Concurso de projetos para Complexo da Maré com soluções de arquitetura e design terá prêmios de até 3 mil euros

Promovido pela União Internacional dos Arquitetos (UIA) junto ao Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), o Concurso Internacional de Ideias Maré-Cidade, premiará projetos com soluções inovadoras de arquitetura e design urbano que visem integrar as favelas do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, ao seu entorno, levando em conta os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). As inscrições estão abertas até 30 de março.

O concurso é parte do 27º Congresso Mundial de Arquitetos (UIA2020RIO), que ocorrerá de 19 a 23 de julho na capital fluminense.

Urbe CaRioca

Concurso de projetos para Complexo da Maré terá prêmios de até 3 mil euros

Fonte: Gazeta do Povo

Complexo da Maré

Pensar a estrutura de uma grande metrópole brasileira e propor soluções para um dos maiores desafios do planejamento urbano na atualidade: a integração das chamadas “áreas precárias” à cidade. Esta é a proposta do Concurso Internacional de Ideias que convida estudantes de Arquitetura a enviarem projetos de recuperação de uma área adjacente ao Complexo da Maré, na cidade do Rio de Janeiro.

A competição é capitaneada pela União Internacional dos Arquitetos (UIA) e pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), com a colaboração do Observatório de Favelas. Estudantes de Arquitetura podem se inscrever até 30 de março e enviar, até o dia 30 de abril, propostas de projetos que podem ser assinadas por um ou mais alunos, com orientação de um professor ou tutor.

O objetivo é incentivar jovens talentos a pensar soluções inovadoras de intervenções arquitetônicas e de design urbano para integrar a Maré à cidade, de forma a contribuir para alcançar um dos objetivos da ONU (Organização das Nações Unidas) para o desenvolvimento sustentável – o nº 11, para tornar as cidades mais inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis.

De acordo com Fabiana Izaga, secretária geral do Comitê Executivo do Congresso, responsável por atividades para estudantes no UIA2020RIO (Congresso Internacional dos Arquitetos, que neste ano terá sede no Rio de Janeiro), o concurso contempla o eixo da Avenida Brasil, via estruturante para acesso à cidade do Rio de Janeiro.

Foto: Divulgação/UIA

“Toda essa área hoje está, de certa forma, disponível para uma requalificação, que envolve várias problemáticas. E de alguma forma ela retrata uma questão das grandes cidades brasileiras, a da desigualdade social, de uma área muito carregada de ônibus que dá acesso ao centro principal e que reúne características que achamos interessantes para discussão dos estudantes”, explica Fabiana.

O Complexo da Maré engloba atualmente 16 favelas e tem entre 100 mil habitantes, de acordo com o mais recente censo do IBGE, mas um censo interno realizada pelas associações ligadas ao Observatório de Favelas aponta que população já tenha passado dos 140 mil. Toda a complexidade da região torna o espaço especialmente interessante e desafiador para projetos de urbanismo.

“A Maré é uma favela importante e reflete uma característica urbana da cidade do Rio de Janeiro, onde as favelas estão em toda a parte, não estão em anéis periféricos. Essa particularidade é um desafio para os estudantes, é como se a gente tivesse essa questão das áreas informais sob uma lente de aumento”, sugere Fabiana.

“A Maré tem uma longa história de luta urbana por direitos, com a organização da sociedade civil. A potência cultural da Maré, sua localização, sua proximidade com o centro, o fato de estar cortada por três das principais vias da cidade, são outros motivos que levariam a pensar a Maré como um lugar interessante para o concurso”, justifica Lino Teixeira, coordenador de políticas urbanas do Observatório de Favelas.

Por se tratar de um concurso voltado para alunos dos cursos de arquitetura e urbanismo, os projetos vencedores não serão colocados em prática, mas podem inspirar e incentivar mudanças na região, de acordo com ele. “O objetivo é promover essa confluência de ideias para a Maré e seu entorno, trazer para o centro do debate da cidade, para dentro da academia, dos estudantes. Só de se ter a favela como recorte para um concurso de arquitetura para estudantes já é um fato muito potente”, acredita o coordenador.

Outro ponto destacado por ele, neste sentido, é a possibilidade de gerar novas formas de olhar para os complexos como o da Maré. “Historicamente, a favela é representada muito pelo estigma do que falta, da carência e da violência. Queremos evidenciar as potências que a favela tem. O concurso consegue trazer um ponto muito interessante que é o de pensar a cidade a partir da favela”, comenta.

Foto: Andrea Cangialosi/ Flickr

Sobre o concurso

O Concurso de Ideias é uma atividade tradicionalmente realizada em consonância com o 27º Congresso Internacional dos Arquitetos, promovido a cada três anos pela UIA. Neste ano, o evento tem como cidade-sede a capital do Rio de Janeiro, e acontece entre 19 e 23 de julho, com o tema “Todos os mundos. Um só mundo. Arquitetura 21”.

Serão concedidos três prêmios e três menções honrosas aos vencedores:

1º lugar: 3 mil euros (aprox. R$ 13,9 mil) + relógio Mido

2º lugar: 2 mil euros (aprox. R$ 9,2 mil) + relógio Mido

3º lugar: 1 mil euros (aprox. R$ 4,6 mil) + relógio Mido

Menção honrosa Demetre Anastassakis: certificado + relógio Mido

Menção honrosa Roberto Burle Marx: certificado + relógio Mido

Menção honrosa Luiz Paulo Conde: certificado + relógio Mido

O cronograma de inscrições e mais informações sobre o Concurso de Ideias estão disponíveis no site do UIA2020RIO.

*Especial para HAUS.

  1. Permitam-me corrigi-los:
    A primeira foto é de um morro no Centro do Rio, próximo a Central.
    A segunda foto é de um dos morros do Complexo do Alemão, posto que na foto está uma das estações do Teleférico, parado desde o fim da Rio 2016.

    1. Prezado Cad Miranda,
      Obrigada pela observação. No artigo original consta a legenda em uma foto da Favela da Maré, imagem que não reproduzimos no Urbe CaRioca. As demais são de outros locais, inclusive o Morro da Providência. Faremos a correção.
      Andréa Redondo

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