História do Morro dos Dois Irmãos/Vidigal, de Cleydson Garcia

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Neste artigo, publicado na página do “Especial Rio Antigo” e de autoria do estudante de Arquitetura e Urbanismo e pesquisador apaixonado pela história do Rio de Janeiro, Cleydson Garcia, a História do Morro dos Dois Irmãos / Vidigal.

“O acesso antigo, era pelo tortuoso caminho da Chácara do Céu, chegava-se até ali, através do antigo caminho da Restinga, atual Rua Dias Ferreira. E o outro caminho, que estava semi-aberto pela obra da ferrovia, deu origem à Av. Niemeyer, inaugurada em 1916. Ligando Leblon até as terras do Comendador Conrado Jacob Niemeyer, no bairro de São Conrado”, destaca o autor.

Boa leitura !

Urbe CaRioca

História do Morro dos Dois Irmãos/Vidigal

Por Cleydson Garcia *

 A história do morro dos Dois Irmãos, se confunde com a história da comunidade de Vidigal.

MIGUEL NUNES VIDIGAL

Nasceu em 1745, na cidade de Angra dos Reis, então Capitania do Rio de Janeiro, foi o primeiro brasileiro nato a ser um dos comandantes de forças militares no recém-formado Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, quando a família real portuguesa chegou em 1808, à cidade do Rio de Janeiro.

Ainda jovem, alistou-se num dos regimentos de cavalaria de milícias daquela capitania. Foi promovido a alferes em dezembro de 1782, a tenente em dezembro de 1784, a capitão em 20 de outubro de 1790, a sargento-mor em 18 de março de 1797, a tenente-coronel em 24 de junho de 1808, a coronel em 26 de outubro daquele mesmo ano, a brigadeiro graduado em 10 de março de 1822.

Segundo o livro “Memórias de um Sargento de Milícias, obra de Manuel Antonio”, Vidigal, era considerado um perseguidor implacável dos candomblés, das rodas de samba e especialmente dos capoeiras.

Manuel Antônio de Almeida, ao escrever “Memórias de um Sargento de Milícias” assim fala sobre ele: “O Major Vidigal, que principia aparecendo em 1809, foi durante muitos anos, mais que o chefe, o dono da Polícia colonial (…). Habilíssimo nas diligências, perverso e ditatorial nos castigos, era o horror das classes desprotegidas do Rio de Janeiro”. Noutro trecho da obra, o descreve da seguinte forma: “Era Vidigal um homem alto não muito gordo, com ares de moleirão. Tinha o olhar sempre baixo, os movimentos lentos, a voz descansada e adocicada. Apesar desse aspecto de mansidão, não se encontraria, por certo, homem mais apto para o cargo… Vidigal, era o único personagem não fictício deste obra.

O major de milícias e intendente da polícia Miguel Nunes Vidigal, recebeu por doação dos beneditinos (antes, pertencia ao Sr. Visconde de Asseca), em 1820, as extensas terras que iam das encostas do morro de Dois Irmãos até o mar, e nela foi construída a Chácara do Vidigal.

A benfeitoria do major, serviu de residência e local de descanso, não tinha fins agrícolas ou comerciais, talvez uma pequena produção voltada o mesmo. Os vizinhos, em seus últimos anos de vida, era: Chácara do Céu, Chacareiros da encosta dos “Dois Irmãos” pelo lado da Gávea e o francês Charles Leblon – [ Sr. Emmanuel Hippolyte Charles Toussiant Le Blon de Meyrach] que comprou as terras de Guilherme Midosi, em 1842. E rapidamente aquela restinga, ficou conhecida como Campo do Le Blon.

A maioria dos proprietários dessa região, estavam sitiados em terras da Fazenda Nacional. Eram arrendatários que pagavam um aluguel anual à Câmara da Cidade – Proprietária da Fazenda Nacional da Lagoa. Anteriormente pertencia à família do Capitão Rodrigo de Freitas, e resolveram vender ao Rei D. João VI, em 1808. O monarca, passou as terras para a “Câmara da Cidade” administra-las.

Em 10 de Julho de 1843, falece o Major Miguel Vidigal, na cidade do Rio de Janeiro, com 98 anos de idade. Nas terras onde hoje, dão nome ao bairro carioca de Vidigal, e foi sepultado nas catacumbas da igreja de São Francisco de Paula.

Em 1886, os herdeiros de um chacareiro que comprou as terras do Vidigal, venderam a propriedade ao Engenheiro João Dantas.

No final do século XIX, o sogro de Oswaldo Cruz, Comendador Manuel José da Fonseca compra a Chácara do Vidigal. Quando chegava o rude verão carioca, o Dr. Oswaldo Cruz se transferia com a família para a chácara do seu sogro, na Praia do Vidigal.

Por volta de 1900, Charles Armstrong, adquire as chácaras do “Vidigal” e “Sete Pontes” em São Gonçalo, com intenção de instalar colégios de elite.

Em 1911, o professor e engenheiro inglês Charles W. Armstrong, aproveitou o caminho aberto pela obra de uma ferrovia litorânea, iniciada em 1891, que fora interrompida antes de 1910. E instalou em terras do falecido major de milicias, o colégio Anglo-Brasileiro, e hoje, é o Colégio Stella Maris.

O acesso antigo, era pelo tortuoso caminho da Chácara do Céu, chegava-se até ali, através do antigo caminho da Restinga, atual Rua Dias Ferreira. E o outro caminho, que estava semi-aberto pela obra da ferrovia, deu origem à Av. Niemeyer, inaugurada em 1916. Ligando Leblon até as terras do Comendador Conrado Jacob Niemeyer, no bairro de São Conrado.

A Favela de Vidigal:

A comunidade cresceu consideravelmente entre as décadas de 1940 e 1970, devido às remoções das comunidades próximas, e também por receber migrantes nordestinos. Até meados dos anos 50, a favela era conhecida como “Portão do Anglo ou Rampa do Niemeyer”, devido a proximidade com o colégio e a avenida. Na década de 60, para frente, já era conhecida como “Favela do Vidigal”.

Nas décadas de 80 e 90, houve uma grande expansão da comunidade, por causa do aumento da população local. Denominação: delimitação e codificação do Bairro foi estabelecida pelo Decreto Nº 3158, de 23 de julho de 1981 com alterações do Decreto Nº 5280 de 23 de agosto de 1985.

Fotografia: Morro de Dois Irmãos, visto da restinga de Ipanema e Leblon, 1920, por Alberto Sampaio.

Fonte: Memórias de um Sargento de Milícias, Manuel Antonio e Fazenda Nacional da Lagoa, pg.187, Cau Barata

Pesquisa: * Cleydson Garcia é estudante de Arquitetura e Urbanismo, pesquisador apaixonado pela história do Rio de Janeiro,

 

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