Marquise do Theatro Municipal corre risco de desabar e expõe abandono do patrimônio histórico

Mais do que um problema de manutenção, a deterioração da marquise do Theatro Municipal do Rio expõe uma contradição recorrente na gestão do patrimônio público: bens históricos de enorme valor costumam receber atenção apenas quando o desgaste já representa risco. Em um edifício tombado e símbolo da cultura brasileira, infiltrações, fissuras e sinais de comprometimento estrutural levantam dúvidas sobre a eficácia das políticas de conservação preventiva.

O alerta de especialistas também vai além da preservação histórica. Em uma área de grande circulação de pedestres, qualquer falha estrutural pode colocar vidas em risco, tornando a questão um problema de segurança pública. A demora em responder às denúncias reforça um modelo de gestão marcado por ações emergenciais, em vez de manutenção contínua, o que aumenta custos, acelera a degradação e ameaça a integridade de um dos principais patrimônios culturais do país.

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Marquise em ferro fundido do Theatro Municipal pode desabar, diz especialista

Problemas de conservação na estrutura expõem riscos à segurança e ameaçam a preservação de um dos mais importantes símbolos culturais da capital fluminense

Por Altair Alves – Diário do Rio

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A marquise de uma das entradas do Theatro Municipal, um dos cartões-postais mais famosos do Centro do Rio, apresenta sinais claros de deterioração que preocupam pedestres, turistas e frequentadores da região da Cinelândia. Que passa pelo trecho facilmente observa manchas provocadas por infiltrações, desgaste do revestimento, fissuras e trechos onde o concreto aparenta estar comprometido.

Fundador do Grupo S.O.S. Patrimônio, o restaurador, e ex-conselheiro municipal de Patrimônio Cultural, Marconi Andrade, gravou um vídeo denunciando o estado de abandono no local, que comemora 117 anos em 2026. A filmagem foi feita no acesso da Avenida Rio Branco, em frente ao busto do compositor Heitor Villa Lobos.

“Eu não consigo entender como é que o governo do estado deixa o Theatro Municipal nessas condições. Agora, o que eu não entendo é a própria diretoria do Teatro Municipal. Como pode a diretoria não ver um negócio desse? o estado é tão precário que eu estava pensando, inclusive, pedir a interdição da área pela defesa civil. Porque se aquilo cair, vai cair em cima de uma pessoa, simplesmente mata, porque aquilo é ferro fundido“, disse o especialista, que também ressaltou o prejuízo do legado histórico.

“Agora, além do perigo para as pessoas, nós temos a perda histórica, cara, porque a gente sabe muito bem que quando essas coisas caem,  nunca mais é refeito, e ainda mais aquilo que é todo fundido, as peças que foram fundidas na França, com importância histórica para a cidade,  é enorme, e esse abandono, esse descaso, um desleixo total com isso, isso chega a ser criminoso. E o pior é que a gente tá o tempo todo denunciando, estamos sempre denunciando, mas ninguém faz nada, ou seja, entra no ouvido, sai no outro, parece que eles não têm uma preocupação, inclusive, com a vida humana, né“, concluiu.

O estado de conservação da marquise contrasta com a importância histórica e arquitetônica do edifício, inaugurado em 1909 e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Além de receber milhares de visitantes ao longo do ano, o entorno do teatro é uma das áreas de maior circulação de pessoas no centro da capital.

O receio aumenta principalmente em dias de chuva, quando parte da água escorre pela estrutura e evidencia problemas de infiltração. Em alguns pontos, o acabamento apresenta sinais de desprendimento, situação que desperta dúvidas sobre a segurança da marquise.

A situação também chama atenção por ocorrer em um dos principais equipamentos culturais do estado. O Theatro Municipal recebe apresentações nacionais e internacionais, além de integrar os roteiros turísticos da cidade.

Procurada pela reportagem do Diário do Rio, a direção do Theatro Municipal não se manifestou sobre a situação até a publicação desta matéria.

 

 

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