Iphan embarga construção de torre cenográfica no Centro Cultural dos Correios que encobria prédio tombado

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) embargou a construção de uma torre cenográfica que faz parte da exposição “O Redentor” e encobre a fachada lateral da Casa França-Brasil, bem tombado, no Centro do Rio, feita sem autorização no Centro Cultural dos Correios.

Urbe CaRioca

Iphan embarga construção de torre feita pelo Centro Cultural dos Correios que encobria prédio tombado

Célia Costa – O Globo

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Obras da torre estão paralisadas por determinação do Iphan Foto: Ana Branco

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) embargou a construção de uma torre cenográfica, feita de cimento e tijolos, no Centro Cultural dos Correios, no Centro. A instalação artística, que faz parte da exposição “O Redentor”, do artista Ribahi, transformou-se em motivo de discórdia por estar encobrindo a fachada lateral da Casa França-Brasil, que é um bem tombado e divide a mesma pracinha.

Em nota, o Iphan informou que, na terça-feira da semana passada, um representante do corpo técnico do instituto, autarquia federal vinculada à Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo, fez vistoria para verificar a denúncia de que a instalação de uma obra artística na área externa do Centro Cultural dos Correios não se adequava às normas de proteção a bens tombados.“A fiscalização averiguou que a peça não apresentava porte e posicionamento condizentes para área tombada. A obra tanto causa dano à visibilidade do prédio tombado que abriga a Casa França-Brasil, quanto afeta a ambiência do Conjunto Urbano Praça Quinze de Novembro e imediações. Por isso, o Instituto emitiu auto de infração e embargou a instalação”, diz a nota.

O Centro Cultural do Correios informou, em nota, que a construção da escultura artística foi paralisada. Acrescentou que “a área jurídica dos Correios foi acionada para conduzir os demais trâmites junto ao Iphan.”

O Iphan acrescentou que o Centro Cultural dos Correios deveria ter feito uma solicitação com antecedência. “Cabe esclarecer que, por se encontrar na área da poligonal de tombamento da Praça Quize e nos arredores da Casa França-Brasil, tombada individualmente a nível federal, deveria ter sido protocolada previamente no Instituto a instalação da obra.”

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Helena Severo, diretora da Casa França-Brasil recorreu ao Iphan para que averiguasse a obra:

— A fiscal constatou que a instalação é um elemento estanho. A praça é um local muito importante, que fica entre três importantes bens culturais da cidade. Não pode colocar um elemento no espaço e ainda encobrir a fachada de um bem tombado.

Helena Severo lembra que os dois espaços, além do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e o espaço da Marinha, faziam parte de uma área degradada do Centro.

— O novo prefeito (Eduardo Paes) já declarou que vai reabilitar essa área do Rio. A ideia de incentivar o uso residencial da região do Centro é muito bem-vinda. À noite, o Centro fica completamente vazio. O uso misto da região (comercial e residencial) possibilita um movimento maior durante a noite. Revitaliza uma importante área da cidade — avalia Helena.

Helena Severo foi secretária municipal de Cultura do Rio e ex-presidente da Fundação Theatro Municipal. Em agosto de 2016, assumiu a Biblioteca Nacional. Em agosto deste ano, foi convidada para a direção da Casa França-Brasil.

Tombado em 1938, o prédio pelo Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, atual Iphan, foi encomendado em 1819 por dom João VI ao arquiteto Grandjean de Montigny, que integrava a Missão Artística Francesa. O edifício é o primeiro registro do estilo neoclássico no Rio de Janeiro, tendência que viria então a popularizar-se, dando à cidade marcada por suas casas coloniais um tom mais cosmopolita, à moda europeia.

No dia 13 de maio de 1820, o edifício foi inaugurado como a primeira Praça do Comércio do Rio de Janeiro, cidade sede do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Apenas quatro anos mais tarde, já no contexto do Brasil independente de Portugal, foi transformado por D. Pedro I em Alfândega, função que exerceria até 1944. A obra de Montigny passou em seguida por diferentes usos, tendo servido até 1952 de depósito para os arquivos do Banco Ítalo-Germânico e ainda, de 1956 a 1978, como sede do II Tribunal do Júri.

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