Cobal Humaitá e Leblon: Há que esclarecer.

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Vendo o Rio, 2019

Cobal Humaitá – Internet

Depois de algum tempo esquecidos, era de se esperar que os imóveis da Cobal voltassem à berlinda na atual gestão da cidade.

COBAL – Assim são chamados os antigos mercados de hortifrutigranjeiros situados nos bairros do Leblon e Humaitá, locais que, embora hoje esvaziados e algo decadentes, paradoxalmente, ainda são de grande utilidade para a população vizinha: houve a transformação das atividades de vários espaços que, reutilizados, garantem movimento e animação ao entorno, em especial no bairro do Humaitá.

Notícia de 19/02 no site G1 informa que o Prefeito do Rio “foi a Brasília apresentar projeto para modernizar a Cobal do Humaitá e a do Leblon”. Mudanças dependem de autorização da Companhia Nacional de Abastecimento – Conab. Segundo a nota, “O projeto apresentado por Crivella prevê parceria público-privada com validade de 50 anos. Os croquis mostram edifícios para abrigar mais lojas e novo paisagismo. Está prevista ainda a construção de garagem subterrânea”.

Apesar de parecer nobre a intenção do Sr. Prefeito conforme acima, a este blog intriga o fato de o assunto ter ressurgido justamente após à aprovação do chamado novo Código de Obras – na verdade velho e pernicioso com seus cômodos de cachimbo dos anos 1950, e compartimentos mal ventilados e iluminados, 1950 entre outras benesses para o mercado imobiliário, e justamente quando a grande imprensa anuncia o reaquecimento

Localizados em áreas nobres da Urbe CaRioca, naturalmente sempre atraíram os olhares da indústria da construção civil (nada contra a indústria em si), do mesmo modo que o visadíssimo terreno do 23º Batalhão da Polícia Militar, também situado no Leblon, é cobiçado há anos.( OG, 28/11/2018, Estado quer vender…).

É necessário esclarecer o que, de fato, pretende o senhor Prefeito, pois não é a primeira vez que os bens imóveis de valor, em questão, são alvo de governantes que pretendem transformá-los em moeda. Curioso, desta vez, é o alcaide anunciar supostas parcerias público-privadas, se os terrenos são de responsabilidade da Conab, como citado. Não será um conjunto de edifícios, por exemplo, que dará garantias à preservação de ambos como desejável.

Para lembrar, Cabral quis simplesmente vender os terrenos. Não Pedro Álvares, o Descobridor, mas, o outro, o que foi descoberto. Não pode. Em 17/08/2004, o então Prefeito do Rio transformou os locais em Área de Especial Interesse Funcional para evitar vendas à construção civil, como viria a ser feito com o terrenos do 2º Batalhão da PM  e da Antiga Cia. Ferro-Carril Jardim Botânico, onde praças teriam sido mais do que bem-vindas. Em 2011, por sua vez, os dois imóveis foram tombados, também pelo município, considerando “o valor cultural das edificações e a importância de se preservar marcos culturais e arquitetônicos na paisagem dos bairros da Cidade do Rio de Janeiro; que o projeto de arquitetura para abrigar estes hortomercados construídos no início dos anos 1970 foi premiado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil IAB; e, a necessidade de medidas cautelares para garantir a proteção dos referidos imóveis que, ao longo de sua história além do comércio de viveres, tornaram-se ponto de encontro dos cariocas e lócus de manifestações culturais”.

De fato, a Cobal do Humaitá virou “point”, sem a ajuda do mercado imobiliário. Além dos produtos hortifruti (os granjeiros apenas no mercado de alimentos), é lugar de bares, restaurantes e encontros sociais. Pode melhorar mais, é claro. A do Leblon precisa de injeção de ânimo, é verdade.

Outras “Cobais” sucumbiram: a do Méier e a de Campinho. No lugar da primeira foi construído o fórum; no da segunda, uma praça – embora em parte ocupada por outros equipamentos urbanos públicos edificados, a exemplo do que aconteceu na Praça Nelson Mandela, em Botafogo (v. Morte e vida dos espaços públicos de sociabilidade: o caso COBAL no Rio de Janeiro, de Ricardo Ferreira Lopes e Josielle Cíntia de Souza Rocha, disponível na internet em http://www.labcom.fau.usp.br/wp-content/uploads/2015/05/4_cincci/006-lopes.pdf.

Vale ainda conhecer o artigo também de Ricardo Ferreira Lopes, e de Lélia Mendes de Vasconcellos, que apresenta histórico sobre os locais e propostas de modificações, inclusive a que aponta a construção de um edifício-garagem no Humaitá. Está disponível na internet em http://docomomo.org.br/wp-content/uploads/2016/01/112.pdf.

A História do Rio é repleta de demolições lamentáveis, exceção, para a Avenida Perimetral. Quanto às Parcerias Público-Privadas, há que ter cuidado. Diz a lenda urbana que os postos de gasolina do Parque do Flamengo foram autorizados mediante o compromisso de manutenção da área, o que não podemos confirmar no momento. Podemos apenas afirmar que, se verdadeiro, não foi cumprido. A dita PPP do Porto Maravilha, até agora dependeu de verbas públicas.

O Antigo Mercado Municipal da Praça XV foi demolido em nome do progresso para a passagem da Avenida Perimetral, por sua vez considerada um retrocesso e também demolida para a criação de espaços públicos livres. Em vez da belíssima construção que apreciamos em fotografias, temos o estranho prédio da Cadeg. Se nos sobraram apenas duas COBAL, que fiquem, e que melhorem que se tornem lugares mais bonitos, limpos, agradáveis e atrativos. Será suficiente.

Por tudo, este blog pede ao Sr. Prefeito: em segundo lugar, esclareça. Em primeiro lugar, deixe o Rio respirar.

Urbe CaRioca

 

 

 

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