Análise dos problema estruturais do BRT sob a ótica do movimento “O Metro que o Rio Precisa”

 

Superlotação é problema constante nos BRTs Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo

Nesta semana, o prefeito do Rio fez um apelo aos motoristas do BRT pedindo para que voltassem ao trabalho após uma paralisação que prejudicou a vida de milhares de pessoas. Eduardo Paes declarou que o sistema passa por um momento difícil e que são anos de abandono. Entretanto, especialistas em transporte público entendem que que o modal foi mal planejado desde a sua concepção, em 2012.

No artigo abaixo, o movimento “Metrô que o Rio precisa” descreve de forma minuciosa a relação entre o atual prefeito, as suas ações e o abandono do BRT.

Vale a leitura !
Urbe CaRioca

Publicado originalmente pelo Movimento “O Metrô que o Rio Precisa”

Buracos na pista do BRT Transoeste: corredor expresso foi construído com asfalto comum, que não resistiu ao peso dos ônibus Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

O atual prefeito está colhendo os frutos do que plantou em 2012, quando contrariando técnicos da área de mobilidade e os projetos originais do metrô, implantou em corredores estratégicos da cidade, um modal completamente inadequado à demanda.

O BRT nunca funcionou corretamente. O seu erro começa já na escolha do modal. São ônibus articulados, que seriam até bem vindos em muitas linhas da cidade, mas não em corredores de alta demanda que há décadas já possuíam necessidade de um modal verdadeiramente de massa.

Além disso foi mal construído. Estações pequenas, pistas frágeis e agora esburacadas, ausência de terminais, ausência de estacionamentos estratégicos.

No corredor TransOeste, faltou a construção do terminal Mato Alto, a Estação Magarça é muito pequena para a demanda. A estação Santa Cruz é extremamente subdimensionada, deveria ser um grande terminal de integração trem, BRT e ônibus comuns, porém é uma estaçãozinha estreita.

Da Estação Pingo D´Água até Santa Cruz os ônibus rodam misturados com o tráfego comum e as estações desse trecho são meros pontos de ônibus melhorados.

Fora o problema de a pista totalmente irregular, já que não fizeram uma pista específica para a passagem desse tipo de ônibus com cerca de 20m de comprimento e que, lotados, passam fácil das 30 toneladas.

No Corredor Transcarioca, apesar de ser de concreto, a pista está também esburacada, houve corrupção na obra e não colocaram a altura de concreto correta. Algumas estações que eram pra ser expressas, como Curicica e Via Parque, são menores que deveriam, os terminais são muito apertados, como o de Madureira, por exemplo. O trecho da Penha até o aeroporto Galeão foi uma gambiarra anexada ao projeto de última hora, passa até dentro de vila de casas, a 20km/h, o que baixa muito a velocidade média dos ônibus.

O Corredor TransOlímpico até hoje não tem conexão com o Corredor TransOeste pois falta uma obra de alça de acesso na Av. Salvador Allende, que foi paralisada há anos.

O BRT da Avenida Brasil é tão absurdo que precisaria de um livro apenas para descrever as barbaridades. A obra começou sem a prefeitura saber se tinha dinheiro pra terminar…

Soma-se a tudo isso, empresas que estão desde 2017, fazendo represália contra a Prefeitura, devido ao congelamento da tarifa que o prof. Mac Dowell, então vice-prefeito e Secretário Municipal de Transportes, instalou naquele ano (tendo em vista que nos anos anteriores – época de gestão anterior também de Eduardo Paes – a prefeitura concedeu aumentos acima da inflação com a justificativa de que “a frota seria 100% com ar condicionado”, o que não aconteceu.)

No governo do prefeito Marcelo Crivella, as empresas, por represália, ou sumiram com diversas linhas de ônibus comuns ou reduziram a frota do BRT. O próprio Eduardo Paes, novamente à frente do Executivo, agora admite sofrer também essa represália, e chamou de “operação tartaruga” por parte das empresas de ônibus.

É também inusitado que as empresas estejam reclamando de “falta de dinheiro” enquanto estão “enroladas” em processos e operações da polícia federal justamente por pagamento de propinas milionárias para políticos e agentes públicos.

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