Antigo Automóvel Club: joia urbano-carioca sem destino

Em setembro de 2020, publicamos um post sobre mais uma tentativa de se dar destino à belíssima construção que abrigou o antigo Automóvel Clube do Brasil. O prédio já foi residência do Barão de Barbacena e sede da Sociedade de Baile Assembleia Fluminense, da Sociedade Cassino Fluminense, palco para o último discurso do então presidente João Goulart antes do golpe de 1964 e até mesmo locação para o filme “O Homem do Sputnik”.

O abandono persiste. Depois de algumas iniciativas e promessas não concretizadas a Prefeitura pretende vender o imóvel que é bem cultural tombado, no rol de 324 construções das quais quer se desfazer.

As imagens presentes no filme de 1959 , tendo como protagonista o famoso humorista Oscarito, mostram parte de um Rio de Janeiro que desejava pertencer ao Primeiro Mundo após a Belle Époque.

Confirma o paradoxo do prefeito Eduardo Dorian Gray o anúncio de estranhas desapropriações, também comentadas neste blog.

Urbe Carioca

Sem conseguir definir um uso, Prefeitura do Rio quer vender antiga sede do Automóvel Club

Imóvel tombado na Rua do Passeio entra na lista de bens que o município pretende alienar

Por Victor Serra – Diário do Rio

Link original

Automóvel Club Brasileiro — Foto Jonatha Sousa

Depois de não conseguir definir um destino para um dos endereços mais simbólicos do Centro do Rio, a Prefeitura decidiu colocar à venda a antiga sede do Automóvel Club do Brasil, na Rua do Passeio. O prédio histórico faz parte da lista de 324 imóveis que o município pretende alienar, após a aprovação de um projeto de lei enviado em regime de urgência pelo prefeito Eduardo Paes à Câmara Municipal.

Tombado como patrimônio estadual desde 1975 e fechado desde 2004, o edifício atravessou diferentes fases e sucessivas tentativas de reaproveitamento que nunca saíram do papel. Ao longo dos últimos anos, a prefeitura trabalhou com a hipótese de instalar no local um museu das energias, proposta defendida pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás. Também chegou a ser cogitada a transformação do imóvel em hotel, além da ideia de abrigar a sede da Bolsa de Valores do Rio. Em outra fase, o prédio chegou a ser apresentado como possível espaço para um hub voltado à economia verde e às finanças.

Nenhuma dessas iniciativas avançou. Mesmo com um contrato de restauro assinado no fim de 2022 entre a prefeitura e a empresa responsável pela revitalização, as obras seguem inacabadas. O prazo original, de 540 dias, foi sendo empurrado por aditivos sucessivos, e o prédio permanece sem conclusão até agora.

Antes de se tornar a sede do Automóvel Club do Brasil, em 1924, o prédio já havia abrigado o Cassino Fluminense e o Clube dos Diários. O espaço também entrou para a história política do país ao sediar, em 1964, o último comício do então presidente João Goulart antes do golpe militar.

Nos anos 2000, após um período de abandono, o edifício chegou a ser ocupado por um bingo, posteriormente desativado e adquirido pela Prefeitura do Rio.

Trecho do filme “O Homem do Sputnik” e que usou o Automóvel Clube do Rio como locação

Assista ao filme completo aqui.

Ficha Técnica:

Data: 1959 –  Local : Rio de Janeiro / DF / Brasil

Direção: Manga, Carlos – Produtor: Farney, Cyll

Companhia Produtora: Atlântida Empresa Cinematográfica do Brasil S.A.

Fotografia: Sermet, Ozen – Roteiro: Cajado Filho, José

Duração: 97min53seg – Gênero : Comédia

Elenco: Oscarito, Farney, Cyll, Macedo, Zezé, Aparecida, Neide, Perez, Alberto, Bengell, Norma, Helena, Heloísa, Ferreira, Hamilton, Soares, Joe, Gamboa, Geraldo, Labanca, João, Cristian, Diego, Tozzi, Luiz Gilberto, Viola, César, Braga, Ernesto, Montemar, Nestor, Nascimento, Abdias do, Pêra, Abel, Fregolente, Grijó Sobrinho, Gomes, Hilton, Pozzolli, Joméri, Galano, Laura, Acyr, Maria, Grey, Denys, Blanche, Riva, Roberto, Sergio, Tutuca

Leia também :

Vendo o Rio: de novo

Estranhas desapropriações anunciadas

Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *