Mais uma benesse ao mercado imobiliário batizada de requalificação urbana.

A aprovação, em primeira discussão na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, do projeto que institui a AEIU Praça Onze Maravilha e prevê a demolição do Elevado 31 de Março, reacende um debate que está longe de ser novo — e que tampouco pode ser tratado como mera atualização urbanística. Sob a narrativa de “requalificação” e “revitalização”, a proposta retoma uma lógica já observada em intervenções anteriores na cidade, nas quais grandes transformações espaciais foram conduzidas com forte protagonismo do mercado imobiliário e participação social limitada. Como mostra a reportagem abaixo, publicada no portal EcoSerrano, o avanço do projeto sinaliza não apenas uma intervenção física relevante, mas a consolidação de um modelo de reordenamento urbano com impactos que ainda precisam ser devidamente dimensionados. A experiência do projeto Porto Maravilha, também estruturado a partir de uma Área de Especial Interesse Urbanístico(Leia mais)

‘É simples, mas muda vidas’, por Sérgio Magalhães

Neste artigo, publicado originalmente no jornal O Globo, o arquiteto Sérgio Magalhães descreve a transformação urbana de Medellín, e revela um paradoxo fundamental do nosso tempo: diante de desafios sociais e ambientais tão complexos, ainda é possível que soluções simples — quando enraizadas em políticas públicas consistentes e inclusivas — provoquem mudanças profundas. O exemplo colombiano demonstra que urbanismo, quando voltado à integração social e à valorização dos territórios populares, pode reduzir violência, desigualdade e exclusão. No Brasil, onde 85% da população vive em cidades marcadas por contrastes gritantes, a lição é clara: o futuro da nação depende da capacidade de reinventar suas metrópoles. Urbe CaRioca ‘É simples, mas muda vidas’ As cidades são nosso maior patrimônio material e também nosso principal desafio socioambiental e civilizatório Por Sérgio Magalhães – O Globo Link original O título acima é uma afirmação(Leia mais)

Zona da Leopoldina: do desejo da classe média ao abandono, de Hugo Costa

Neste artigo, o geógrafo Hugo Costa destaca que a Zona da Leopoldina, que nos anos 1980 figurava como objeto de desejo da classe média carioca, é hoje um retrato vívido do abandono urbano. Naquele período, a região atraía investimentos privados e publicidade de peso — como o icônico comercial estrelado por Xuxa e Pelé, promovendo apartamentos com piscina, sauna e vista para a Igreja da Penha. Quase quatro décadas depois, a realidade mudou drasticamente: os imóveis se fecham, muitos são abandonados, e a população migrou para outras áreas da cidade, transformando a Leopoldina em uma espécie de “cidade fantasma” dentro da metrópole. O autor revela que essa transformação não ocorreu de forma isolada, mas refletiu décadas de políticas públicas inconsistentes e de investimentos concentrados em outras regiões do Rio de Janeiro. Planos diretores e estratégias urbanísticas sucessivas, de 1992 a(Leia mais)