Largo do Boticário será enfim restaurado

Casarões do Largo do Boticário: joia arquitetônica de quase um século passou por processo de abandono mas foi comprada por grupo hoteleiro (Foto: Oscar Valporto)

Um dos ícones arquitetônicos e históricos do Rio de Janeiro, o encantador Largo do Boticário, no Cosme Velho, Zona Sul, ganhou a promessa da tão esperada revitalização, após anos de abandono. A resistente vila de casarões, cercada pela Mata Atlântica, e que preserva o sossego da década de 20 do século passado, época em que foi ocupado,  teve o seu destino definido recentemente. A rede Accorhotels comprou cinco das seis das casas que compõem o largo e pretender instalar ali um hostel.

De acordo com o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), a empresa comprometeu-se em realizar a restauração completa do casario, tombado pelo estado em 1987, “respeitando as características do projeto original”, inclusive já tendo sido assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Largo do Boticário Ltda, empresa que representa os novos proprietários do “Conjunto Arquitetônico do Beco e Largo do Boticário”, garantindo que o local seja recuperado.

No documento, a empresa compromete-se a executar, em caráter emergencial, as obras de restauração e contenção nos imóveis números 20, 26, 28, 28 fundos e 30. As unidades são consideradas Bem Estadual Tombado (BET). O TAC, diz o Ministério Público, contempla a fiscalização de implantação posterior de empreendimento imobiliário no local. A obra terá que refazer telhados, reforçar estruturas e recuperar as fachadas.

Dias de glória –  O local já foi cenário de filme internacional, abrigando as aventuras de James Bond em “007 contra o Foguete da Morte” durante a década de 1970(Veja um trecho abaixo gravado no local).

Além disso, o Largo do Boticário, com jardim projetado por Lúcio Costa e Burle Marx, já foi morada de barões, polo cultural e símbolo de elegância, arte e glamour. (Saiba mais no link postado ao final do texto).

Mudanças na legislação – Após anos fechadas, as casas não conseguiram ser vendidas para quem se dispusessem a fazer reformas e morar no local. Somente em abril de 2018, a lei complementar 183 autorizou a mudança de uso e a reforma do espaço, desde que mantida a arquitetura original.

De acordo com o texto, “entende-se por reconversão dos imóveis tombados a que se refere esta Lei Complementar o conjunto de intervenções arquitetônicas que vise a assegurar a manutenção de suas estruturas e elementos construtivos, assim como sua permanência na paisagem urbana e no ambiente cultural, por meio de uma nova função ou uso apropriado, de forma a promover sua reintegração à realidade social, cultural e econômica”. A lei foi aprovada pela Câmara Municipal do Rio e entrou em vigor no dia 14 de março.

A partir de então, o megagrupo hoteleiro francês Accor – Ibis, Mercure, Novotel, Sofitel – fechou a compra das casas por R$ 20 milhões, e anunciou um plano de reformas de mais R$ 50 milhões para a instalação de um hostel multiuso, com a promessa de reabertura do Largo do Boticário para os cariocas.

Abaixo, registros do Largo do Boticário, gentilmente cedidos por João António Vieira.

Conheça mais sobre a história do Largo do Boticário aqui.

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