Um Natal longe do meu Rio

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CrôniCaRioca,  de Andréa Redondo, Natal/2017

Natal em Londres, 2017

Pela primeira vez nas minhas mais de seis décadas de vida, passo o Natal fora da minha cidade natal, o Rio de Janeiro. Circunstâncias me trouxeram a Londres para participar de um outro feliz evento natalino. Tal como em 2013, mais uma vez, meu presente de Natal chegou mais cedo!

Aqui, em vez de shorts, biquínis e vestidinhos leves, imperam casacos, cachecóis, gorros e botas. No frio do hemisfério norte Papai Noel deve sentir-se confortável, na roupa vermelha adornada com pele branca! No Rio, só com ar condicionado!

O frio não assusta londrinos e visitantes. Nas ruas comerciais de Central London, geladas para o padrão carioca, fervilha o espírito de Natal. Movida pela tradição, hábito, prazer, ou pelo encanto e obrigações que o comércio natalino provoca, a preparação para a Noite Feliz está presente em adereços que jovens de todas as idades (ou não seriam jovens os velhos que também se enfeitam?) usam na rua e no ambiente de trabalho, em enfeites e iluminação caprichados que adornam avenidas, edifícios, lojas e vitrines. Amigos se abraçam em público tanto aqui quanto no Rio.

Em terras cariocas esperamos peru com farofa, panetone e gostosas rabanadas o ano inteiro. Aqui, entre delícias preparadas só nesta época, há doces menos açucarados repletos de ‘nuts’ e frutas secas de todos os tipos.

Caminhar pelas ruas da Londres central é uma experiência agradável. Há harmonia entre os belíssimos prédios antigos e uma ou outra construção vizinha, nova, em geral de mesma altura ou um pouco mais alta do que as possivelmente preservadas. As caminhadas remetem de imediato ao meu Rio, tantas são as diferenças! O Rio é colorido, quente, alegre, simpático… e não funciona. Andamos nas ruas com medo, atracados a bolsas, telefones celulares escondidos. Em Londres a paleta é outra – bela ainda que sóbria – colorida por lindíssimos parques e praças repleto de flores na primavera e verão. Agora predominam os marrons e ocres do outono inverno, e as luzes natalinas. Caminha-se na rua sem medo de assaltos, facadas e balas perdidas, a cidade funciona. A sombra do terrorismo, mal mundial, não impede viver o dia-a-dia. Haverá muito o que contar mais adiante sobre a urbanidade Londrina.

Ganhei um presente de Natal inestimável. Que ela e todas as crianças  tenham um mundo melhor para viver, e o Rio de Janeiro seja mais seguro e bem cuidado, a verdadeira Cidade Maravilhosa!

Nas Festas que enceram 2017 não farei deliciosas rabanadas, receita herdada de minha mãe carioca repetida por filhos e netos. Aos amigos e leitores que prestigiam este Urbe CaRioca deixo a receita. Ao prepará-la, estarão multiplicando momentos de carinho!

Feliz Natal, e que 2018 nos reserve saúde, alegrias, e um Rio de Janeiro acolhedor e seguro!

 Andréa Albuquerque G. Redondo

Fotos e confecção das rabanadas deliciosas: Matheus de Albuquerque Ludolf, Natal 2017, Laranjeiras, Rio de Janeiro.

RABANADAS DA MINHA MÃE CREMILDA

1 pão de rabanada
2 garrafas pequenas de leite de coco
1 lata de leite moça
1 L de leite de vaca
Ovos (o quanto for necessário)
Erva doce
4 Cravinhos
3 pedaços de canela em pau
Manteiga ou margarina
Açúcar e canela em pó de boa qualidade

Modo de fazer:

Cortar o pão de rabanada em fatias com mais ou menos 2cm de largura e arrumá-las em um tabuleiro para ficar mais prático;

Ferver o leite com o cravo, a canela e a erva doce; deixar descansando algum tempo para pegar o gosto e depois coar;

Colocar numa tigela o leite de vaca, o leite moça e o leite de coco: misturar;
Se achar que falta açúcar, pode colocar um pouco na mistura;

Em outra tigela, bater ligeiramente os ovos, como se fosse para bife à milanesa;

Molhar as fatias de pão no leite e espremer com as mãos para retirar o excesso de líquido;

Passar as fatias nos ovos batidos e fritar com manteiga ou margarina;

Escorrer no papel toalha;

Ao final, fazer uma misturinha de açúcar com canela e passar as rabanadas na mistura.

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