Viva Cosme Velho questiona obras na Estação do Bonde do Corcovado

A polêmica pode ser acompanhada na página Viva Cosme Velho, da rede Facebook, da qual transcrevemos o texto a seguir, inclusive uma carta enviada ao “O Globo” que, no entanto, não foi publicada.

Urbe CaRioca

A NOVELA DAS OBRAS DA ESTRADA DE FERRO TREM DO CORCOVADO – QUARTA TEMPORADA

(Foto Bel Vidal)

Na segunda-feira, dia 9 de maio, para surpresa dos passantes, a Estrada de Ferro do Corcovado cercou com tapumes a metade da seção inicial do muro contíguo à Praça São Judas Tadeu, e deu início à sua demolição. Como sempre, isso aconteceu à revelia da Lei da Boa Vizinhança, ou seja, sem qualquer aviso aos moradores, e sem mesmo a colocação da placa de obra detalhando o empreendimento e nomeando a firma responsável – o que é obrigatório, por lei.

Dois dias depois, o jornal O Globo publicou um artigo promovendo a obra e dando voz à empresa Trem do Corcovado, mas sem ouvir os moradores. Por isso, no mesmo dia, a Viva Cosme Velho enviou uma carta-reposta à repórter, a qual até agora não foi publicada – razão porque estamos transcrevendo-a, abaixo, para que os moradores e frequentadores do bairro possam tirar suas conclusões a respeito.

Ao Jornal O GLOBO, Caderno Zona Sul
Para a jornalista Ana Beatriz Marin
Assunto: Matéria sobre obra na Estação

Rio de Janeiro,11 de maio de 2019.

Prezada jornalista.

Em resposta à matéria veiculada no O Globo – caderno Zona Sul de 11 de maio de 2019 –, a Associação de Moradores VIVA Cosme Velho se sente no dever de colaborar para o esclarecimento dos fatos reportados, que são de interesse não só dos moradores e frequentadores do bairro, mas de toda a sociedade.

De forma a atender o Edital do ICMbio de 2014 ( EDITAL DE CONCORRÊNCIA Nº 01/2014 – UAAF 9 RJ/DIPLAN/ICMBio/MMA PROCESSO Nº 02152.000020/2013-03), para renovação da concessão de exploração da operação do bondinho do Cristo Redentor, é preciso esclarecer que o projeto de modernização inclui as seguintes obrigações e cuidados, que transcrevemos, abaixo.
Edital –Projeto Básico:

7.1.2.1.4. O projeto deverá prever espaços para filas de troca de bilhete e demais procedimentos prévios ao embarque, evitando transtornos nos espaços públicos externos à estação.

7.1.2.2. O projeto deverá avaliar e considerar os impactos das alterações propostas na vizinhança da estação, seguindo metodologias utilizadas em Estudos de Impacto de Vizinhança (EIV) e propor medidas para a melhoria das condições de tráfego e acesso de turistas à estação.

7.1.2.2.1. O escopo das propostas deve incluir sugestões detalhadas a serem negociadas e estudadas pela Prefeitura Municipal, que visem melhorias no fluxo de veículos na região; estacionamento, embarque e desembarque de veículos de turismo; redução dos transtornos em dias de maior visitação; ambiência e acessibilidade nas áreas próximas à Estação do Cosme Velho, entre outras.

7.1.2.3. O projeto deverá considerar o tombamento de parte das edificações da estação pelo INEPAC, cabendo ao concessionário obter a aprovação/autorização daquele órgão para execução.
O projeto apresentado inicialmente – de autoria do arquiteto Rodrigo Azevedo, que foi motivo de ação pública no MP, da mesma forma que a versão atual, revista e simplificada, elaborada pela arquiteta Virginia Lannes – não considerou em momento algum as reiteradas preocupações dos moradores, que não foram consultados, ouvidos ou informados pela empresa ESFECO.

Da mesma maneira a SMU, mesmo tendo sido alertada sobre os impactos no dia a dia das pessoas do “lugar” – e mesmo após posicionamento de sua equipe técnica para que estudos de tráfego fossem desenvolvidos e apresentados à SMU-CGP e a CETRIO –, aprovou a obra no “quintal” da Estação, que inicia-se – sem colocação de placas indicadoras da empresa responsável pela obra, bem como seu escopo e duração –, exatamente pelo que será o novo acesso principal, motivo maior de reclamação da comunidade. Assim, o “quintal” se transforma, e o que deveria se limitar ao espaço entre muros, se expande, com consequências extremamente danosas e desrespeitosas aos limites existentes entre o público e o privado.

No primeiro momento, como quem usa a estratégia do “fato consumado”, a calçada foi tomada por tapumes que invadem o espaço público e, com a derrubada do muro para implementar a nova entrada, transtornará toda a rua Efigenio Salles – o que só confirma a crônica falta de ordenamento urbano em toda a cidade, e o descaso com a perda do direito de ir e vir das pessoas, o que prejudicará sobremaneira o já periclitante tráfego da Rua Cosme Velho. Não é difícil prever que o resultado será o caos: difícil será punir os responsáveis por mais essa agressão ao bairro.

Agradecendo antecipadamente pela publicação desse texto e colocando-nos à disposição para maiores esclarecimentos, subscrevemo-nos, atenciosamente, em nome da Viva Cosme Velho.

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