O Flamengo joga nas onze

Ah!!! O Gabarito. Sempre ele. É evidente que o uso pretendido é vedado pela finalidade a que se destina o imóvel, conforme aforamento citado na reportagem. Não é a primeira vez que o clube deseja construir um estádio atrelado a outras atividades comerciais, inadequado ao local, confluência de três bairros, apenas um “subúrbio” pouco habitado nos anos 1930. Há várias postagens neste blog a respeito. Não poderia ir adiante.

O clube voltou suas armas para São Cristóvão, um estádio de grande porte a ser construído mediante o beneplácito e a demagogia do prefeito. Bola fora.

No local agora visado mal se consegue transitar quando torcedores se reúnem para comprar ingressos e seguirem em caravana para o Maracanã.

Mais uma ideia infeliz, dourada com mentiras. Afirmar que a renda do hotel será destinada a atividades desportivas é balela.

A considerar os interesses do prefeito Eduardo Dorian Gray Paes, não nos surpreenderá se apoiar essa nova barbaridade urbano-carioca.

Resta ao Rio de Janeiro pedir piedade.

Urbe CaRioca

Sede do Flamengo terá hotel temático e ‘miniestádio’ na Gávea; projeto foi aprovado por Cláudio Castro

Imóvel pertence ao governo do RJ e exploração econômica só é aceita se ligada ao esporte

Por Lucas Guimarães — O Globo

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Sede do Flamengo, na Gávea — Foto: André Coelho / O Globo

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, autorizou oficialmente o projeto “Gávea Século XXI”, que prevê uma ampla reformulação da sede social do Flamengo, na Zona Sul do Rio. O aval consta em despacho publicado no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (13), com a expressão “autorizo na forma contida nos autos”, encerrando uma das etapas mais sensíveis do processo administrativo.

A decisão do governo estadual é central porque o terreno da Gávea pertence ao Estado do Rio de Janeiro e é cedido ao Flamengo por meio de aforamento desde a década de 1930, com uso restrito à finalidade esportiva. Qualquer intervenção que amplie ou modifique esse uso depende, obrigatoriamente, de autorização expressa do Executivo estadual — o que explica a tramitação do caso no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), sob o processo nº 150001/006080/2022, que correu em sigilo.

O projeto apresentado pelo clube prevê a construção de um hotel temático, museu, lojas, um miniestádio com capacidade para cerca de duas mil pessoas, estacionamento subterrâneo com mil vagas, além de novas quadras de tênis e poliesportivas.

Hotel é ponto central

O hotel é o elemento mais sensível do projeto e aquele que exigiu maior análise jurídica do Estado. No parecer que embasou a decisão do governador, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) concluiu que a construção é admissível desde que não descaracterize a finalidade esportiva do terreno e esteja integrada a um complexo cujo eixo central seja o esporte.

Segundo os documentos apresentados pelo Flamengo, o hotel não terá perfil convencional. A prioridade de uso será voltada para:

atletas do clube, de diferentes modalidades;
delegações visitantes, em competições realizadas na Gávea;
sócios e torcedores, especialmente os que vêm de fora do Rio;
e, de forma complementar, o público em geral, dentro de um conceito de experiência temática ligada à história e à identidade do clube.

O Globo apurou que o Estado aceitou o argumento de que o hotel funcionará como estrutura de apoio ao complexo esportivo, ao museu e aos eventos do Flamengo, e que as receitas geradas serão destinadas às atividades esportivas, condição considerada essencial para manter a validade da cessão do terreno.

Projeto antigo, agora destravado

O “Gávea Século XXI” foi apresentado originalmente em 2022, durante reunião do Conselho Deliberativo do Flamengo, quando o presidente era Rodolfo Landim. À época, o projeto foi detalhado pelo então CEO do clube, Reinaldo Belotti, com previsão de parcerias privadas e sem ônus direto para o caixa rubro-negro.

Desde então, a proposta passou por ajustes técnicos e jurídicos, ampliou seu escopo e ficou condicionada à análise do governo estadual. Atualmente, o Flamengo é presidido por Luiz Eduardo Baptista, o Bap, que herdou o projeto como um dos principais dossiês estratégicos da gestão.

Apesar da autorização do governador, o projeto ainda dependerá de licenças urbanísticas e ambientais, além de eventuais estudos de impacto de vizinhança, que ficarão a cargo da Prefeitura do Rio e de outros órgãos competentes. O despacho de Cláudio Castro, no entanto, remove o principal entrave político-administrativo: o uso de um terreno estadual para um complexo que combina esporte, turismo e exploração econômica controlada.

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