Inês é morta. E as árvores.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) ampliou o alcance de um inquérito civil para investigar o corte de mais de 70 árvores no terreno do antigo Colégio Bennett, no Flamengo, onde está prevista a construção de um condomínio residencial de alto padrão. A supressão da vegetação, ocorrida nos últimos dias, provocou reação de moradores da região e levou o órgão a incorporar o tema à apuração que já tramitava desde fevereiro de 2025. Com área de cerca de 15 mil metros quadrados, o terreno dará lugar a um dos maiores empreendimentos imobiliários lançados no bairro nas últimas três décadas. Inicialmente voltada à análise de possíveis danos ao Pavilhão São Clemente — imóvel histórico tombado pelo município —, a investigação agora também avalia os impactos ambientais e urbanísticos das intervenções no local, incluindo eventuais efeitos sobre a(Leia mais)

Mais árvores derramadas. Bairro: Flamengo

Diz o dito popular que não adianta chorar o leite derramado. Depois do Pão de Açúcar, do Jardim de Alah, e tantas outras barbaridades urbano-cariocas mencionadas no post “O serrote do prefeito que se diz ambientalista”, o noticiário e o protesto dos moradores ficam como registro de mais um ato do Prefeito Eduardo Dorian Gray Paes, que se diz verde. Urbe CaRioca Desmatamento no antigo Colégio Bennett leva moradores do Flamengo a protesto público Agenda Bafafá – Link original O corte de 71 árvores no terreno do antigo Colégio Bennett, no Flamengo, na Zona Sul do Rio, provocou reação de moradores e ativistas ambientais. Como resposta, está marcado para o próximo sábado, dia 10 de janeiro, às 9h, um ato público em defesa da arborização do bairro, na Rua Marquês de Abrantes, nº 55, local onde ocorreu o desmatamento. Entre(Leia mais)

O serrote do prefeito que se diz ambientalista

Depois do Jardim de Alah, do Buraco do Lume, do Parque do Flamengo — com as intervenções na Marina da Glória —, das áreas no entorno do Pão de Açúcar, da Praça Mauá e das obras do VLT no Centro, além de cortes recorrentes em praças e vias da Zona Sul e da Zona Norte, a lista de espaços públicos afetados por supressão de árvores e intervenções contestadas pela população só cresce. Agora, a serra louca chega ao bairro do Flamengo. Urbe CaRioca Moradores do Flamengo se revoltam com cortes de árvores centenárias no terreno do antigo Colégio Bennett A área de 15 mil m² dará espaço a um dos maiores empreendimentos residenciais já lançados na região nos últimos trinta anos Por Victor Serra – Diário do Rio Link original Moradores do bairro do Flamengo andam revoltados com os cortes(Leia mais)

O Rio que foi ao chão: 14 mil imagens revelam imagens raras do Rio de 1937 a 1945

Poucas cidades ousaram se reinventar com tanta brutalidade quanto o Rio de Janeiro ao longo do século XX. Em nome do progresso, da fluidez urbana e de uma ideia de modernidade que não admitia hesitações, bairros inteiros foram redesenhados à força, memórias foram soterradas e patrimônios históricos desapareceram sem direito a despedida. Durante décadas, esse processo foi contado quase sempre do ponto de vista oficial, com números frios, decretos e fotografias pontuais que pouco revelavam da dimensão humana, cultural e simbólica da transformação. Agora, o tempo devolve ao Rio uma parte essencial de sua própria história. A redescoberta de cerca de 14 mil fotografias raríssimas, produzidas entre 1937 e 1945 e guardadas por décadas no Arquivo Geral da Cidade, lança nova luz sobre a abertura da Avenida Presidente Vargas e sobre tudo o que foi destruído para que ela existisse.(Leia mais)

Estranhas desapropriações anunciadas

Prefeito quer usar o artifício aplicado no Edifício A Noite. Uma triangulação mal explicada. São confusas e recorrentes as notícias que afirmam “a Prefeitura desapropriou” ou “vai desapropriar”. Tais decretos municipais apenas ‘declaram o imóvel x de utilidade pública para fins de desapropriação”. Esta se efetiva com o pagamento aos proprietários do valor atribuído ao bem, o que ocorre – quando ocorre – após longo processo de negociação que pode se estender pelo prazo de 5 (cinco) anos. Há que saber se tais atos são sérios ou se o alcaide acende fogos de artifício para a plateia. Urbe CaRioca Paes quer desapropriar Fashion Mall e hotéis abandonados da Zona Sul Entre os imóveis citados pelo prefeito estão os hotéis Praia Ipanema e Intercontinental, ambos fechados e sem atividade há anos. Por Victor Serra – Diário do Rio Link original O(Leia mais)

Uma crônica anglo-brasileira, de João Carlos Pacheco

  O texto impecável do engenheiro e cronista João Carlos Pacheco provoca, nas entrelinhas, a pergunta que todo amante do idioma português faria. Se nosso idioma é belo, rico e soa bem, por que as propagandas do mercado imobiliário insistem em usar o inglês à exaustão? A possível ideia de aplicar um verniz de nobreza e alta categoria aos produtos resulta no avesso. Sugere que a falta de qualidades desejáveis – espaços amplos e confortáveis, boas ventilação e iluminação – precisa ser coberta de algum finesse, falso ou verdadeiro, não importa. Curiosamente, fosse nos United States of America, os marqueteiros bilíngues jamais apresentariam tais conjuntos como projects especiais. Lá, entre os termos usados para conjuntos de edificações, a expressão Housing Project é frequentemente usada para projetos de habitação social ou de grande escala. Sem glamour. Divirtam-se. Ou, melhor, have fun!(Leia mais)

Vendo o Rio: de novo

  Nosso, vosso prefeito fashion ataca outra vez. Em grande estilo apenas na quantidade. Mais de 300 imóveis municipais serão colocados à venda. Dinheiro que irá para o caixa aparentemente sem fundo, saco de filó – como dizia a avó –  que nada retém. Peneira a ser preenchida com impostos voadores porque dispensados, gabaritos voadores inexistentes que são atirados e se materializam na Zona Sul e na Barra da Tijuca, nesta, em especial, no trecho rebatizado de Sudoeste em busca de algum glamour e destaque dentro da Oeste tão maltratada. A lista é vasta. Em vários deles funcionam departamentos regionais de diversas Secretarias, que atendem a população vizinha mais próxima e dispensam o deslocamento até o Centro da cidade. Há mais barbaridades urbano-cariocas. O conjunto apresenta dezenas de “Lote x do PAL y”. Significa o lote (parte de uma área(Leia mais)

Da Granado ao glamour: casarões históricos ganham vida com o Mercado Central RJ

Excelente. Mais um exemplo do verdadeiro reviver, do que o Centro precisa. A Rua do Senado ganhou vida sem acréscimos de potencial construtivo e gabaritos lançados para Copacabana, Leblon, Ipanema, Jardim Botânico e Botafogo. Urbe CaRioca Rua do Senado ganha Mercado Central em antigos casarões da fábrica da Granado Diário do Rio – Link original O espaço surge como um novo polo gastronômico e cultural do Centro, apostando na ocupação contínua e no uso misto dos prédios restaurados Recentemente eleita pela revista Time Out como uma das vias mais cool do mundo, a Rua do Senado vive um bom momento no roteiro cultural do Centro do Rio. Entre a Lapa e a Praça Tiradentes, a área vem ganhando novos inquilinos que ajudam a sustentar o ‘hype’ do endereço, frequentado por um público fiel e que, aos fins de semana, ganha(Leia mais)

Aqui ninguém vai falar mal do Rio, mas…, de Joaquim Ferreira dos Santos

A crônica que este blog gostaria de ter escrito. Urbe CaRioca Aqui ninguém vai falar mal do Rio, mas… Tirem esses quiosques do caminho que eu quero passear com o meu amor Por Joaquim Ferreira dos Santos –  O Globo Link original A piada da semana foi o banheiro que alguém construiu ao lado de quiosques no mirante do Leblon. A prefeitura só descobriu quando ele, já ereto, todo pimpão, perfilava enfezado ao lado do Dois Irmãos e da Pedra da Gávea nos postais com o skyline da cidade. Botou-se abaixo o monstrengo sob o argumento de que era uma avacalhação com o cenário e, quando eu achei que iam aproveitar o ensejo para fazer o mesmo com os quiosques, eis que pararam o botabaixo. Boquiabri-me incrédulo. Quando vão perceber que a multidão de barracas e quiosques da orla cheira(Leia mais)

Metrô do Rio: as gambiarras continuam

Não bastando a Linha 1 espichada “pra Olimpíada” pelo prefeito Pinóquio junto com seus então aliados Sérgio Cabral e Lula pré-prisões (decisão perniciosa que gerou o aproveitamento de licitações proibidas e o inexplicável “bacalhau” na Estação General Osório), a Estação Gávea – que deveria ser ligada diretamente a Botafogo via Jardim Botânico e Humaitá), depois de parali$ada (= dinheiro público rasgado), volta à Berlinda. Podemos rebatizá-la de Estação Bumerangue. A reportagem de Luiz Ernesto Magalhães publicadano jornal O Globo esclarece porque o apelido faz sentido. Este blog pergunta se os passageiros serão corajosos o suficiente para entrar nos elevadores de alta velocidade com capacidade para 30 pessoas e percorrerem 52 m na vertical. Urbe CaRioca Metrô da Gávea: após remover água que encobria obra, estado retoma detonações para concluir estação Intervenções ainda devem levar três anos até que estação que(Leia mais)

Prefeitura do Rio: Entre a motosserra e o Compensômetro, de Sonia Rabello

Neste artigo, publicado originalmente no no site “A Sociedade em Busca do seu Direito”, a professora e jurista Sonia Rabello aborda a profunda contradição entre o discurso ambiental da Prefeitura do Rio e suas práticas recentes, destacando que embora o município divulgue com entusiasmo o novo programa de compensação ambiental — o chamado “Compensômetro” —, a medida soa mais como reação a uma longa série de decisões que provocaram danos significativos ao patrimônio natural e cultural da cidade. “Casos emblemáticos como os do Jardim de Alah, Parque do Flamengo, Pão de Açúcar, Gávea e Jacarepaguá revelam um padrão recorrente: autorizações de cortes de árvores e projetos de alto impacto aprovados sem diálogo público adequado, sem estudos de impacto e à revelia das proteções legais. Sustento que medidas compensatórias, embora importantes, não substituem a preservação real nem corrigem danos irreversíveis, especialmente(Leia mais)