O Palácio Gustavo Capanema, um dos maiores símbolos da arquitetura moderna brasileira e da vida cultural do Rio de Janeiro, prepara-se para recuperar uma parte importante de sua própria memória. Após cerca de quatro décadas, o restaurante histórico instalado no terraço do edifício deverá voltar a funcionar, reabrindo ao público um espaço que, entre as décadas de 1940 e 1960, serviu como ponto de encontro de intelectuais, artistas e funcionários públicos.
A retomada acontece após a ampla restauração do prédio e reforça a intenção de devolver ao Capanema não apenas sua arquitetura original, mas também o papel de espaço vivo de convivência e cultura no coração da cidade.
Urbe CaRioca
Palácio Capanema vai reabrir restaurante histórico no terraço após 40 anos
Espaço que foi ponto de encontro de intelectuais e artistas entre as décadas de 1940 e 1960 será retomado após restauração do edifício modernista
Por Victor Serra – Diário do Rio

Quem visita o recém-restaurado Palácio Gustavo Capanema, no Centro do Rio, em breve terá mais um motivo para voltar. O icônico restaurante, que funcionou por décadas terraço do edifício, será reaberto. O futuro operador ficará responsável por um salão de aproximadamente 600 metros quadrados e uma cozinha de 31 metros quadrados.
Segundo informações da jornalista Luciana Fróes, a concessão será feita por meio de licitação, prevista para começar nas próximas semanas. O espaço fica no 16º andar, de onde se tem vista para a Baía de Guanabara, a Ilha Fiscal, o Corcovado e a Ponte Rio-Niterói.
Entre as décadas de 1940 e 1960, o restaurante foi ponto de encontro de servidores, intelectuais e artistas que circulavam pelo então Ministério da Educação e Saúde. Um dos frequentadores mais conhecidos era o poeta Carlos Drummond de Andrade, que trabalhou durante anos no edifício. O espaço funcionou até a década de 1980, quando a laje do terraço foi transformada em área corporativa, passando a abrigar salas de trabalho.
Reforma devolveu características originais
Reaberto com toda pompa após uma ampla restauração financiada pelo Governo Federal, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o prédio estava fechado desde 2019. As obras, que beiraram os R$ 85 milhões, recuperaram elementos históricos e modernizaram a estrutura do edifício.
Além da recuperação das fachadas e das instalações, foram restaurados afrescos de Candido Portinari – entre eles Jogos Infantis Brasileiros, localizado no hall social – preservados os móveis originais, recuperados pisos, luminárias e esquadrias, além dos jardins projetados por Roberto Burle Marx.
A intenção do Ministério da Cultura, que ocupa alguns andares do prédio ao lado da Funarte, é ampliar o uso público do edifício, estimulando a permanência dos visitantes em um dos principais marcos da arquitetura moderna brasileira.
Projetado na década de 1930 por Lúcio Costa, Oscar Niemeyer e outros arquitetos modernistas, com consultoria de Le Corbusier, o imóvel é tombado pelo Iphan desde 1948.
