Zona Portuária começa a deslanchar

Nos últimos meses, mudanças na Zona Portuária do Rio de Janeiro têm renovado a expectativa em relação à revitalização da região e ao aumento de sua atratividade às atividades de negócio.

Edifícios comerciais – No início deste semestre, o Grupo Bradesco Seguros inaugurou sede na região do Porto Maravilha em um prédio que concentra mais de três mil funcionários e colaboradores da companhia, e conta com certificado internacional de sustentabilidade, ambientes abertos e bem iluminados.

O novo prédio fica na zona portuária carioca (Foto: Divulgação)

Neste mês, foi noticiado que Enel Brasil, um dos maiores grupos do setor elétrico brasileiro e que atua nos segmentos de distribuição, geração, transmissão, comercialização e soluções de energia, a partir do primeiro semestre de 2021, mudará sua sede para o Rio de Janeiro, também na região.

Roda-gigante – Em breve também será inaugurada a roda-gigante “Rio Star”, na Zona Portuária do Rio de Janeiro. Felizmente não foi foi instalada na Enseada de Botafogo, próximo ao Morro do Pasmado, inadedequado do ponto de vista paisagístico e perda de oportunidade para levar animação a outros bairros do Rio.

O equipamento, que  chama a atenção de quem passa pela Via Binário e pelas ruas da região, promete ser uma grande atração turística, ocupando uma área de 2560 m² e medindo 88 metros. Há expectativa de que receba um milhão de pessoas todos os anos.

Gastronomia, turismo e cultura – Os jovens cariocas, especialmente os da Região Portuária, também ganharão a possibilidade de estudar gastronomia ou fazer cursos técnicos nos segmentos de turismo e cultura, já que uma grande âncora de turismo e lazer atracará na Praça Mauá; o Mercado do Porto Carioca, que tem como responsável pelo projeto o empresário Marcelo Torres, com investimentos de R$ 45 milhões em 6 mil metros quadrados de um complexo cultural, artístico, gastronômico e educacional.

Somado a isso, o jornal O Globo publicou nesta quinta-feira, dia 31, matéria sobre o anúncio do secretário estadual de Cultura sobre a revitalização da Estação Leopoldina, há anos abandonada e em estado deplorável. A promessa inclui a inauguração  de um Museu do Trem e atividades culturais abertas ao público. (Veja mais detalhes abaixo).

Impasses – Apesar das boas notícias, a região portuária ainda lamenta questões que têm travado o seu desenvolvimento, a exemplo de disputas com a Prefeitura que emperram serviços de empresas que firmaram Parcerias Público-Privadas.

O carioca ficou meses sem poder usar uma das linhas do VLT, que estava pronta sem entrar em operação porque o município discordava dos termos da concessão firmada. Representantes de concessionárias dizem que a relação das empresas com a Prefeitura tem sido confusa devido ao excesso de interlocutores. Em três anos, só a Secretaria de Transportes teve cinco titulares.

Outra questão se refere ao fato de a Prefeitura não conseguir chegar a um acordo com a Caixa Econômica Federal, que faz a gestão do Fundo Imobiliário que deveria financiar as obras e a manutenção da região do Porto Maravilha. As intervenções de urbanização estão paradas há mais de dois anos. Com isso, a concessionária Porto Novo recebe verba apenas para cuidar da sinalização e dos túneis Marcello Alencar e 450.

Esperamos que tais obstáculos sejam banidos em breve. O Rio de Janeiro precisa.

Urbe CaRioca 

Estado refaz projeto de revitalização para a Estação Leopoldina orçado inicialmente em R$ 7 milhões

Secretário de Cultura, Ruan Lira, promete salvar espaço do abandono
Mariana Teixeira*

O Globo – 31 de outubro de 2019

A Estação Leopoldina, construída em 1926, está abandonada: pichações e mau cheiro no entorno Foto: Brenno Carvalho / Agência O GLOBO

RIO —  Sem receber passageiros desde 2002, a Estação Leopoldina, construída em 1926, poderá ganhar vida nova. O secretário estadual de Cultura, Ruan Lira, promete revitalizar o espaço, que também deverá abrigar um Museu do Trem e atividades culturais abertas ao público. A imponente construção, tombada pelo Iphan e pelo Inepac, ainda se destaca na Avenida Francisco Bicalho, uma das principais vias do Centro, mas sua beleza está ofuscada pelo abandono.

Lira explica que pretende buscar patrocínio via Lei Rouanet e Lei Estadual de Incentivo à Cultura:

— A Secretaria de Transporte está atualizando o custo da revitalização, que era de R$ 7 milhões. Depois, vamos atrás da verba.

Ainda de acordo com o secretário, até o fim deste ano, os projetos estarão prontos. A previsão é que as obras possam começar a partir do primeiro semestre de 2020.

Hoje, até mesmo a rede de proteção que cobre o prédio está em mau estado. A fachada está cheia de pichações e, próximo ao portão, há garrafas de vidro espalhadas pelo chão e um forte cheiro de urina.

O edifício principal pertence à Superintendência de Patrimônio da União (SPU) e ao governo do estado. Já as estações de trem, na parte de trás, são da SuperVia, empresa responsável pelos trens urbanos do Rio. A concessionária informou que apoia a iniciativa e faz a manutenção de rotina da gare (piso de embarque da estação) e do pátio com quatro plataformas de embarque.

Devido à negligência do poder público, o Ministério Público Federal entrou com uma ação em 2010 para obrigar os responsáveis a restaurarem a estação já que o imóvel corre riscos de desabamento e até de incêndio. Nove anos depois, nada foi feito.

— Eu entrei com a ação pedindo obras emergenciais e ninguém tomou uma providência. Só adotam medidas paliativas, como aquela lona que já está toda rasgada. Também retiraram uma estrutura que estava despencando. Em todos esses anos, apenas isso foi feito — afirma o procurador da República Sérgio Suiama.

No ano passado, o estado chegou a firmar um termo de compromisso com o Tribunal de Justiça, que recuperaria a Estação Leopoldina para ocupá-la com departamentos do órgão. Mas, segundo a Secretaria de Transportes, houve desistência. O TJ confirmou que vai abrir mão da cessão após considerar que não compensaria fazer o investimento.

* Estagiária sob a supervisão de Leila Youssef.

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