Estação Gávea – Metrô ioiô

Após o governador do Estado do Rio de Janeiro ter anunciado que o buraco cavado para a construção da Estação Gávea seria aterrado, e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) ter entrado com uma ação civil pública para que as obras da Linha 4 do metrô fossem retomadas, um novo capítulo deste imbróglio.

No fim de setembro, o governador Wilson Witzel recuou e afirmou um dos principais entraves para a continuidade das obras — a falta de recursos — seria solucionado utilizando-se dinheiro recuperado da Lava-Jato e parte da arrecadação dos royalties do petróleo.

Urbe CaRioca

 

Conclusão da Estação Gávea do metrô não deve ficar só na promessa

Witzel disse que obra pode ser retomada ainda este ano com dinheiro da Lava-Jato e dos royalties

O Globo – 06 /10/2019

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Consegue-se ver alguma luz nos buracos inacabados da Linha 4 do metrô (Ipanema-Barra). No dia 27, o governador Wilson Witzel afirmou que pretende retomar, possivelmente ainda este ano, as obras da Estação Gávea, interrompidas em 2015.

Trata-se de um bem-vindo recuo em relação ao que ele próprio defendera um mês atrás, quando propôs aterrar a estação. A ideia era contornar um problema técnico — o buraco ameaça a estrutura de prédios vizinhos, inclusive o da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ) — e um fiscal, já que o estado, em crise, não tem recursos para concluir o projeto, que demandaria cerca de R$ 1 bilhão.

A notícia gerou uma onda de protestos, especialmente de moradores da região, que lutaram para que o trecho até a Gávea fosse incluído na Linha 4, um dos legados da Olimpíada do Rio. Mas não só por isso. Como cerca de 40% das obras já haviam sido executados, a solução proposta pelo estado significaria soterrar dinheiro do contribuinte.

Seria mais um erro na sucessão de equívocos que percorrem os túneis da Linha 4 do metrô, obra que custou cerca de R$ 10 bilhões, de longe a mais cara do pacote olímpico. Segundo investigações do Ministério Público, a linha já nasceu torta. Apesar do custo estratosférico, não houve licitação — o estado alegou que o projeto fora licitado em 1998, durante o governo Marcello Alencar. O trajeto, no entanto, era outro, partindo de Botafogo, e não de Ipanema, como o que foi de fato executado. A mudança teria encarecido a obra — o Ministério Público apontou um sobrepreço de cerca de R$ 3 bilhões.

De fato, a solução mais sensata neste momento é retomar a construção da Estação Gávea, para que a obra, já iniciada, beneficie a população, evitando mais desperdício de dinheiro público.

Um dos principais entraves — a falta de recursos — seria solucionado utilizando-se dinheiro recuperado da Lava-Jato e parte da arrecadação dos royalties do petróleo, segundo o governador.

Pode ser um caminho viável para levar o metrô à Gávea, como prometido há anos aos cariocas. Num primeiro momento, a obra geraria empregos, o que é positivo num cenário em que a economia patina. Quando pronta, ofereceria mais uma opção de transporte à cidade, acrescentaria passageiros à Linha 4, hoje ainda subutilizada, e tiraria carros das ruas, aliviando o tráfego.

Se os túneis da Linha 4 foram usados como propinodutos para desvio de dinheiro público, que se punam os responsáveis pela roubalheira — alguns, inclusive, já estão encarcerados. Mas a população não pode pagar a conta desses malfeitos. Portanto, espera-se que desta vez cumpra-se a promessa e que, ao menos na construção de seu último trecho, a Linha 4 siga no rumo certo.

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