Cobal Humaitá e Leblon – abaixo-assinado pede manutenção das atividades

Após algum tempo esquecidos, os imóveis da Cobal voltaram à berlinda. Recentemente foi anunciado  que o governo federal avalia se desfazer dos terrenos onde funcionam atualmente as unidades do Humaitá e a do Leblon.

Diante das análises deste site urbano-carioca é impossível os espaços atualmente ocupados pela Cobal do Humaitá e pela Cobal do Leblon não serem de interesse do mercado imobiliário. Tampouco que os governos federal e estadual descartem a possibilidade de fazer caixa com a venda dos mesmos, considerada, evidentemente, a construção de condomínios de edifícios nos terrenos, amplos e situados na cobiçada Zona Sul da Cidade do Rio de Janeiro.

É o que nos mostram diversos antecedentes, bem como as recentes vendas do terreno do Segundo Batalhão da PM, em Botafogo, a tentativa de vender o antigo e histórico QG dos Barbonos – atual Quartel General da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro – e a venda, também pelo Estado, do terreno onde funcionou a antiga Companhia Ferro-Carril Jardim Botânico, no bairro do Flamengo. No primeiro e no último já foram erguidos edifícios altos, muito embora áreas livres, praças e jardins fossem bem-vindos e melhores para a os moradores e qualificação – da vizinhança e da cidade como um todo. A Prefeitura também também tem vendido à iniciativa privada imóveis Próprios Municipais a até mesmo áreas públicas destinadas aa lazer e jardnis

Do mesmo modo, o imenso terreno da UFRJ em parte do qual funcionou o Canecão, está sendo objeto de estudos para futura oferta à iniciativa privada.

É evidente que imóveis que não mais interessem aos governos possam ter outra serventia. Também é de se reconhecer que as construções onde funcionam as “Cobal” estão deterioradas, sujas, e necessitam de uma reforma ou renovação. Por outro lado, são prédios relativamente baixos que configuram espaços aéreos livres e iluminados nos bairros respectivos, o que precisa ser mantido. Porém, as prioridades de todo estadista deveriam ser o bem da cidade e o melhor para a sua população. Ao que parece essa categoria anda em falta no Rio de Janeiro. Resta ficarmos atentos ao destino que se pretende dar àquelas áreas.

Abaixo, a matéria publicada no jornal O Globo sobre o movimento promovido pelos moradores contra o término das atividades na Cobal do Humaitá e do Leblon.

O abaixo assinado está à disposição no:
– Café de VERAS
– Las Brutas

Urbe CaRioca

Moradores fazem abaixo-assinado contra fim de atividades na Cobal do Humaitá e do Leblon

Com o lema “Tire o olho! Ela é nosso quintal!, associações organizam abraço simbólico no próximo sábado

Moradores circulam pelos corredores da Cobal do Humaitá Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo

Após o anúncio de que o governo federal avalia se desfazer dos terrenos onde funcionam atualmente a Cobal do Humaitá e a do Leblon , os comerciantes dessas áreas prometem resistir para não deixar atividade morrer. Para isso, eles estão buscando apoio de clientes, de moradores e de políticos. Durante a 9ª Festa da Primavera , no sábado, as associações de moradores do Humaitá e de Botafogo começaram a passar um abaixo-assinado que já conta com 1,5 mil adesões.

A intenção é coletar o maior número de assinaturas no documento que será encaminhado para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que administra os dois complexos, para parlamentares e autoridades das três esferas de governo. A mobilização não para por aí. No próximo sábado, às 10h, está programado um abraço simbólico à Cobal

— Queremos mostrar com o abaixo-assinado que o povo do entorno quer que a Cobal mantenha a função que ela tem hoje, de espaço de convivência cultural e gastronômica . Queremos o máximo de público para mostrar que a Cobal é um espaço de afeto do bairro e não vamos deixar que ela seja destruída — defendeu Regina Chiaradia, presidente da Associação de Moradores de Botafogo (Amab) .

A campanha pela resistência da Cobal terá botons, banners e cartazes com os dizeres “Tire o olho! Ela é nosso quintal!”. A preocupação dos dirigentes das duas associações é que que o terreno onde atualmente funciona o complexo caia nas mãos do mercado imobiliário e seja construído no local um prédio ou um shopping.

Cobal é sigla para a antiga Companhia Brasileira de Alimentos que, em 1990, foi absorvida pela Conab. As unidades do Humaitá e do Leblon faziam parte de uma estatal criada em 1962 pelo presidente João Goulart. A ideia era que os espaços funcionassem como entrepostos para venda de frutas e verduras, em um modelo chamado de hortomercado .

— A Cobal do bairro é a extensão de nossa casa. É o verdadeiro quintal do Humaitá e de Botafogo —defende Luiz Carlos Ferreira dos Santos, presidente da Amahu.

Carlos Eduardo Raposo, um dos sócios da Pizza Park disse que se surpreendeu com apoio que vem recebendo de clientes e das associações de moradores. Aos 78 anos, ele é um dos comerciantes mais antigos da Cobal do Humaitá, onde chegou logo após a inauguração em 1971 e abriu um açougue. Ele entende que não é papel do governo administrar um imóvel, mas teme que o complexo vá para as mãos da iniciativa privada e sua atividade atual seja desvirtuada. Nesse caso, ele sugere que o espaço seja oferecido aos próprios comerciantes que já têm negócios lá.

— Que se abra uma linha de crédito, a gente compra e administra — sugere, acrescentando que o espaço que possui cerca de cem lojas e boxes, dos quais 15 estão fechados, geram mais de mil empregos diretos e cerca de 4 mil indiretos.

Frequentador do espaço, o universitário Alexandre Marinho, de 30 anos, diz que conheceu o local ainda criança levado pelos pais. Ele contou que o lugar virou um ponto de encontra dele e seus amigos.

— Além de ser um lugar de compras é também um espaço de convivência. Aqui a gente encontra os amigos e combina os nossos programas. É um espaço importante para o bairro — afirmou.

Esvaziamento no Leblon

No Leblon, a Cobal sofre com o esvaziamento. Mais da metade das cerca de cem lojas e boxes estão fechados, por conta de dívidas acumuladas de aluguéis e contratos que não foram renovados. Clientes como a advogada Silvia Fidalgo, de 52 anos lamentam a situação atual do complexo.

— Não existe variedade de produtos, porque muita lojas fecharam e umas poucas estão sobrevivendo. Isso é ruim para o mercado. Todos sofrem: os lojistas, funcionários e a clientela. O ideal é que tivesse mais investimento. É triste chegar aqui e encontrar esse vazio e a incerteza nos rostos dos funcionários e não saber por que tudo isso está acontecendo — lamenta a moradora de Ipanema, que sai do bairro vizinho pelo menos uma vez na semana para fazer compras na Cobal do Leblon.

Para a Conab, o plano original foi desvirtuado, já que parte dos terrenos é ocupada por restaurantes e bares. Porém, comerciantes defendem que o que houve foi na verdade uma adaptação aos novos tempos.

Assim como os comerciantes do Humaitá, para os do Leblon o cenário atual é cercado de incertezas. Todos estão na expectativa do que vai acontecer e também estão buscando apoio para resistir. A Ceasa, órgão ligada à Secretaria estadual de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento, assim como a Fecomércio RJ já manifestaram interesse no complexo . Para alguns comerciantes, que temem a venda do espaço para a iniciativa privada, ambas podem ser boa solução.

— A gente quer que quem venha tomar conta respeite nossos contratos e abra as lojas que estão fechadas. A gente quer ouvir as propostas — cobrou Gil Pirozzi, de 56 anos que começou na venda de frutas ainda adolescente e hoje é dono de uma delicatessen.

Ele contou que os comerciantes já tiveram reuniões com a Fecomércio, que a seu ver pode contribuir com serviços necessários, como curso de manipulação de produtos e uma padaria escola, que atenderia também a população vizinha. João Maximino, de 55 anos, dono de um hortigranjeiros, e Gabriel Dias, de 64 anos, que comanda um açougue acreditam que uma boa saída seria a gestão pela Ceasa.

— A Ceasa é a melhor solução, além de já ter tido uma experiência bem-sucedida de administração desse espaço no passado — aponta Gabriel Dias.

Os dois complexos —Cobal do Leblon e do Humaitá — são administrados pela Conab. Mas, para a empresa pública, os empreendimentos não são rentáveis à União, além de alegar também que os contratos são complexos. Entre as opções sobre a mesa, estão repassar a administração para a prefeitura do Rio ou para o governo do estado. Também há a possibilidade de revisão dos contratos para entregar as áreas à iniciativa privada. A presidente da Associação de Moradores do Leblon, Evelyn Rosenzweig, defende a última possibilidade, desde que não seja para erguer um espigão no lugar.

— O estado e prefeitura não cuidam nem dos hospitais, das pracinhas ou do asfalto das ruas. Como vão cuidar de uma coisa dessa? A tendência é o fracasso. Devemos ter a serenidade de escolher o que é melhor para todos. O poder público já demonstrou que não tem competência. Tem que ser um mercado bacana. Não tem que ter medo disso — disse, acrescentando que há a proposta de um grupo privado em explorar o espaço e criar ali algo parecido com o Mercado San Miguel, em Madrid, na Espanha.

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