OUTRAS NOTÍCIAS DO SÍTIO ARQUEOLÓGICO DE SEPETIBA, de Cláudio Prado de Mello

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Dando continuidade ao post “O Rio começa em Sepetiba”, mais um artigo do arqueólogo Cláudio Prado de Mello com registros importantes sobre a história do Rio de Janeiro, reveladas através de estudos arqueológicos na Zona Oeste da cidade. Boa leitura.

Urbe CaRioca

OUTRAS NOTÍCIAS DO SÍTIO ARQUEOLÓGICO DE SEPETIBA
FATOS EXTRAORDINÁRIOS DE UM RIO QUE COMEÇA EM SEPETIBA

Cumprindo a obrigação de todo cidadão brasileiro no exercício de seus deveres frente à preservação do Patrimônio… temos noticias excelentes a dar ! Tendo o sitio arqueológico permanecido oculto durante centenas de anos, um deslizamento de contenção e de encosta (devido às recentes chuvas) revelou suas camadas arqueológicas que chamou a atenção da turismóloga Telma Lopes.

No dia 06 de janeiro, fomos ao local e detectamos a existência do sitio arqueológico. Durante a semana fizemos uma profunda pesquisa documental e no dia 09 de janeiro fizemos o registro do sitio junto ao órgão federal sob o numero IPHAN 01500.000115/2018-63.

Devido a vulnerabilidade do local, tornou-se urgente a proteção da área e fizemos contato com o IRPH (Instituto Rio Patrimônio da Humanidade )e com o apoio do Vereador da Câmara Municipal do Rio de Janeiro Willian Coelho, foi providenciado a limpeza do lixo que era então  depositado no local na terça-feira. Na quinta e na sexta-feira acompanhamos a colocação de mourões no entorno do local e hoje (sábado) tivemos a conclusão das ações emergenciais de proteção do entorno do mais novo sitio arqueológico da cidade do Rio de Janeiro.

O Forte de São Paulo de Sepetiba

De fato, um sítio multicomponencial que preserva na sua estratigrafia camadas de ocupação sambaquieira e de ocupação Tupi-Guarani, além de Colonial. Portanto, uma descoberta inusitada e importante que revela um segmento da ocupação do litoral do Rio de Janeiro .

Um quebra-coquinho da época do Homem do Sambaqui encontrado da estratigrafia do paredão (Foto: Acervo IPHARJ)

O Forte de São Paulo de Sepetiba, até então, tido como desaparecido. Augusto Fausto de Souza relata que a fortificação foi construída em 1818, em um morro pouco elevado, formando duas reentrantes, uma com a praia de Sepetiba e outra com as de Arapiranga e Piahi. Era composta de diferentes obras armados com 19 canhões, que cruzavam fogo com os fortes de São Leopoldo e São Pedro (Souza, 1885: 114).

Desses 18 canhões, doze eram de 12 libras e o restante eram caronas de 18 libras. Em 1822, foi visitado por D. Pedro, e sua construção foi supervisionada pelo tenente do Estado Maior José Antônio Alves. Era uma construção de faxina. Havia um paiol, armazém e quartel (sem quartel para inferiores). Ao longo do século XIX, o Forte de São Paulo e as demais fortificações na região foram perdendo a importância defensiva e, somado com as explorações e aterros que se fizeram na região, o forte estava em ruínas em 1885 .

Hoje o sítio ainda preserva partes de sua arquitetura e que será exposta em um Relatório que estamos elaborando com urgência para encaminhar aos Órgãos Federal e Municipal ( IPHAN e IRPH )

A história da descoberta dos sítios arqueológicos de Sepetiba começou em agosto de 2015, quando fomos convidados pelo Ecomuseu de Sepetiba ( reunindo Bianca Wild, Silvan Guedes, Telma Lopes, Bruno Cruz, Maria Do Carmo Matos, e Gutemberg Castro) a visitar a regiao e detectamos três deles. Depois, a convite a FAB, detectamos mais um sitio histórico e agora já temos em Sepetiba sete novos sítios arqueológicos importantes

O Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica do Rio de Janeiro agradece a todos os envolvidos nessa historia extraordinária e em especial à Telma Lopes que compartilhou a vivenciou a verdadeira emoção de cuidar e zelar pelos vestígios do nosso rico passado.

Claudio Prado de Mello ( Prof.Ms)
Arqueólogo e Historiador
Conselheiro do Conselho Estadual de Tombamento SEC RJ
Conselheiro Municipal de Cultura do Rio de Janeiro
Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica do RJ
Museu da Humanidade – IPHARJ
email pradodemello@hotmail.com

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