Pré História do Metrô do Rio

Muita gente às vezes pergunta por que o metrô anda tão cheio? Por que para no meio do caminho, por que não temos mais estações? O que aconteceu com a estação Cruz Vermelha? Por que a estação Carioca é tão grande? Por que duas estações General Osório? Por que temos que saltar em Botafogo para trocar de trem? Essas e outras questões e curiosidades serão respondidas em uma série de postagens pela página “Metrô que o Rio Precisa”, contando um histórico do metrô.

Urbe CaRioca

Pré História do Metrô do Rio

Publicado originalmente na página “Metrô que o Rio Precisa”

Apesar de ter sido inaugurado em março de 1979, o metrô possui uma espécie de “pré-história” pouco conhecida. Uma pequena legenda antes para entender certos termos usados no texto:

– Metrô: modal de trem urbano que trafega no tecido da metrópole

– METRÔ (com maiúsculas): abreviação de Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro, a empresa pública que construiu e operou o metrô de 1968 até 1998.

Desde meados dos anos 1930, já se cogitava a introdução do modal metrô na cidade do Rio, que era a mais populosa do país ( já possuía mais de 1 milhão e 200 mil de habitantes desde os anos 1920). O sistema de bondes era talvez o maior do mundo e também dos mais lotados e os velhos veículos elétricos já não davam conta da demanda.

Apesar de vários estudos relativos ao metrô terem sido realizados nos anos 1930 a 1950, nenhum deles vingou. Podemos dizer que o embrião do metrô do Rio surgiu mesmo em 1966, no governo Negrão de Lima, que criou o Grupo de Estudo do Metropolitano do Rio de Janeiro. Em agosto de 1966, após um relatório do Grupo de Estudo indicar o atraso do Rio em possuir seu metrô, é criada a Comissão Executiva do Metropolitano do Rio de Janeiro – CEPE, que ficaria responsável por contratar empresas com capacidade técnica de elaborar todo um traçado, operação, cronogramas, estudos de custo e urbanísticos relacionados a implantação do modal metrô na cidade do Rio de Janeiro.

Em 1967 a CEPE lança o edital para que empresas internacionais apresentem suas propostas de elaboração de um Estudo de Viabilidade do metrô. Em junho a CEPE considerou classificado em primeiro lugar o consórcio liderado pela Companhia Construtora Nacional, composto por mais duas firmas alemães: Hochtief e Deconsult.

1968 é um ano crucial para o futuro do metrô. Com o desenvolvimento dos trabalhos da CEPE, os membros da comissão julgaram ser então oportuna a transformação do órgão em algo mais adequado a fase de obras que estava por vir. Então foi submetido à apreciação do Poder Legislativo, um projeto de lei autorizando a criação da Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro – METRÔ.

Em outubro é criada a PAAL – Projeto Arquitetos Associados Ltda, formada pela equipe de arquitetos autores do Projeto Básico de arquitetura da Linha 1, apresentados no Estudo de Viabilidade de 1968. Após a criação da Companhia do Metropolitano – METRÔ , a PAAL foi a responsável pela elaboração dos projetos de arquitetura do modal, além da fiscalização das obras. A equipe também foi responsável pela execução dos Projetos de Comunicação Visual de toda a rede.

Em termos administrativos do modal metrô, temos então a seguinte evolução:

Grupo de Estudos do Metropolitano (1966) —> Comissão Executiva do Metropolitano do Rio de Janeiro – CEPE (1967-1968) —> Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro – METRÔ (1968-1998) (os digamos “restos mortais” da antiga Companhia do Metropolitano, hoje se chama Rio Trilhos)

Em dezembro de 1968 é realizada no Palácio Guanabara, a Assembleia Geral, presidida pelo então governador do Estado da Guanabara, Francisco Negrão de Lima, criando então a Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro, quando são aprovados os Estatutos Sociais, eleição da primeira diretoria e dos membros do conselho Fiscal e Consultivo. No dia 13 de dezembro de 1968, é entregue o Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica do Metropolitano, elaborado pelo Consórcio Hochtief Montreal Deconsult. Um pesado livro de 581 páginas (vide foto abaixo) O estudo conclui que para o período de 20 anos (1970 a 1990) era necessária a implantação de duas linhas, que deveriam constituir, em conjunto com a rede ferroviária suburbana (hoje chamada de Supervia), a espinha dorsal do sistema de transporte coletivo de massa da Guanabara e da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

A Linha 1, com 37 km, ligaria a Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, até Jacarepaguá, passando pelos bairros de Copabacana, Botafogo, Centro, Tijuca e Meier. A Linha 2, com 30 km, partiria de Niterói, atravessando a baía em túnel sub aquatico, cruzando a Linha 1 no Largo da Carioca e no Estácio, se dirigindo à Pavuna, passando pela Praça da Bandeira, Triagem e incorporando o leito abandonado da Estrada de Ferro Rio d ́Ouro. O Estudo também admitia, numa fase posterior, a criação de uma terceira linha, com 21 km de extensão, ligando o sul de Jacarepaguá à Penha, passando por Madureira e Irajá. (Vide foto abaixo).

A Linha 1 teve um trecho menor chamado de Linha Prioritária (vide imagem de fundo verde abaixo), convencionado como o de imediata implementação. Esse trecho seria da Praça Saens Pena até a Praça Nossa Senhora da Paz, passando pelo Centro, Botafogo e Copacabana, e, segundo o cronograma do Estudo de Viabilidade, deveria ser inaugurado em 1975. (Como sabemos, apenas um pequeno pedaço de Glória até Praça Onze foi inaugurado. E somente em 1979)

O cronograma estabelecia que até 1980, o metrô deveria estar ligando Jacarepaguá a Ipanema via Tijuca e Triagem até o Castelo (Barcas) [A Linha 2 só viria a ser inaugurada em 1981 e somente de Estácio ao Maracanã… o metrô nunca chegou em Jacarepaguá, e nem no Castelo]. O mesmo cronograma dizia que em 1990 o metrô ligaria Pavuna até Niterói (na Pavuna só chegou em 1998 e Niterói… está há 30 anos esperando o metrô! ).
(Veja o cronograma de 1968 na imagem abaixo)

Ou seja, dos 88 Km de rede que o metrô projetou em 1968 e que deveríamos ter nos anos 1990, estamos em 2019 e temos somente 50 Km. Em 1968, quando foi elaborado o Estudo de Viabilidade do metrô, a população do Rio era de aproximadamente 3,5 milhões, hoje a estimativa do IBGE é de 6,7 milhões.

Caso queiram ver mais detalhes dessa história recomendo a fonte utilizada: Link

Na próxima postagem teremos o inicio das obras (a partir de 1971) e os primeiros anos de operação do metrô (a partir de 1979)

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