VIADUTO ENGENHEIRO FREYSSINET, NO RIO COMPRIDO – PELA DEMOLIÇÃO, OU…


UM BAIRRO, UMA AVENIDA, UM VIADUTO.
NA URBE CARIOCA.

Blog Rio Antigo Fotos

A AVENIDA PAULO DE FRONTIN já foi um lugar aprazível. É o que mostram as fotografias de um Rio de Janeiro que não existe mais pelo menos desde os anos 1970, quando foi construído sobre ela o Viaduto Engenheiro Freyssinet, o popular Elevado da Paulo de Frontin.

Um de seus pares, o Elevado da Perimetral, também não mais existe. Foi demolido como parte das obras de reurbanização da Zona Portuária do Rio de Janeiro, no escopo do projeto chamado Porto Maravilha.




A grande diferença entre a Perimetral e muitos outros elevados espalhados pela cidade é que aquele viadutopassava principalmente por locais de uso predominantemente industrial, transportes e serviços – fábricas, armazenagem e linhas férreas para distribuição de cargas na retroárea do Porto do Rio -, e comercial ao longo da Área Central; outros atingiram áreas estritamente residenciais e de comércio local.






O Elevado da Perimetral, que, ao mesmo tempo e levou degradação e sombras ao “andar de baixo”, relegou bairros antigos e históricos ao esquecimento, e, paradoxalmente, contribuiu para a manutenção de características daquela ocupação que vieram a ser protegidas em seguida com a criação da Área de Proteção Ambiental conhecida por Projeto SAGAS – iniciais de Saúde, Gamboa e Santo Cristo. Nesses bairros a APAC preservou morros e o casario existente. Por outro lado, no trecho entre a Praça Mauá e o Aeroporto Santos Dumont não poupou construções históricas, entre as quais o antigo Mercado Municipal, primeiro seccionado e depois demolido, restando a solitária torre onde funciona o restaurante Albamar.

A presença do viaduto, a desativação dos ramais ferroviários e a complicada questão fundiária foram a receita para o abandono que durou décadas, não obstante várias tentativas dos governos locais de revitalizarem a região, travadas pelos governos federais aos quais os gestores municipais invariavelmente eram ‘oposição’.

Finamente o projeto teve início, empurrado por conveniente união entre as esferas governamentais e o apelo dos grandes eventos: Copa do Mundo e Jogos Olímpicos 2016. O modelo adotado – torres gigantescas a serem construídas mediante compra de títulos – ainda não deslanchou. Criticado por urbanistas e juristas, se dará certo, o futuro dirá. A mais recente tentativa de atrair investidores foi permitir “quitinetes” na área, os antigos “apartamentos JK”, para incentivar a construção habitações populares… ou sacrificar o urbanismo, na visão de Sonia Rabello.




Esta longa reflexão visa remeter à presença de tantos outros viadutos igualmente responsáveis pela degradação e desvalorização de bairros ou trechos de bairros residenciais talvez de modo ainda mais perverso do que o caso da Perimetral, ao atingirem diretamente a vida dos moradores e frequentadores, enquanto outros tantos continuam a ser construídos ao longo das “Transtudo”, cujos impactos ainda não podem ser avaliados.


Foto: Guilherme Maia*, 29/05/2014

Foto: Guilherme Maia

Foto: Guilherme Maia


Quanto aos elevados que já rasgaram a cidade, o caso da Rua Figueira de Melo e da Rua Bela (!), em São Cristóvão, e da antiga Avenida Rio Comprido – hoje Paulo de Frontin -, que abre este artigo, são emblemáticos. Na última, o que poderia ter sido classificado como patrimônio cultural edificado do bairro do Rio Comprido não resistiu. As poucas edificações antigas que sobraram estão imprensadas, sem insolação e cercadas de ruídos muito além do admissível. A maioria foi abandonada.

Convidamos o fotógrafo Guilherme Maia*, interessado que é pelos temas urbano-cariocas – e já ilustrou OS ARCOS DA LAPA, A PINTURA E A CAL –, para percorrer a Avenida Paulo de Frontin sob as prateleiras do Elevado e registrar o ambiente urbano que encontrou.

As imagens falam por si.



A notícia recente…
(segue)


Foto: Guilherme Maia


Foto: Guilherme Maia**



Foto: Guilherme Maia



Foto: Guilherme Maia**


Foto: Guilherme Maia




A notícia recente de que o Túnel Rebouças será reformado é alvissareira. E o que será dos acessos e saída das ‘bocas’ norte das galerias, sob o viaduto?

Melhor seria demolir também o monstrengo útil (a Perimetral também era útil, cabe lembrar), um horizonte distante se depender de atrair o mercado imobiliário como se pretendeu no Porto Maravilha.

Enquanto esse dia não chega, um bom projeto de urbanização, remodelamento e paisagismo seria um alento, dispensável falar em limpeza, saneamento e conservação, obrigações mínimas dos gestores públicos.



O Rio, os moradores e os frequentadores do lugar têm esse direito.

Foto: Guilherme Maia

Foto: Guilherme Maia

Foto: Guilherme Maia

Foto: Guilherme Maia

Foto: Guilherme Maia

Foto: Guilherme Maia

Foto: Guilherme Maia**

Foto: Guilherme Maia

Foto: Guilherme Maia

Foto: Guilherme Maia

Foto: Guilherme Maia


NOTAS:

* 1 – As fotografias são de autoria de Guilherme Maia e estão protegidas por direito autoral. Contato: guimaiafoto@gmail.com

**2 – O calçadão de Copacabana em pleno Rio Comprido é expressivo e significativo. Uma das leituras possíveis é que seja o chamado de um bairro que deseja ser belo como um cartão postal carioca. 

Comentários:

  1. Boa tarde Andrea, moro também no Rio Comprido e concordo plenamente com suas considerações.Fiquei muito feliz em saber que existem pessoas que conseguem ver as belezas deste local. Infelizmente uma beleza abandonada. Quem sabe um dia…moro bem de frente para o viaduto!

  2. Mas soluções alternativas existem aos montes, incluindo ampliação nos transportes de massa como metrô, passagens subterrâneas e outras maravilhas da engenharia cujo o fator "querer" é solução soberana. E chega de subsídios federais para a indústria automobilística né? Não precisamos de mais veículos nas ruas.
    E acreditem, atualmente existe conhecimento e tecnologia suficientes para retirar este viaduto sem riscos aos imóveis do entorno.
    Acho que o Rio no deve ao Rio Comprido, a restituição dessa dignidade, acho que o Rio nos deve o direito de voltar a olhar pro céu.

  3. Cresci, casei e tve dois filhos no Rio Comprido, antes um bairro lindo, florido e ensolarado, hoje um bairro "pobre" de tudo, triste e feio, devido a falta de interesse dos governantes.

  4. Nasci no Rio Comprido,estudei na Escola Pereira Passos e vivi uma fase onde o viaduto nem existia mas presenciei o acidente do mesmo quando caiu…Ficamos como um bairro de passagem,feio,frio e sem sol.Poluição para todos os lados que caminhamos ,respiramos e quando abrimos a janela…Progresso para os veículos e prejuízo para os proprietários dos imóveis da Paulo de Frontin…Adorei as fotos ,pois a realidade dever ser compartilhada para pensar em melhorias!

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