Chafariz do Lagarto – Cariocas em prol do patrimônio cultural

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No último sábado, dia 23 de junho, membros do SOS Patrimônio e do Movimento de Resgate do Patrimônio promoveram um ato público de confraternização e restauração do Chafariz do Lagarto, na Rua Frei Caneca, construído há 232 anos, pelo mestre Valentim. Uma ação de revitalização em defesa do patrimônio cultural da Cidade do Rio de Janeiro. Vejam os registros e mais detalhes na publicação de “O Globo”.

Urbe CaRioca

Grupo faz mutirão para revitalizar Chafariz do Lagarto, no Centro do Rio

Por Simone Candida – 23 de junho de 2018 – O Globo

Crédito: Fabiano Ramos de Carvalho

Um grupo de apaixonados por historia e patrimônio reuniu-se neste sábado de manhã para realizar um mutirão de limpeza e pintura do Chafariz do Lagarto, na Rua Frei Caneca, construído em 1786. Munidos de pincéis, espátulas e até vassouras, eles revitalizaram o monumento, que, como mostrou uma reportagem de O GLOBO publicada no último dia 12, estava com rachaduras na fachada e totalmente degradada. O idealizador da reforma foi o restaurador José Paulo dos Santos, morador de São Paulo, que chegou ao Rio no início da semana e fez um trabalho prévio de recomposição da estrutura, com argila, além de realizar uma caiação. Nesta manhã, juntaram-se a ele pesquisadores, historiadores, estudantes e restauradores que vivem no Rio de Janeiro.

— Primeiro fiz uma trabalho para reconstruir o monumento, que estava sem reboco, com partes faltando. Não dava tempo de fazer tudo hoje, por isso cheguei antes para preparar o monumento. Hoje, com ajuda de todos, vamos terminar de restaurar. Vamos tentar fazer um traballho de resina ou durepóxi para refazer as partes da estátua do lagarto, que está muito danificado — explica ele, que organizou o mutirão pelas redes sociais, lançando um chamado em páginas de grupo de apoio ao patrimônio, como a SOS Patrimônio.

Segundo Paulo, foi pedida autorização ao Iphan. Assim como foi solicitado o acompanhamento de um técnico do órgão, mas ninguém compareceu. Procurado pelo Globo, o Iphan não foi se pronunciou.

A estátua de lagarto, por onde jorrava água no passado, está quebrada, e o tanque virou “banheiro” de moradores de rua. Logo ali ao lado, o chafariz de Paulo Fernandes, de 1816 — imóvel com belos detalhes em cantaria. Como a maioria dos chafarizes e fontes do Rio, os dois estão secos.

Paulo explica que neste sábado foi dia dos retoques finais. Alunos do Ateliê do Parque da Cidade ficaram responsáveis por limpar as placas de identificação e o medalhão onde se lê a inscrição em latim: “Ao sedento povo, o Senado deu água em abundância, no ano de 1786”.

O historiador Olínio Coelho lembra que, no Chafariz do Lagarto, a escultura original já havia sido roubada na década de 1970. Ou seja: o lagarto atual, que está com uma das patas e o rabo quebrados, trata-se de uma réplica. Tombado pelo Iphan em 1938, ele foi erguido durante o Vice Reinado de Luiz de Vasconcellos e Souza (1779-1790), no antigo caminho do Engenho Pequeno, atual Rua Frei Caneca. Era abastecido pelas águas do Rio Catumbi, que vinham por um aqueduto de mesmo nome.

— Este lugar precisa ter alguém cuidando. Ele está abandonado e usuários de crack vivem querendo invadir. Eu, sempre que posso, venho aqui olha e cuidar — diz a aposentada Josefa Rosa de Jesus, de 70 anos, que até o ano passado era uma espécie de zeladora do espaço e morava numa casa anexa ao chafariz — Eu fiquei morando aqui uns dez anos. Mas mandaram eu sair e eu fui embora, estou morando longe. Quando cheguei aqui, já tinham trocado as telhas, e o lugar não tinha nem fechadura. O certo era que tivesse alguém aqui sempre. Se não for eu, que seja um outro zelador — completa.

Crédito das imagens: Fabiano Ramos de Carvalho (S.O.S Patrimônio)

Antes do restauro (Crédito: Fabiano Ramos de Carvalho )
Após (Crédito: Fabiano Ramos de Carvalho )

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vale a pena saber:

Histórico – O Chafariz do Lagarto foi construído durante o Vice Reinado de Luiz de Vasconcellos e Souza (1779-1790), no chamado caminho do Engenho Pequeno, hoje Rua Frei Caneca. Era abastecido pelas águas do Rio Catumbi, trazidas pelo aqueduto de mesmo nome, que não mais existe. Chafariz parietal, composto de duas pilastras laterais e um frontão público, num nicho inferior repousa um lagarto que jorrava água pela mandíbula em um tanque retangular. Acima do nicho lê-se em um medalhão a seguinte inscrição em latim, aqui traduzida: “Ao sedento povo, o Senado deu água em abundância, no ano de 1786”.

Escultor – Valentim da Fonseca e Silva (Serro MG ca.1745 – Rio de Janeiro RJ 1813). Escultor, entalhador, arquiteto, urbanista. Em 1748, é levado por seu pai a Portugal, onde aprende o ofício de escultor e entalhador. Retorna ao Rio de Janeiro e, por volta de 1770, abre uma oficina no centro comercial. Pertence à Irmandade dos Pardos de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito. Em 1772, trabalha com o entalhador Luís da Fonseca Rosa na decoração interna da Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, realizando trabalhos até 1800. Durante a gestão do vice-rei, Dom Luís de Vasconcelos e Sousa (1740 – 1807), entre 1779 e 1790, é o principal construtor de obras públicas da cidade do Rio de Janeiro nas áreas de saneamento, abastecimento e embelezamento urbano, como o Passeio Público, feito em colaboração com o pintor Leandro Joaquim (ca.1738 – ca.1798) e com os decoradores Francisco dos Santos Xavier e Francisco Xavier Cardoso de Almeida. Entre 1790 e 1813, executa talha e imagens sacras para as igrejas de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte, São Pedro dos Clérigos, Santa Cruz dos Militares e Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco.

Comentários:

  1. Os nossos monumentos históricos devem ser preservados e sua restauração prioridade da Administração. Os programas de educação escolar devem instruir as crianças, visando a importância da preservação e resguardo da história do nosso povo, através de nossos monumentos.

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