Neste artigo, o movimento “Metrô que o Rio precisa” destaca que a sensação de embarcar no metrô do Rio de Janeiro em 2025 é, para muitos cariocas, a constatação amarga de um declínio que parece ter se instalado sem resistência ao longo das últimas décadas. O sistema que um dia simbolizou modernidade, organização e eficiência transformou-se em um retrato fiel do abandono progressivo da cidade.
Para quem viveu os anos 1990 — ou para quem deixou o Rio nessa época e retornou agora — o impacto é imediato: basta dar alguns passos rumo às estações para perceber que algo se perdeu no caminho. Não se trata apenas de nostalgia, mas de uma constatação objetiva de que a qualidade do serviço despencou enquanto a tarifa subiu ao patamar mais alto do mundo.
A deterioração da experiência no Metrô do Rio
Metrô que o Rio Precisa

É realmente lamentável observar como a experiência de utilizar o metrô no Rio de Janeiro se deteriorou ao longo dos anos. Se alguém tivesse deixado a cidade nos anos 1990, passado três décadas fora e retornado em 2025, certamente perguntaria: “Que diachos fizeram com o metrô?”
Logo no acesso às estações, o cenário já surpreende negativamente: não é raro encontrar escadas rolantes paradas — estão imitando a Supervia? Em algumas estações, há inclusive pessoas em situação de rua ocupando as escadarias. Ao chegar ao mezanino, a poluição visual causada por excesso de lojas e placas coloridas transmite a sensação de entrada em um stand improvisado do camelódromo da Uruguaiana, e não em uma estação metroviária.
As bilheterias fechadas já denotam a falta de respeito com o passageiro. Você precisa recorrer a uma maquina de autoatendimento, que são lentas, nem sempre funcionam, não dão troco e na maioria das vezes com filas, já que são em número insuficiente para o fluxo de passageiros.
O antigo bilhete de papel, era rapidamente sugado pelo torniquete e abria a catraca em 2 segundos. Hoje esses QR code, como o do Jaé, cartão de crédito aproximação e demais cartões, são lentos, volta e meia travam na maquina, aumentando o tempo de travessia pelas linhas de bloqueio, aumentando as filas. Estamos em 2025 e não conseguem fazer um dispositivo para liberação de catraca mais rápido que um papel com uma linha preta no meio usado em 1979.
Na plataforma vem mais decepção, muita espera com intervalos de 6, 8 e pasmem 17 minutos (foto abaixo), contradizem toda a literatura técnica sobre intervalos de metrô e inclusive o projeto original, que foi previsto para operar com 90 segundos na Linha 1 e 100 segundos na Linha 2.
Com o alto tempo de espera, vem a superlotação, até mesmo em finais de semana ou horários que qualquer sistema de transporte no mundo anda mais vazio (horário de vale).
O metrô do Rio que já foi orgulho da cidade, principalmente pela limpeza, hoje tem sujeira e poluição visual para todo lado.
E a poluição é sonora também. Tocava música clássica nas estações, hoje é um barulho repetitivo, uma voz inexpressiva, descompromissada. Saudade da antiga voz do metrô da Cristiane George (in memoriam).
Durante o trajeto ainda temos as paradas no meio do túnel para “aguardar o trafego/ sinalização”, principalmente entre Botafogo e C. Arcoverde e também no trecho entre Central e Cidade Nova. Incomodo e atrasos frutos da gambiarra da junção das linhas 1 e 2, imposta em 2009 e que tanto a concessionária como o governo do estado insistem em manter, prejudicando todo o funcionamento do sistema.
Tudo isso pagando a tarifa de metrô mais cara do mundo (como já demonstrei aqui, em outra postagem).
O metrô acompanha toda a degradação que o Rio vem passando. E enquanto não houver o reconhecimento do erro, enquanto brasileiro ficar melindrado porque alguém de fora falou umas verdades, nada será corrigido.
