Palacete Imperial: Anos de abandono e uma cidade que deixa a própria história ruir

Enquanto o Centro do Rio volta a atrair investimentos, novos empreendimentos e projetos de revitalização, parte de sua história continua entregue à deterioração. O contraste é brutal: a poucos passos de áreas que simbolizam a promessa de renascimento da região central, o Palacete Imperial, localizado na região da Praça da República, permanece abandonado, interditado há 18 anos e exposto a um risco que já deveria ter mobilizado soluções concretas. Não há justificativa administrativa, financeira ou burocrática capaz de explicar quase duas décadas de descaso com um edifício histórico localizado em uma das regiões mais emblemáticas do Rio. Entre disputas de responsabilidade, projetos que não avançam, sucessivas vistorias e promessas de restauração, o tempo fez o que a omissão permitiu: agravou a degradação de um patrimônio que deveria estar protegido. O caso do Palacete Imperial é mais do que a história de(Leia mais)

Câmara do Rio mantém veto a mudança que permitiria prédios mais altos no Bairro Peixoto

Uma boa surpresa para os moradores e defensores da preservação urbana de Copacabana: a Câmara do Rio decidiu manter o veto da Prefeitura que impediu a flexibilização das regras urbanísticas no Bairro Peixoto. Com isso, foi barrada a possibilidade de construção de edifícios que poderiam chegar a cerca de 11 andares em uma das poucas áreas do bairro ainda marcadas por prédios baixos, ruas arborizadas e uma paisagem protegida. A decisão representa uma vitória da mobilização dos moradores e, sobretudo, do princípio de que desenvolvimento urbano não pode servir de justificativa para a descaracterização de territórios históricos e consolidados. Urbe CaRioca Câmara mantém veto que impede prédios de até 11 andares no Bairro Peixoto Câmara do Rio manteve veto da Prefeitura e retirou Bairro Peixoto das áreas que poderiam receber potencial construtivo do Praça Onze Maravilha Por Quintino Gomes Freire(Leia mais)

Caso Sendas: Justiça mantém suspensão de leilão de prédio em Botafogo

O caso envolvendo o antigo imóvel do Grupo Sendas, na Rua Barão de Itambi, em Botafogo, ganha mais um capítulo na Justiça. De um lado, a Prefeitura do Rio defende a desapropriação da área para a instalação de um centro de pesquisas em inteligência artificial; de outro, o antigo proprietário contesta a medida, enquanto moradores e representantes políticos questionam a destinação pretendida para o imóvel. A decisão mais recente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que manteve suspenso o leilão, recoloca no centro do debate questões que vão além da disputa judicial: o interesse público, o direito à propriedade, a finalidade de uma desapropriação e a própria definição sobre qual projeto melhor atende às necessidades de uma região densamente ocupada como Botafogo. O blog vem acompanhando o caso em diferentes momentos, desde os protestos de moradores e os(Leia mais)

Curso Livre Centro do Rio,  ministrado pelo escritor André Luis Mansur na

Escritor André Luis Mansur abre novas vagas para curso sobre a história do Centro do Rio de Janeiro A história do Rio de Janeiro pode ser contada a partir de suas ruas, praças, igrejas, prédios e lugares que ajudaram a construir a identidade da cidade. É justamente essa trajetória que será apresentada no Curso Livre Centro do Rio, ministrado pelo jornalista, memorialista e escritor André Luis Mansur, na Casa 11 Sebo e Livraria, em Laranjeiras. Como a primeira turma teve as vagas esgotadas rapidamente, uma nova turma foi aberta para quem deseja conhecer, em ordem cronológica, a história do Centro do Rio de Janeiro, desde os seus primeiros períodos de formação até os diferentes momentos que marcaram a transformação da região ao longo do tempo. O curso será realizado em quatro aulas, sempre às quartas-feiras, às 18h, nos dias 16(Leia mais)

Do luxo ao esquecimento: a incrível história da Perfumaria Carneiro, símbolo de um Rio que já não existe

Durante décadas, a Perfumaria Carneiro foi muito mais do que uma rede de lojas de perfumes no Rio de Janeiro. Nascida em 1923, quando a Rua do Ouvidor ainda concentrava boa parte do comércio elegante da cidade, a empresa acompanhou as transformações urbanas do século XX, levando para os bairros produtos de marcas internacionais como Guerlain, Chanel, Jean Patou e Coty. Da velha região central a Copacabana, Ipanema, Tijuca e Niterói, a expansão da Carneiro acabou por seguir o próprio movimento de crescimento da cidade. Por trás dos balcões de madeira e vidro, porém, havia uma história que misturava comércio, política, indústria e mudanças nos hábitos dos cariocas. A família Carneiro não apenas vendia perfumes e cosméticos importados: representava grandes marcas, atuava no atacado, fabricava seus próprios produtos e construiu uma rede que chegou a dez lojas. Ao mesmo tempo,(Leia mais)

Do patrimônio ao “balcão” de vendas: o abandono que ameaça um chafariz de 209 anos no Rio

Um patrimônio de 209 anos, testemunha de diferentes momentos da história do Rio de Janeiro, deveria ser tratado como parte viva da memória da cidade. No entanto, o Chafariz da Rua Riachuelo, tombado pelo Iphan desde a década de 1930, hoje expõe não apenas as marcas do abandono, mas também uma inversão preocupante de sua função: a estrutura histórica passou a servir como balcão improvisado para a venda de mercadorias por camelôs, enquanto pichações e sinais de deterioração avançam sobre um monumento que deveria estar sob proteção permanente do poder público. Urbe CaRioca Chafariz de 209 anos no Centro do Rio vira ‘balcão’ de vendas para camelôs Monumento construído em 1817, na Rua Riachuelo, está em péssimo estado de conservação, apesar de ser tombado pelo Iphan há quase nove décadas Por Victor Serra – Diário do Rio Link original Um(Leia mais)

Eliminar equipamentos públicos comunitários requer justificativa

Por Andréa Redondo Eliminar ou mudar a finalidade de equipamentos urbanos públicos exige comprovar (1) a inutilidade ou prejuízos causados pelo existente, ou (2) que a nova função será de maior interesse para a sociedade do que a originalmente concebida. Esse princípio deveria orientar toda intervenção sobre o patrimônio construído com recursos do contribuinte destinado ao uso coletivo. Por isso merece reflexão a construção do chamado Parque Terra Prometida, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O empreendimento ocupará o lugar onde funcionou o Museu Cósmico – conhecido como Planetário de Santa Cruz -, inaugurado em 2008 no complexo recreativo e esportivo “Cidade das Crianças”, criado em 2004 para ampliar a oferta de áreas de lazer na região. Tanto o Planetário quanto a Cidade das Crianças foram abandonados e fechados por administrações subsequentes. A implantação do segundo(Leia mais)

Prefeitura do Rio: ciência meteorológica para quê?, de Antônio Sá

No último dia 29 de julho, a Cidade do Rio de Janeiro foi assolada por um vendaval de proporções gigantescas. O fenômeno climático não se restringiu aos cariocas, conforme se sabe. Os governos foram criticados por não emitirem alertas a respeito. Nesta semana os avisos soaram de madrugada, pelos telefones celulares, durante três dias seguidos. Os ventos esparsos ficaram aquém do alarmado. Aulas foram suspensas. Empresas dispensaram seus funcionários bem cedo. Espetáculos culturais foram cancelados. Para maior espanto, a Prefeitura decidiu contratar os serviços de uma entidade espiritual – através de seus auto-declarados prepostos terrestres – para interceder pelas terras cariocas. Cabe indagar se o objetivo é impedir as intempéries quando o município falhar ao deixar de alertar, ou pedir que os estragos aconteçam quando os alarmes informarem que o perigo está a caminho, para comprovar a eficiência dos sistemas(Leia mais)

Estação esquecida sob Botafogo expõe décadas de abandono do metrô carioca

A Estação Morro de São João, localizada entre Botafogo e Cardeal Arcoverde, nas proximidades do Shopping RioSul, é uma das mais emblemáticas obras inacabadas da infraestrutura de transportes do Rio de Janeiro. Escavada há mais de três décadas para integrar a Linha 1 do metrô, a estação teve parte significativa de sua estrutura construída, mas nunca foi concluída nem aberta ao público. O espaço permanece oculto sob a cidade, como um retrato do desperdício de recursos e da descontinuidade das políticas públicas voltadas à mobilidade urbana. O tema está longe de ser novidade para este blog. Ao longo dos anos, temos denunciado repetidamente o abandono da Estação Morro de São João e defendido sua conclusão como uma medida estratégica para ampliar a capacidade do sistema metroviário. A reportagem do Diário do Rio reforça aquilo que já mostramos diversas vezes: a(Leia mais)

Detroit, Acapulco e o Rio: quando a história insiste em nos alertar, de Hugo Costa

Cidades não entram em declínio de forma repentina. Antes que a decadência se torne evidente, acumulam-se sinais de alerta: uma economia que perde dinamismo, investimentos que deixam de chegar, problemas estruturais que se agravam e escolhas que privilegiam soluções de curto prazo em detrimento de uma estratégia consistente de desenvolvimento. A história mostra que esses processos dificilmente são inevitáveis; na maioria das vezes, são o resultado de decisões — ou da ausência delas. Neste artigo, o geógrafo Hugo Costa destaca que Detroit e Acapulco seguiram caminhos distintos, mas terminaram expondo a mesma fragilidade: a dependência excessiva de um único modelo de desenvolvimento. Uma viu sua prosperidade ruir com o esvaziamento da indústria; a outra descobriu que a força do turismo não é suficiente quando a degradação institucional e a violência avançam. O Rio de Janeiro não é uma cópia de(Leia mais)