Thiago Barcellos lançará, no dia 6 de outubro, no Leblon, o livro “Cidade Refém — Facções, milícias e políticos: O Rio foi sequestrado”, em que revisita sua experiência como ex-subprefeito do Centro e da Barra da Tijuca para expor bastidores da administração pública e as pressões políticas que, segundo seu relato, cercaram ações de fiscalização e ordenamento urbano. A obra parte de episódios vividos entre 2009 e 2017 para discutir a relação entre decisões do poder público, ocupação irregular do território e interesses políticos e econômicos.
Ao reconstruir casos como o da Muzema e analisar a expansão de facções e milícias, Barcellos procura mostrar como o controle territorial ultrapassa a dimensão da violência armada e alcança a exploração imobiliária, a cobrança por serviços e a formação de redes de influência. O livro também questiona os resultados de políticas de urbanização e habitação no Rio e levanta uma questão central: até que ponto o Estado consegue enfrentar estruturas criminosas quando elas se entrelaçam com interesses instalados dentro e fora das instituições?
Urbe CaRioca
Ex-subprefeito da Barra lança livro sobre bastidores do poder e avanço do crime no Rio
Ex-subprefeito Thiago Barcellos lança Cidade Refém em outubro, no Leblon, com relatos sobre pressões políticas, expansão de milícias e ocupação irregular no Rio
Quintino Gomes Freire – Diário do Rio
O ex-subprefeito Thiago Barcellos lança, no dia 6 de outubro, o livro Cidade Refém — Facções, milícias e políticos: O Rio foi sequestrado. A obra relata pressões que ele afirma ter sofrido dentro da administração pública e analisa como território, dinheiro e voto se conectam ao poder no Rio.
O lançamento será realizado às 19h, na Livraria da Travessa do Leblon. Publicado pela Editora Albatroz, o livro tem prefácio do economista e escritor Jackson Vasconcelos e posfácio do jornalista Eduardo Tchao.
Subprefeito do Centro e da Barra da Tijuca entre 2009 e 2017, Thiago Barcellos usa sua passagem pela administração municipal para descrever os bastidores de operações de fiscalização e decisões tomadas dentro da estrutura pública.
Entre os episódios narrados estão o fechamento de estacionamentos irregulares no Centro, a interdição de um bar na Lapa e uma ação contra um clube clandestino na Barra. Segundo Barcellos, as operações provocaram ligações de políticos e pedidos para que algumas medidas fossem interrompidas.
“Não era o crime que me ameaçava, era o sistema político”, escreve Thiago Barcellos ao recordar o período.
Livro analisa ocupação de territórios
Na interpretação do autor, criminosos armados representam apenas a parte mais visível do problema. Os obstáculos mais difíceis apareceriam em reuniões, gabinetes e decisões tomadas dentro da própria estrutura institucional.
O livro tenta organizar o que Barcellos chama de uma espécie de organograma informal do crime. O ponto de partida seria o controle territorial exercido por facções e milícias.
Esses grupos ocupam áreas e passam a explorar a construção e a venda de imóveis, além da cobrança por serviços. O aumento da população sob influência dessas organizações amplia o número de consumidores, a arrecadação paralela e o peso eleitoral desses territórios, segundo a análise apresentada na obra.
Um dos casos abordados é o da Muzema, na Zona Oeste. Barcellos relata como construções irregulares avançaram sem fiscalização efetiva e foram vendidas e ocupadas. Quando o problema já estava consolidado, órgãos públicos precisaram lidar com suas consequências.
Em abril de 2019, o desabamento de dois prédios na comunidade deixou 24 mortos. As construções eram irregulares e haviam sido erguidas em uma área controlada por milicianos.
Autor questiona aplicação de recursos em habitação
A obra também analisa programas de urbanização e habitação, como Morar Carioca, Casa Carioca e Bairro Maravilha.
De acordo com o levantamento apresentado por Barcellos, cerca de R$ 5 bilhões teriam sido mobilizados entre 2009 e 2025. Pelas projeções do autor, esse valor poderia financiar aproximadamente 12 mil apartamentos comprados no mercado privado.
O mesmo montante poderia custear entre 25 mil e 30 mil unidades públicas, considerando terrenos e infraestrutura, ou até 40 mil moradias em um modelo de construção pública direta.
A partir desses números, o autor questiona se a política habitacional do Rio oferece alternativas efetivas de moradia ou apenas administra a permanência das famílias em territórios informais.
“Este livro cumpre essa função: documenta para que não digam que não sabiam. Para que a história do Rio não seja contada apenas pelos vencedores da força, mas também pelas vozes que resistem”, escreve Eduardo Tchao no posfácio.
Sobre o autor
Thiago Barcellos é administrador, empresário e ex-subprefeito do Centro e da Barra da Tijuca. Também foi secretário municipal de Trabalho e subsecretário de Esporte de Teresópolis, na Região Serrana.
No livro, ele reúne experiências na administração pública e dados sobre expansão urbana, habitação, ocupação irregular e controle territorial por grupos criminosos.
Serviço
Lançamento do livro Cidade Refém — Facções, milícias e políticos: O Rio foi sequestrado
Autor: Thiago Barcellos
Editora: Albatroz
Data: 6 de outubro, terça-feira, às 19h
Local: Livraria da Travessa do Leblon
Endereço: Avenida Afrânio de Melo Franco, 290, loja 205-A, Leblon, Rio de Janeiro
