Um passeio pelos cantos e encantos históricos de Jacarepaguá – Parte II, de Marcelo Copelli

Dando continuidade ao post “Um passeio pelos cantos e encantos históricos de Jacarepaguá – Parte 1”, reunidos pelo jornalista Marcelo Copelli, a segunda parte da uma série de informações que retratam, ao longo do tempo, curiosidades, menções de personagens reverenciados pelos principais logradouros, comentários e lembranças em um resgate à memória da região e da própria Cidade.

Boa leitura e bom passeio!

Urbe CaRioca

Capela de São Gonçalo do Amarante – Você conhece a Capela de São Gonçalo do Amarante, uma das mais antigas construções do Rio de Janeiro, localizada no alto da Estrada do Camorim? A “Igrejinha”, como é chamada pelos moradores da região, é um dos mais raros e importantes exemplos de arquitetura católica colonial rural na Cidade. Foi erguida por Gonçalo Correia de Sá, no ano 1625. Em 1667, sua filha Vitória de Sá doou a igreja ao mosteiro de São Bento. Nas primeiras décadas do século XVIII sofreu algumas modificações, a mais importante ocorrida entre 1795 e 1800, alterando seu volume e o espaço interno com a elevação do telhado da nave.

No século XX, a Igreja passou por uma fase difícil. A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro precisou intervir e realizar uma grande reforma de restauração. No ano 1965, a Igreja foi tombada pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

“Entre os anos 1970 e 1990, a Igreja chegou a ficar fechada por diversos momentos. O esforço da comunidade local colaborou muito para que tudo voltasse a funcionar normalmente”, pontua o historiador Maurício Santos. No período de 1996 a 1999 foram executadas obras de restauração por iniciativa da comunidade, com a supervisão do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), permitindo que a Igreja voltasse a receber missas e outros acontecimentos religiosos.

Bondes de tração animal – Vocês sabiam que em março de 1875, o acesso de Jacarepaguá para a estação do trem melhorou bastante, com a implantação dos bondes de tração animal, que partiam de Cascadura e atravessavam o Vale do Marangá, pela antiga Estrada de Jacarepaguá, atual Rua Cândido Benício ? Primeiramente, os bondes ligavam Cascadura ao Tanque. Depois, houve prolongamentos para a Freguesia e Taquara. Na época dos bondes puxados a burro, a vegetação do Vale do Marangá (Praça Seca) era muito espessa, e o clima bastante frio. Inclusive, no inverno, em todo o trecho da Estrada de Jacarepaguá, o nevoeiro era tão denso que nas manhãs, mesmo com sol, era difícil ver do bonde as pessoas na calçada. Na época, quem dirigia o bonde era chamado de cocheiro. Ele conhecia os horários dos habitantes da região, parava nas portas das casas, tocava a sineta e esperava o passageiro chegar.

Café Creme – O final da década de 70 foi marcado pela febre da Disco Music e muitos jovens na época foram embalados pelo sucesso das discotecas. O ritmo dançante tomava conta das pistas mais disputadas, inclusive a região da Freguesia, com a famosa e muito frequentada Café Creme. O point ficava na descida da serra e funcionou até o início da década de 80. Além dos moradores do bairro, vinha gente da Barra da Tjuca, da Zona Sul e adjacências. As noites de sábado e as tardes de domingo ficaram na lembrança de toda uma geração. Abaixo, o registro desta juventude das discotecas na década de 80. Agradecimentos ao autor do vídeo Fernando José Nogueira Lopes.


Anil –  A região do Anil tem a sua origem no fato de no local terem existido arbustos nativos, cujos frutos eram o anil. As anileiras da região eram de alta qualidade. Por esse motivo, houve grande aceitação do corante na Europa. O anil era transportado pelo rio que hoje tem esse nome até a Barra da Tijuca, e dali ao porto do Rio de Janeiro, para ser embarcado em navios para Europa. A cultura do anil nessa parte de Jacarepaguá durou até o século XVIII. Depois, a região foi tomada por plantações de café. No século XIX, havia na localidade a próspera fazenda do Quitite, cujo dono era o cafeicultor Marcos Antonio Deslesdenier. A estrada do Quitite era uma das vias no interior da propriedade. Na década de 1960, quando exercia o cargo de presidente da República, João Goulart possuía casa de veraneio no local. A casa era conhecida como “Sítio Capim Melado”. Hoje o local é um condomínio fechado, mas a casa principal do sítio, toda feita de pedra, ainda existe.

Foto: Analice Paron

Hospital Cardoso Fontes – Você sabia que o local onde hoje se encontra o Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, era a Fazenda Cantagalo ? O Hospital Geral de Jacarepaguá (Cardoso Fontes) foi construído na década de 1940 pelo Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Bancários. Funcionou durante muitos anos como sanatório para tuberculosos. O nome do hospital é em homenagem ao Dr. Antônio Cardoso Fontes, bacteriologista brasileiro que se destacou no combate à tuberculose.


Rio Banca da Velha – A esquina da Avenida Geremário Dantas com a Rua Edgard Werneck abrigou, até 1999, um prédio com lojas que vendiam diversos produtos e a mais famosa venda desse prédio pertencia ao comerciante Juca do Rio, nome pelo qual a localidade era conhecida até meados do século passado. No início do século XIX, essas mercadorias chegavam ao comércio local em embarcações através do Rio Banca da Velha, um corpo d’água de 6 quilômetros de extensão que atravessa os bairros da Cidade de Deus e da Freguesia, indo desaguar na Lagoa do Camorim. O rio tem esse nome curioso em decorrência da existência de uma banca na qual uma senhora vendia areia retirada de suas margens.


Edgard Werneck Furquim de Almeida – Foi um engenheiro civil que viveu em Jacarepaguá entre o final do século XIX e início do XX. Após se formar na faculdade, ele passou a trabalhar na Estrada de Ferro Central do Brasil, sendo constantemente requisitado para resolver problemas em outras ferrovias brasileiras. Werneck foi covardemente assassinado quando descobriu um desfalque em uma estrada de ferro construída por uma empresa britânica em Pernambuco. O seu corpo foi sepultado no cemitério do Pechincha, em 1925.Por ser muito querido pela população de Jacarepaguá, ele recebeu duas homenagens na região: a Estrada Banca da Velha passou a ser chamada de Rua Edgard Werneck e a Terceira Escola Elementar Feminina também recebeu o nome do engenheiro assassinado. Edgard Werneck ainda foi homenageado fora do Rio de Janeiro. A estação ferroviária do município mineiro de Acaiaca chama-se Estação Furquim,em alusão a um dos sobrenomes desse querido e respeitado morador de Jacarepaguá.

Hino Nacional – O autor do Hino Nacional, Francisco Manuel da Silva (1795-1865), tinha um grande sítio em Jacarepaguá. O músico teria se inspirado no canto de um pássaro de sua chácara para compor o hino em 1831. Além de compositor, ele era regente, multiinstrumentista (dominando o violoncelo, violino, piano e órgão) e também professor. Foi um dos grandes compositores eruditos do Império, mas, também deixou uma importante contribuição para a nossa música popular, compondo valsas, quadrilhas, modinhas e lundus. Em 1857, D. Pedro II lhe ofereceu a condecoração máxima, a cruz de Cavaleiro da Ordem da Rosa.

Ten. Cel João Muniz Barreto de Aragão – Na antiga Estrada do Capão, onde hoje é o Condomínio Amendoeiras, nas primeiras décadas do século passado, morava o Tenente-Coronel João Muniz Barreto de Aragão (1874-1922). Médico e veterinário, ele é patrono do Serviço de Veterinária do Exército, em virtude da dedicação aos animais. No seu sítio em Jacarepaguá, Muniz Aragão possuía muitos cavalos. No dia 16 de janeiro de 1922, ele se encontrava em repouso por recomendação médica por causa de agravamento de doença do coração. Mesmo assim, o devotado veterinário foi atender um potro que passava mal na baia da propriedade. O esforço para salvar a vida do animal foi muito grande, e o militar conseguiu recuperar o cavalinho. Porém, Muniz de Aragão não aguentou e veio a falecer no mesmo dia, vítima de enfarte. Em sua homenagem, a Estrada do capão, atualmente, se chama Avenida Tenente-Coronel Muniz Aragão.

Foto: Reginaldo Pimenta

Açude do Camorim – Você sabia que existe na cidade do Rio um recanto de paz e sossego localizado em Jacarepaguá ? Com acesso fácil, porém escondido, o Açude do Camorim é uma descoberta surpreendente pra quem busca novas inspirações e acha que já viu de tudo nessa cidade.

Por ser considerada de nível fácil, a trilha para o Açude do Camorim, situado dentro do Parque Estadual da Pedra Branca, é freqüentada por muitos idosos e crianças. Depois de caminhar por cerca de quatro quilômetros, o visitante é agraciado com a deslumbrante visão de um açude, localizado a 436 metros de altitude (mais alto que o Pão de Açúcar) utilizado para o abastecimento de água da região. No caminho, há ainda a Cachoeira do Camorim.

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