Vagão de Dom Pedro II: a disputa entre Rio e Petrópolis e o desafio de preservar a história

A proposta de transferir para Petrópolis o Carro Imperial, vagão construído em 1886 para transportar Dom Pedro II e sua família, reacendeu o debate sobre a preservação do patrimônio histórico brasileiro e o acesso público a esse legado. Enquanto um abaixo-assinado defende a transferência da peça para o Museu Imperial, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) rejeita a mudança e promete restaurar o Museu do Trem, no Engenho de Dentro, na Zona Norte do Rio de Janeiro, fechado à visitação desde 2019. Mais do que decidir em qual cidade o vagão original deve ficar, o essencial é garantir sua preservação e a reabertura do Museu do Trem. Onde quer que a peça histórica permaneça, a outra cidade poderia receber uma réplica, permitindo valorizar a memória imperial sem comprometer o acesso da população a esse patrimônio. Urbe CaRioca(Leia mais)

Antigo campus da Gama Filho dará lugar a complexo do Sesc RJ

O antigo campus da Universidade Gama Filho, em Piedade, na Zona Norte do Rio de Janeiro, será transformado em um complexo do Sesc RJ dedicado à cultura, educação, esporte, lazer, saúde e assistência. Com 17 mil metros quadrados de área construída, o Centro Integrado de Atividades Sesc Senac tem a inauguração da primeira etapa prevista para fevereiro de 2027 e deverá ampliar a oferta de serviços e espaços de convivência na região. O empreendimento faz parte do plano de expansão do Sesc RJ, que prevê a criação, ampliação e modernização de 18 equipamentos em diferentes regiões do estado até 2030. Entre as instalações previstas estão biblioteca, teatro, praça de alimentação, áreas de convivência e estruturas esportivas, incluindo parque aquático com piscina olímpica e quadra de vôlei de praia. A iniciativa dará uma nova destinação ao antigo campus universitário, cuja instituição(Leia mais)

Ex-subprefeito da Barra lança livro sobre a relação entre crime, política e ocupação territorial no Rio

Thiago Barcellos lançará, no dia 6 de outubro, no Leblon, o livro “Cidade Refém — Facções, milícias e políticos: O Rio foi sequestrado”, em que revisita sua experiência como ex-subprefeito do Centro e da Barra da Tijuca para expor bastidores da administração pública e as pressões políticas que, segundo seu relato, cercaram ações de fiscalização e ordenamento urbano. A obra parte de episódios vividos entre 2009 e 2017 para discutir a relação entre decisões do poder público, ocupação irregular do território e interesses políticos e econômicos. Ao reconstruir casos como o da Muzema e analisar a expansão de facções e milícias, Barcellos procura mostrar como o controle territorial ultrapassa a dimensão da violência armada e alcança a exploração imobiliária, a cobrança por serviços e a formação de redes de influência. O livro também questiona os resultados de políticas de urbanização(Leia mais)

Reviver o Rio demolindo o que ainda existe

Causa espanto a notícia que o Centro Empresarial Arcos da Lapa, na Rua Teixeira de Melo, junto ao Passeio Público, será demoldo. Um edifício de grande porte, cuja a construção tem apenas 42 anos e foi remodelada há menos de dez. Só pode ser coisa de país rico. Pela imagem nota-se que há harmonia entre o prédio em questão e vizinho, onde funciona o IBGE. Sabe-se lá o que o substituirá em nome do chamado Reviver Centro, que põe abaixo o que sobrou na Ipanema do século XX, ainda preservada pelo fato de que terrenos pequenos eram inviáveis para receber edifício com gabaritos altos perante as leis vigentes. Eram. O tal “Reviver” atropelou a lei com outra a contrariar a existente. Urbe CaRioca ‘Bota-abaixo’: prédio empresarial do Centro será demolido para virar residencial Victor Serra – Diário do Rio Link(Leia mais)

Decretar não basta: o tempo que separa o decreto da solução

O desabamento de parte de um dos casarões do Cosme Velho expôs um problema sempre alertado por moradores: a deterioração de imóveis históricos e a dificuldade do poder público para transformar diagnósticos de risco em ações efetivas. A resposta da Prefeitura declarou os casarões n. 362 e 370 da Rua Cosme Velho como de utilidade pública para fins de desapropriação, além de anunciar e novas “desapropriações”, incluindo a Casa Portinari e o Solar dos Abacaxis. Há diferença importante entre anunciar a desapropriação e resolver o problema. O decreto de utilidade pública não importa na compra imediata do imóvel. É apenas o início de um processo para que a propriedade possa ser incorporada ao patrimônio público e, posteriormente, receber uma nova destinação. No caso do Cosme Velho, a Prefeitura fala em leilões e recuperação, mas ainda há um caminho administrativo e(Leia mais)

A batalha perdida pela Torre Eiffel da Rua do Ouvidor

Registro sobre uma das joias arquitetônicas entre muitas que o Rio de Janeiro teve e que, por diferentes circunstâncias, deixou desaparecer. A história da Torre Eiffel da Rua do Ouvidor é também a história de uma cidade que, diante da possibilidade de preservar um de seus mais expressivos símbolos urbanos, não conseguiu — ou não quis — fazê-lo. O edifício que durante décadas marcou a paisagem, o comércio e a memória afetiva do centro carioca foi demolido em 1967, apesar dos alertas de Rubem Braga, da mobilização de órgãos de patrimônio e da atuação de nomes como Lúcio Costa. O que aconteceu com a Torre Eiffel revela, assim, muito mais do que a perda de uma construção: expõe as fragilidades de uma política de preservação que, entre interesses imobiliários, disputas institucionais e hesitações administrativas, permitiu que uma parte insubstituível da(Leia mais)

Livraria Academia do Saber abre mais uma filial no Centro do Rio

Em tempos em que o encerramento de livrarias se tornou uma notícia cada vez mais frequente, a abertura de uma nova unidade da Livraria Academia do Saber no Centro do Rio é, por si só, uma excelente notícia. A nova filial, instalada recentemente na tradicional Rua da Carioca, representa mais do que a expansão de um negócio: reafirma a importância do livro, da leitura e dos espaços dedicados à cultura numa região que carrega uma parte fundamental da história intelectual e comercial da cidade. Num momento em que a concorrência das plataformas digitais e as dificuldades económicas têm levado muitas livrarias a fechar as portas, ver uma nova loja abrir no coração do Rio tem um significado especial. A chegada da Academia do Saber à Rua da Carioca ajuda a manter viva a vocação cultural do Centro e demonstra que(Leia mais)

Palacete Imperial: Anos de abandono e uma cidade que deixa a própria história ruir

Enquanto o Centro do Rio volta a atrair investimentos, novos empreendimentos e projetos de revitalização, parte de sua história continua entregue à deterioração. O contraste é brutal: a poucos passos de áreas que simbolizam a promessa de renascimento da região central, o Palacete Imperial, localizado na região da Praça da República, permanece abandonado, interditado há 18 anos e exposto a um risco que já deveria ter mobilizado soluções concretas. Não há justificativa administrativa, financeira ou burocrática capaz de explicar quase duas décadas de descaso com um edifício histórico localizado em uma das regiões mais emblemáticas do Rio. Entre disputas de responsabilidade, projetos que não avançam, sucessivas vistorias e promessas de restauração, o tempo fez o que a omissão permitiu: agravou a degradação de um patrimônio que deveria estar protegido. O caso do Palacete Imperial é mais do que a história de(Leia mais)

Câmara do Rio mantém veto a mudança que permitiria prédios mais altos no Bairro Peixoto

Uma boa surpresa para os moradores e defensores da preservação urbana de Copacabana: a Câmara do Rio decidiu manter o veto da Prefeitura que impediu a flexibilização das regras urbanísticas no Bairro Peixoto. Com isso, foi barrada a possibilidade de construção de edifícios que poderiam chegar a cerca de 11 andares em uma das poucas áreas do bairro ainda marcadas por prédios baixos, ruas arborizadas e uma paisagem protegida. A decisão representa uma vitória da mobilização dos moradores e, sobretudo, do princípio de que desenvolvimento urbano não pode servir de justificativa para a descaracterização de territórios históricos e consolidados. Urbe CaRioca Câmara mantém veto que impede prédios de até 11 andares no Bairro Peixoto Câmara do Rio manteve veto da Prefeitura e retirou Bairro Peixoto das áreas que poderiam receber potencial construtivo do Praça Onze Maravilha Por Quintino Gomes Freire(Leia mais)

Caso Sendas: Justiça mantém suspensão de leilão de prédio em Botafogo

O caso envolvendo o antigo imóvel do Grupo Sendas, na Rua Barão de Itambi, em Botafogo, ganha mais um capítulo na Justiça. De um lado, a Prefeitura do Rio defende a desapropriação da área para a instalação de um centro de pesquisas em inteligência artificial; de outro, o antigo proprietário contesta a medida, enquanto moradores e representantes políticos questionam a destinação pretendida para o imóvel. A decisão mais recente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que manteve suspenso o leilão, recoloca no centro do debate questões que vão além da disputa judicial: o interesse público, o direito à propriedade, a finalidade de uma desapropriação e a própria definição sobre qual projeto melhor atende às necessidades de uma região densamente ocupada como Botafogo. O blog vem acompanhando o caso em diferentes momentos, desde os protestos de moradores e os(Leia mais)