Associações de moradores de Laranjeiras promovem abaixo-assinado pelo tombamento definitivo da Chácara Modesto Leal

Associações de moradores de Laranjeiras reunirão assinaturas nesta segunda-feira, dia 9 de maio, das 10h às 17h, na praça da General Glicério, em apoio ao projeto do deputado Carlos Minc. O parlamentar apresentou no início do mês de abril, na Assembleia Legistlativa do Rio de Janeiro (Alerj), projeto de tombamento ambiental e cultural da chácara Modesto Leal e do anexo onde foi instalado o primeiro Instituto Pasteur do mundo.

O palacete já é tombado provisoriamente pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), o que já impede a modificação de um imóvel, mas os moradores têm cobrado uma posição do poder público quanto ao entorno, com receio de alguma descaracterização pela construtora Bait Inc, que anunciou o residencial Bait Laranjeiras, com um moderno prédio com cerca de 68 unidades, erguido ao fundo do terreno. A  promessa é deixar tudo intacto, além de fazer a revitalização total do que já existe — assim como a Bait fez com a antiga clínica de Ivo Pitanguy, em Botafogo, preservando o casarão, ali desde o fim do século XIX, em projeto bem-sucedido.

A construtora diz que está aberta a discussão, mas lembra que o projeto foi aprovado pelo Inepac e inclui investimentos de R$ 30 milhões no restauro e na recuperação do Palacete Modesto Leal e Jardins Românticos: “Só vamos construir em apenas 11% do total do terreno”, afirma Henrique Blecher, presidente da empresa”.

Segundo o texto de Minc, os arredores do imóvel são unidades paisagísticas tombadas pelo conjunto “Bens de Laranjeiras”, desde 1998. “Também é listada como Área de Proteção do Ambiente Cultural (APAC). O objetivo do tombamento definitivo é garantir a visitação pública e o aprendizado da população quanto à história dos espaços, bem como entretenimento e lazer. E também há uma urgente necessidade de cobrir a vegetação de todo o bairro, para preservar a infraestrutura e drenagem urbana já saturada”.

Procurada, a empresária Patrícia Leal comenta: “A casa foi comprada pelo meu tataravô, Conde Modesto Leal. Toda a minha família morou ali, desde a minha bisavó, Olga (Modesto Leal de solteira, Rocha Miranda de casada), que viveu lá desde os quatro ou cinco anos. Sempre preservamos e cuidamos da casa, que, pra mim, já está tombada há séculos.”

O palacete tem 18 cômodos num terreno de quase 50 mil m² (com cerca de 4 mil metros quadrados de área construída), com partes intocadas da Mata Atlântica e vista para a Praia de Botafogo e o Pão de Açúcar.

Embora o projeto não tenha sido divulgado, a informação de que os jardins serão abertos ao público é uma boa noitícia para os moradores do bairro de Laranjeiras, carente de praças e espaços de lazer abertos.

Fontes: Colunas Lu Lacerda e Ancelmo Gois

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