Lume: mais um erro da política urbana no Rio de Janeiro

A derrubada de dezenas de árvores no Buraco do Lume para dar lugar a mais uma torre residencial no Centro do Rio recoloca em evidência um dos principais dilemas urbanos da cidade: até que ponto projetos de revitalização podem avançar sobre áreas verdes consolidadas, incorporadas à paisagem urbana e utilizadas permanentemente pela população carioca em nome da expansão imobiliária. Embora o empreendimento esteja amparado por decisões judiciais e licenciamento da Prefeitura, a remoção de 58 árvores em uma das regiões mais densamente urbanizadas do Rio simboliza a perda gradual dos poucos espaços de respiro ambiental restantes no coração da capital fluminense. O episódio também expõe as contradições do próprio projeto de recuperação do Centro. Enquanto o programa Reviver Centro busca estimular moradia e ocupação urbana em uma região esvaziada, cresce a percepção de que interesses econômicos e pressão do mercado(Leia mais)

Sempre o Gabarito: a novela continua

Depois de liberada a construção de um espigão no Centro do Rio – na área livre conhecida como Buraco do Lume – o projeto para o Catumbi tira da sala parte do bode e o amarra na Avenida Presidente Vargas. A saga continua com leilões na Zona Portuária e na Pedra do Sal. A conta está cada vez mais salgada, o Rio à beira do Buraco. Abaixo, links para as reportagens publicadas pela grande mídia. Urbe CaRioca Praça Onze Maravilha: número de emendas a projeto travou votação na Câmara do Rio Nas negociações, a prefeitura concordou em rever o gabarito de 92 metros Por Luiz Ernesto Magalhães – O Globo Link original Depois de quase três semanas de negociações e adiamentos, a Câmara de Vereadores do Rio deve votar nesta quarta-feira a versão final do projeto Praça Onze Maravilha, que(Leia mais)

Antiga fábrica do Império pode ganhar nova vida em Petrópolis

Uma boa notícia para Petrópolis, a Cidade Imperial. O jornal Diário do Rio publicou uma reportagem sobre o projeto de revitalização da histórica Fábrica São Pedro de Alcântara, um dos mais importantes símbolos do patrimônio industrial fluminense. Esperamos que o projeto respeite e seja harmônico com o Patrimônio Cultural e Histórico representado pela antiga fábrica de tecidos, preservando a identidade arquitetônica e a memória de um empreendimento criado no período de Dom Pedro II. Urbe CaRioca Grupo de empresários vai transformar fábrica criada por Dom Pedro II em polo gastronômico de Petrópolis Complexo têxtil do século XIX dará lugar ao Fábrica Park, com mercado gourmet, feira de produtores e experiências culturais Por Victor Serra – Diário do Rio Link original Aberta em 1871 e considerada uma das cinco indústrias têxteis mais antigas do Brasil, a histórica Fábrica São Pedro de(Leia mais)

Rio sempre à venda: MPRJ tenta barrar leis que aceleram a descaracterização da cidade

Mais-valia e Mais-Valerá, não adianta Mais. Abaixo da notícia reproduzida do site Diário do Rio, links para vários de artigos publicados neste espaço urbano-carioca, apontando o quanto prejudiciais são essas leis que contrariam as leis. A pá-de-cal foi o programa Reviver Centro, também analisado aqui, demonstrada a explosão de construções em bairros da Zona Sul, extrapolando os gabaritos constituídos. Some-se a volta das quitinetes dos anos 1960/1970 à venda de praças, jardins e terrenos próprios municipais, e a benesses para hotéis, e completa-se o quadro de desfaçatez e desprezo dos governantes municipais – Executivo e Legislativo – pela Cidade do Rio de Janeiro. Urbe CaRioca MPRJ vai à Justiça contra leis da Mais-Valia e Mais-Valerá no Rio e aponta risco de ‘explosão’ urbanística Órgão afirma que normas flexibilizam regras previstas no Plano Diretor sem estudos técnicos adequados e participação popular(Leia mais)

O alto preço pago pelos cariocas pelas obras viárias na Praça XI, de Sonia Rabello

Neste artigo, publicado originalmente no site “A Sociedade em Busca do seu Direito”, a professora e jurista Sonia Rabello destaca que a proposta de demolição de estruturas históricas e a realização de novas obras viárias na Praça XI avançam sob uma preocupante ausência de debate público. Mais uma vez, decisões que impactam profundamente a mobilidade, a paisagem urbana, a memória da cidade e o cotidiano dos cariocas seguem cercadas de contradições, sem transparência sobre os estudos técnicos, os custos reais e as consequências dessas intervenções. Segundo a jurista, o Rio parece repetir um padrão antigo: destruir primeiro, discutir depois. Novamente, os argumentos apresentados em nome da “revitalização” entram em choque com princípios básicos de planejamento urbano , preservação patrimonial e participação democrática . Urbe CaRioca O alto preço pago pelos cariocas pelas obras viárias na Praça XI Sonia Rabello O(Leia mais)

Ex-jardim, ex-de Alah

Mais uma iniciativa no ex-Jardim de Alah em nome do combate à desigualdade social. De área pública de todos a área privada para poucos. De local livre onde a cidade respira, a mais tijolo e concreto sem ser necessário, enquanto Ipanema e Leblon prosseguem firmes transformando-se em bairros coalhados de assaltantes, pedintes, moradores de rua e camelôs. Urbe CaRioca Fogo de Chão fecha acordo para abrir restaurante no novo Jardim de Alah Por Rennan Setti – O Globo Link original A rede de churrascarias Fogo de Chão fechou contrato de locação para abrir um restaurante dentro do projeto do novo Jardim de Alah, em Ipanema, Zona Sul do Rio. Com abertura prevista para 2027, a unidade será a terceira da rede na cidade — depois de Botafogo e Barra da Tijuca — e a décima no país. “Expandir para Ipanema(Leia mais)

Mais uma benesse ao mercado imobiliário batizada de requalificação urbana.

A aprovação, em primeira discussão na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, do projeto que institui a AEIU Praça Onze Maravilha e prevê a demolição do Elevado 31 de Março, reacende um debate que está longe de ser novo — e que tampouco pode ser tratado como mera atualização urbanística. Sob a narrativa de “requalificação” e “revitalização”, a proposta retoma uma lógica já observada em intervenções anteriores na cidade, nas quais grandes transformações espaciais foram conduzidas com forte protagonismo do mercado imobiliário e participação social limitada. Como mostra a reportagem abaixo, publicada no portal EcoSerrano, o avanço do projeto sinaliza não apenas uma intervenção física relevante, mas a consolidação de um modelo de reordenamento urbano com impactos que ainda precisam ser devidamente dimensionados. A experiência do projeto Porto Maravilha, também estruturado a partir de uma Área de Especial Interesse Urbanístico(Leia mais)

Luciana Novaes: o sorriso que virou luta e deixou um legado de inclusão

Belo depoimento de Antonio Sá, justa homenagem a Luciana Novaes Urbe CaRioca Luciana Novaes: Transformou a dor em  missão e mostrou ao mundo que o lugar  da pessoa com deficiência é onde ela  quiser estar Antônio Sá, fiscal de Rendas aposentado do Município do Rio de Janeiro e ex-subsecretário de Assuntos Legislativos e Parlamentares do Município do Rio O sorriso que fica para sempre Tive a honra e o prazer de, quando estava na  ativa, ter contatos diários com a Vereadora  Luciana Novaes no plenário da Câmara  Municipal do Rio de Janeiro. E levarei para o resto da minha vida dentro de  meu coração e da minha mente o belo sorriso  eternamente estampado no rosto da  Vereadora. Sempre que eu conversava com ela,  encontrava um sorriso cativante, luminoso,  acolhedor. Um sorriso que, ao me lembrar  dele agora, enquanto escrevo este(Leia mais)

Ônibus novos, modelo velho: Rio troca a pintura, mas mantém o mesmo padrão

Segundo notícia publicada no jornal O Globo, a chegada de 102 novos ônibus ao Rio de Janeiro — sendo 77 viabilizados por acordo judicial — é apresentada como “um avanço na modernização do transporte público”. De fato, há melhorias concretas: veículos zero quilômetro, com ar-condicionado, sistemas eletrônicos, monitoramento e padrões ambientais mais avançados, como o Euro VI, que reduz significativamente a emissão de poluentes. No entanto, este espaço urbano-carioca entende que a questão central não está apenas no fato de serem novos, mas no tipo de ônibus adotado, o que leva a uma dúvida relevante: esse padrão realmente mudou? Com base nas informações disponíveis, não há indicação de ruptura com o modelo tradicional. A matéria e os dados complementares destacam conforto, tecnologia embarcada e gestão, mas não mencionam alterações no conceito estrutural dos veículos. Isso sugere a continuidade do padrão(Leia mais)

Buraco do Lume: agora, cenário de disputas, política e efervescência patrimonial, de Claudio Prado De Mello

Poucos espaços urbanos concentram tanta história, conflito e identidade quanto o Buraco do Lume, no centro do Rio. Não é apenas um vazio ou terreno em disputa. É um território simbólico onde se cruzam memória, planejamento, interesses econômicos e expressão política. A proposta de erguer um novo espigão reabre mais que um debate técnico. Expõe a pergunta central: que cidade se quer construir — e para quem. Entre a verticalização e a necessidade de espaços públicos de qualidade, o Buraco do Lume mostra a incoerência das políticas urbanas e patrimoniais nas últimas gestões municipais. Como aponta Cláudio Prado de Mello, em artigo publicado originalmente no Diário do Rio, o local já ultrapassou sua função física. Tornou-se uma ágora moderna, espaço de encontro, manifestação e disputa de narrativas. Com o tempo, deixou de ser um vazio urbano para virar palco de(Leia mais)