadual de Tombamento SEC RJ, Professor Marcus Monteiro, do Diretor do IRPH, Professor Andre Zambeli, do Vice-Secretário de Cultura da SEC, Professor Aldo Mussi, da Superintendente de Museus do Estado, Professora Vera Mangas, além de grandes amigos e colaboradores que estiveram presentes e deram apoio na reunião como Dr. Francisco José Ramalho, Professor Waldemar Vargas, Professora Karen Barros, Alexandre Valadão Rios, Pituca e Leonardo, entre vários Conselheiros do CMC.

Este é um avanço significativo no sentido se estabelecer critérios de uso do espaço público de forma que monumentos, praças, parques e outros compartimentos da Urbe possam e sejam preservados .

Agradecemos à Secretária de Cultura, Professora Nilcemar Nogueira, por avaliar e receber as humildes observações que desde o primeiro momento intencionavam a melhor preservação do patrimônio cultural e histórico contido nesta nossa querida Cidade.

A criação dos “Distritos Culturais ” irá facilitar neste gerenciamento dos espaços públicos considerando que determinadas áreas da Cidade são não somente adequadas, mas preparadas para a concentração de eventos de grande publico.

Enfim poderemos vislumbrar que o patrimônio cultural e o mobiliário urbano poderão, a partir de então, ser conservados preventivamente e perpetuados para a futuras gerações .”

Cláudio Prado de Mello, 25 de outubro de 2017

________________

Registros da reunião:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *